terça-feira, 26 de novembro de 2013

DIRCEU PRESSIONOU LULA A FALAR E ELE TEVE DE OBEDECER

Vera Rosa e Wilson Tosta
Preso em uma cela de seis metros quadrados, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu criticou Luiz Inácio Lula da Silva pela forma como ele administrou até agora a crise do mensalão. A insatisfação com o ex-presidente foi manifestada por Dirceu a pelo menos três amigos que o visitaram, nos últimos dias, no Complexo Penitenciário da Papuda.
Irritado com o silêncio do Planalto, Dirceu perguntou: “E o Lula não vai falar nada?”. Era a senha para a urgência de um pronunciamento, que deveria ser feito o quanto antes, no diagnóstico do ex-ministro, sob pena de grande abalo na imagem do PT, com potencial de interferir na campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição.
Três dias depois de receber o recado, Lula fez o mais veemente discurso desde que os petistas foram condenados. Sugeriu, na quinta-feira passada, que o rigor da lei só vale para o PT e dirigiu ataques ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.
Em meio a protestos contra as “arbitrariedades” na execução das sentenças, Lula e dirigentes petistas também decidiram promover um desagravo a Dirceu, ao ex-presidente do PT José Genoino e ao ex-tesoureiro Delúbio Soares na abertura do 5.º Congresso da sigla, de 12 a 14 de dezembro, em Brasília.
COISA ANTIGA
A contrariedade de Dirceu com Lula, porém, não vem de hoje. Interlocutores do ex-ministro contaram ao Estado que ele sempre reprovou a forma “conciliatória” como o então presidente conduziu o caso desde que o escândalo estourou, em junho de 2005.
Em conversas mantidas no cárcere, Dirceu tem dito que Lula errou ao não fazer o “enfrentamento” necessário para não deixar a denúncia de corrupção virar uma espada permanente sobre o PT e o governo. Para Genoino, os réus do PT não têm escapatória, mesmo se conseguirem reduzir suas penas, pois perderam a batalha da comunicação. “Estamos marcados como gado”, resumiu ele a um amigo.
Na avaliação de Dirceu, Lula deixou a CPI dos Correios prosperar, em 2005, quando ainda teria condições de barrá-la. Por esse raciocínio, ao não politizar a denúncia da compra de votos no Congresso, Lula abriu caminho para a “criminalização” do PT. O partido até hoje insiste que nunca corrompeu deputados em troca de apoio e só admite a prática do caixa dois.
NOMEAÇÃO
Arquiteto da campanha que levou o PT ao Palácio do Planalto em 2003, Dirceu revelou que Lula chegou a consultá-lo sobre a nomeação de Luiz Fux para ministro do Supremo. “Se você está dizendo que sim, quem sou eu para dizer que não?”, disse Dirceu, segundo relato de amigos, antes de ser procurado por Fux, que pediu sua ajuda para conquistar o cargo.
Fux acabou nomeado em 2011 por Dilma. Petistas juram que ele prometeu “matar no peito” a acusação, em sinal de que absolveria os réus. Quando saiu o voto pela condenação, o espanto no governo e no PT foi generalizado.
Num café da manhã com Dirceu, em novembro de 2010, Lula prometeu a ele que, quando estivesse fora do Planalto, desmontaria a “farsa do mensalão”. A promessa não foi cumprida sob a alegação de que era preciso blindar o primeiro ano do governo Dilma. Depois vieram as disputas municipais de 2012 e agora o ano é pré-eleitoral.
Para o líder da bancada petista no Senado, Wellington Dias (PI), o PT não soube construir uma narrativa para reagir à ofensiva da oposição e da mídia. “Sob intenso cerco político, nós acabamos permitindo que as versões da compra de votos florescessem”, avaliou Dias.
A estratégia do governo e do PT, agora, é usar o escudo da “legalidade” e o discurso de que há “dois pesos e duas medidas” na Justiça para impedir que o mensalão contamine a campanha de Dilma em 2014. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 23 de novembro de 2013

E O PT NÃO REAGE






Carlos Chagas
O ex-presidente Fernando Henrique tem motivos de sobra para comemorar. Ontem foram mais dois grandes aeroportos, no Rio e Belo Horizonte. Dias atrás, o petróleo do  pré-sal. Assim como rodovias e ferrovias, sem esquecer os portos.
É evidente que mesmo evitando a palavra, o governo Dilma continua privatizando o país. Fica para outro dia verificar se os serviços públicos melhoram ou pioram. Ou mesmo se a soberania nacional vai sendo comida pelas beiradas, feito mingau quente. Melhor dizendo, as colheres já  chegaram ao meio do prato. Breve faltará apenas privatizar as forças armadas.
O singular é que tudo se faz com dinheiro público. O BNDES comparece sempre. As isenções fiscais também.
Eis um tema que em outros tempos polarizaria a campanha presidencial, mas existirá algum  candidato disposto a analisar e contestar essa política? Alguém capaz de denunciar  a contradição entre o programa  e a ação do governo do PT? Tem gente ganhando dinheiro em cada uma das múltiplas operações privatizantes. Nada a opor, o sistema é capitalista, mas tudo a contestar diante dessa prática de  doar patrimônio público. Não haverá um só companheiro disposto a lembrar as atas de fundação do partido e de seus anos vividos na oposição?
Depois dizem que é má vontade, que a presidente nada mais faz do que seguir a tendência mundial. Pode ser, mas é bom tomar cuidado. Inequívocos sinais de indignação surgem das populações europeias, onde as privatizações constituem apenas uma das facetas desse poliedro elitista. Outras existem, como as demissões em massa, a redução de salários, a extinção  de investimentos sociais e  o fim das pensões e aposentadorias.
Serão as privatizações uma porta aberta para o ingresso dessas novas medidas de estrangulamento social? Lícita se torna a apreensão quando  se vê tão  bem recitada a lição. O antídoto do bolsa-família, do “minha casa-minha vida” e outras iniciativas assistencialistas  não cobre o risco da ideologia  neoliberal que avança sem reação  do PT. E sequer de outros penduricalhos, como as centrais sindicais. Parecem  todos adormecidos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O tempo que resta ao Congresso

Tereza Cruvinel
Em julho, os líderes da coalizão governista queixaram-se à presidente Dilma da inundação permanente do Congresso por medidas provisórias que trancam a pauta e impedem qualquer outro tipo de deliberação. Ela prometeu usar menos MPs e mais projetos de lei. De fato, editou apenas uma MP em cada um dos últimos três meses. Se a dieta for mantida, o Congresso poderá agora montar uma agenda mais autônoma, aproveitando o que lhe resta da legislatura para buscar a sintonia perdida com a parcela da sociedade civil frustrada com a política.

Há anos ouve-se nas duas Casas, e especialmente no chamado baixo clero, a ladainha de que os projetos dos próprios parlamentares não são votados porque o chicote do governo não deixa. Desde que não tratem de instituir o dia do cortador de banana e coisas assim, os mais relevantes podem agora ser pautados. Até porque, com o fim da legislatura, vão todos para o arquivo. O critério para a seleção devia dar prioridade, obviamente, aos que respondam à manifesta frustração da cidadania com os políticos e o sistema, corrigindo distorções ou aprimorando o exercício da representação.
Um bom exemplo, a emenda que acaba com o voto secreto nas cassações, que o Senado deve aprovar conclusivamente esta semana. Mas vai muito além desse ponto a pauta institucional que poderia ser construída para ser tocada neste suspiro final da legislatura, depois que suas excelências aprovarem o inescapável e perigoso orçamento impositivo das emendas orçamentárias.
ALIVIANDO A DEMANDA
Não só para reduzir a tensão com os aliados Dilma vai aliviar sua demanda parlamentar, seja através de MPs seja de projetos de lei com urgência constitucional. O fato é que, desde o dia 5 passado, entramos para valer no chamado período eleitoral. Nesta altura, tendo apenas 11 meses de gestão pela frente, os governos concentram-se na rotina administrativa, na conclusão de projetos e na entrega de obras. É tarde para invenções, lançamentos e iniciativas.
A própria Dilma admitiu isso aos líderes: dificilmente agora ela enviará ao Congresso MPs que precisem ser aprovadas como casos de vida ou morte, como a dos Portos ou a do Mais Médicos. As duas últimas, por exemplo, uma de 3 de setembro, outra de 25 de outubro, tratam de créditos suplementares, uma rotina na execução do orçamento.
Com a pauta mais livre, o Congresso poderá também resgatar algumas faturas que está devendo, concluindo a aprovação de projetos inconclusos que ficaram pelo caminho. É o caso do projeto de regulamentação dos direitos dos trabalhadores domésticos. Depois do louvor geral à aprovação da emenda constitucional que acabou com uma herança escravista, a regulamentação aprovada pelo Senado parou na Câmara. E, com isso, o FGTS das domésticas continua no papel.
“Nós temos, de fato, uma excelente oportunidade de fazer uma agenda própria, mas temos que evitar a tentação dos malabarismos, aprovando, nesta altura do campeonato, a menos de um ano da eleição, propostas como essa da autonomia do Banco Central. Certas coisas não podem ser feitas em fim de governo”, diz o vice-presidente do Senado, Jorge Viana. Dilma fez chegar ao presidente do Senado, Renan Calheiros, sua contrariedade com a possível votação do projeto, de autoria do senador Francisco Dornelles. Ele respondeu que não fará um cavalo de batalha por isso. Mas tem ele, como seus pares das duas Casas, o desafio de apresentar agora à sociedade uma agenda do próprio Congresso. Acabou a desculpa de que o governo não deixa.

Chamaram o Exército para entregar o pré-sal

H e l i o  F e r n a n d e s
Dona Dilma, que combatia os leilões devassos e devastadores, ficou logo a favor, que triste reviravolta. E piorou de saúde física e mental. Mais grave ainda: na segunda-feira realizará o ato máximo do “entreguismo”, leiloando o importantíssimo campo de Libra.
Como sabe que a resistência é total, em todos os setores, e como a repulsa, o protesto e a indignação contra a indignidade será total, chamou o Exército. Para proteger o campo que é a grande esperança do nosso futuro? Não, para proteger a doação criminosa, o roubo das nossas reservas.
OS GENERAIS DA COMPLACÊNCIA
Os generais deviam dizer não, afinal já têm um passado bastante negativo. Está na hora da tentativa de reabilitação. Bastava perguntar: por que Dona Dilma e Dona Graça ficarão de longe, assistindo a degradação da nossa esperança? Hoje é sexta, o leilão será segunda, ainda há tempo. Para resistirem e não se voltarem contra o povo. Sempre o grande prejudicado.
GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO
Tremenda confusão, e volatilidade de candidatos. A cada dia aparece mais um. Mas os que lideram desde antes, lideram até agora: Lindbergh e Garotinho. Venho dizendo isso há meses, não havia nem surgido o “Fora, Cabral”, que não dá sinais de enfraquecimento.
Apesar de cabralzinho fazer força para virar ministro, o que não acontecerá, por falta de coragem de Dona Dilma. A coragem dela se esgotou com a doação criminosa do campo de Libra. Até Picciani dá palpite na sucessão. Isso mesmo: esse Picciani é acusado de exploração de trabalho escravo.
NEWTON CARDOSO, INTOCÁVEL
Está protestando, publicamente, pelo fato de ser revistado em aeroportos. Quer passar sem que ninguém o toque. Há anos, suas contas bancárias, aqui e no exterior, ganham a mesma liberdade e liberalidade de não serem revistadas nem investigadas.
Na Copa do Mundo de 1998, na França, um amigo me mostrou um edifício luxuoso (em frente ao famoso Bar des Théâtres) e disse: “Quem tem apartamento aqui é o Newton Cardoso”. Contei tudo na Tribuna impressa. Logo depois, se separava, a mulher acusava: “Sua fortuna é no mínimo de 3 bilhões”. Fizeram volumoso acordo, ela nunca mais se lembrou de nada.