sábado, 11 de maio de 2013

HOMENAGEM AS MÃES



Paulo Roberto

Mãezinha querida.
Quero deixar aqui nestas poucas palavras, que eu vou dizendo ao Deus dará da emoção, um grande abraço estremecido em soluços. E um beijo mãezinha, um beijo muito molhado de lágrimas.
Sinto que esta é a hora de ficar alegre e não sei como nem  porque, que esta palavra: lágrima... tombou dos meus olhos, para os meus lábios.Como lhe devo e quanto minha mãe...
Devo-lhe tudo, a começar pela vida...
Por muitos e muitos meses vivi no seu seio aquecido ao calor de seu coração.
Alimentei-me do seu pão de cada dia, que era o meu pão também. E o ar que você respirava é que conduzia oxigênio e vida  ao inconsciente tranqüilo explorador de sua vitalidade, que era eu.
Quando nasci, ficamos  ainda por alguns instantes ligados um ao outro e foi quando mãos estranhas nos separam, cortando, partindo o último liame que fazia de nossas vidas, uma só.
Creio que os recém-nascidos, choram, porque sentem a mágoa desta separação.
Mas mesmo assim, não  nos afastamos um do outro. Seu sangue generoso se transmudou na brancura do leite e eu continuei vivendo dele e de você, mãezinha.
Vieram depois as noites de vigília e os dias de angústia em que você aplicava sobre a minha fronte, os lábios temerosos de encontrar a ameaça da morte no sintoma da febre.
Mais tarde... aprendi com você as primeiras palavras e a rezar a primeira oração balbuciada.
Nossa primeira grande separação aconteceu quando você me vestiu a roupinha nova de colegial, e cruzou sobre meu peito, com emocionado carinho, a correia da malinha com os livros escolares. Eu ia enfrentar o mundo com lágrimas nos olhos, porque pela primeira vez estava sozinho, sem você, longe da senhora mãezinha.
Mas a sua imagem, a larga sombra protetora, de suas asas, de anjo tutelar seguiram comigo e até hoje me acompanham pela vida em fora.
Homens, que somos nós diante da simplicidade  grandiosa e divina das mulheres mães?
Creio que nós os homens só não somos completamente maus porque nascemos todos de um ventre de mulher.
Minha mãe... é você... é a senhora, não sei que tratamento lhe dar.
Creio que seria justo, creio que não ofenderia nem de leve a doce mãe de Jesus, se eu lhe falasse agora, rezando baixinho.
Minha mãe... Bendita sois vós, entre as mulheres.

N/R (Texto de autoria de Paulo Roberto, médico, radialista da antiga Rádio Nacional do Rio de Janeiro, transcrito de memória por mim, Wanderley de Souza Farias, pois não encontrei, lamentavelmente, o texto escrito pelo Autor. Há muitos atrás, tomei conhecimento do texto, através de um disco de 78 rotações, muito antigo, que já se perdeu pelo tempo. Em 2012, publiquei no Pedrinhas do Wanderley, agora estou novamente, com algumas, pequenas alterações, por isto a justificativa.)
   

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