sábado, 28 de janeiro de 2012

'Como vencer a pobreza e a desigualdade'


Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ

'PÁTRIA MADRASTA VIL'
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. 
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. 
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. 
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil  está mais para madrasta vil. 
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! 
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. 
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso? 
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. 
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? 
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos. 
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
 
Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. 
Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade' 

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com  outros cem textos selecionados no concurso. A publicaç

domingo, 22 de janeiro de 2012

O brado retumbante de Guilherme Fiúza

O brado retumbante de Guilherme Fiúza

Foto: Divulgação / TV Globo / Estevam Avellar

QUEM É PAULO VENTURA? AÉCIO? DILMA? EM ENTREVISTA AO 247, UM DOS AUTORES DA MINISSÉRIE DA GLOBO QUE TROUXE A POLÍTICA DE VOLTA À TELEVISÃO REVELA QUAIS FORAM AS REFERÊNCIAS E INSPIRAÇÕES PARA CRIAR OS PERSONAGENS DA TRAMA

23 de Janeiro de 2012 às 00:21
Leonardo Attuch _247 – O jornalista Guilherme Fiúza tem provado a cada livro que é um dos grandes talentos da nova geração brasileira de escritores. Como poucos, ele sabe contar uma história, seja ela sobre um jovem de classe média que se torna traficante (“Meu nome não é Johnny”), uma garota idealista que se embrenha na selva para produzir couro vegetal (“Amazônia: 20º andar”), um humorista que conquistou o Brasil (“Bussunda, a vida do Casseta”) e até sobre economistas que enfrentam a inflação (“3000 dias no bunker”).
Guilherme, portanto, é versátil. E, como fala de tudo, também fala de política. Sua verve de colunista devotado ao mundo do poder se desenvolveu na revista Época, onde ele escreve duas vezes por mês, e chegou agora à televisão numa minissérie da Rede Globo, que tem dado o que falar, chamada “O Brado Retumbante”, escrita por uma equipe composta por Euclydes Marinho, Nelson Motta, Denise Bandeira e o próprio Fiúza.
Como tudo que se passa no império da família Marinho, essa produção também dá margem a teorias conspiratórias.
Afinal, o que quer a Globo com uma produção política em pleno horário nobre?
Seria Paulo Ventura, o presidente fictício do "Brado Retumbante", Aécio Neves, como muitos chegaram a desconfiar? Seria uma versão masculina de Dilma Rousseff, uma vez que chega quase que por acaso à presidência da República e é forçado a fazer sua faxina ministerial?
Com a palavra, Guilherme Fiúza.
247 – Quais foram as suas referências para criar os personagens da série?
Guilherme Fiúza – Há vários pontos de conexão com a realidade contemporânea. Criamos um enredo quase surreal para levar uma pessoa comum, e honesta, à presidência da República. O Paulo Ventura é um cara que faz um blog, é aclamado deputado federal, torna-se presidente da Câmara num arranjo não conduzido por ele e assume a presidência depois que o presidente e o vice morrem num acidente. De repente, temos lá uma pessoa de classe média que passa a ter a perspectiva do poder, sem ter sido um profissional da política.
247 – Mas, na série, há várias referências a acontecimentos recentes: livros didáticos comprados pelo MEC que contam a história com um viés ideológico, organizações não-governamentais que sobrevivem com dinheiro governamental, ministros que se corrompem em nome do partido e assim por diante...
Fiúza – A referência, de fato, é o Brasil de 2012, embora a história seja ficção. Retratamos uma ocupação parasitária do Estado, onde os partidos e seus ministros estão lá para sugar os recursos públicos. Mas, de repente, esses ministros se deparam com um presidente que não está disposto a fazer o jogo tradicional da política.
247 – O Paulo Ventura pode ser uma versão masculina da presidente Dilma?
Fiúza – Não creio, até porque esse Estado ocupado tem muito o sotaque do PT e de sua base aliada, ainda que o governo da Dilma seja diferente do governo do Lula.
247 – Bom, mas como ele não resiste a um rabo de saia, também tem sido comparado ao senador Aécio Neves. Faz sentido?
Fiúza – Todas as referências que nós buscamos foram de pessoas que já passaram pela presidência, como o Fernando Henrique, o Lula e o JK, e não de futuros pretendentes. Mas até achei parecida uma comparação com uma foto do Aécio e uma do Domingos Montagner, que interpreta o Paulo Ventura. Fora isso, não há qualquer semelhança. O Aécio é um profissional da política. O Paulo chegou lá por acidente.
247 – Dias atrás, o seu presidente demitiu o ministro da Agricultura. Alguma referência ao Wagner Rossi?
Fiúza – Foi até engraçado, porque esse episódio foi escrito antes do escândalo do Wagner Rossi. Mas, em certos aspectos, o Brasil acaba sendo previsível.
247 – Quando você começou a escrever essa história?
Fiúza – O projeto, do Euclydes Marinho, tem dois anos. E nós, que fazemos parte dessa equipe liderada por ele, começamos a escrever em outubro de 2010, antes da posse da Dilma.
247 – Num projeto da Rede Globo, muitas pessoas buscam teorias conspiratórias. Como você encara isso?
Fiúza – É natural. Como se trata do maior grupo de comunicação do País, as pessoas querem saber qual é a mensagem subliminar. Mas não há nenhuma. Por parte da Globo, não houve nenhum veto e nenhuma sugestão, a não ser o pedido para que os personagens não tivessem nomes parecidos com os de pessoas reais.
247 – Mas o telespectador acaba enxergando um Fernando Haddad no ministro da Educação, um Wagner Rossi no da Agricultura e assim por diante.
Fiúza – Pois é. Ontem me ligaram dizendo que a Neide Batalha, escritora que industrializa as teses da esquerda e mora na Vieira Souto, seria o Emir Sader.
247 – E é?
Fiúza – Eu só me divirto com as leituras que as pessoas fazem.
247 – A primeira-dama Antônia, interpretada pela Maria Fernanda Cândido, vem ganhando força na história. Não deveria ser ela a presidenta?
Fiúza – De fato, ela tem dado um show, como no episódio em que contestou o ministro da Educação na compra dos livros de história contaminados pela ideologia. Além de belíssima, é uma mulher que tem vida própria e não se deslumbra com os encantos do poder. Neste caso, confesso que tivemos sim uma inspiração, que foi a Dona Ruth Cardoso.
247 – Um pouco melhorada...
Fiúza – Devo admitir.
247 – Esse casal Antônia e Paulo Ventura não parece utópico demais? Vai conseguir resistir ao jogo das pressões políticas e da governabilidade?
Fiúza – É utópico. Mas por que não?
247 – Sim, mas a questão é: ele termina seu mandato?
Fiúza – Essa é uma boa pergunta. Eu diria que ele ainda terá muitas oscilações, com seus altos e baixos. Já sofreu até uma tentativa de atentado e terá problemas de popularidade.
247 – Na revista Época, você foi um crítico ácido do governo Lula e também de Dilma quando candidata. Hoje, uma pesquisa revela que ela tem aprovação superior à dos dois antecessores: Lula e FHC. Ela o surpreendeu?
Fiúza – O que me surpreende é ver como os estratos superiores da sociedade se enganam em relação à Dilma. Nesse primeiro ano de governo, o que houve foi um não governo. Nunca vi tanto capital político ser desperdiçado. Por mais que ela tenha tido o mérito de moderar algumas posições na área internacional, especialmente no caso do Irã, este é um governo que termina o primeiro ano sem nenhum projeto, nenhuma ideia. Nunca achei que isso pudesse acontecer.
247 – Como analista político, você não reconhece nenhum progresso?
Fiúza – A marca foi a faxina. Mas uma faxina feita a contragosto e a reboque da imprensa. Não se avançou na infraestrutura, na questão tributária, em nenhum setor. O que temos é pura espuma. O que eu enxergo, na verdade, é um apagão administrativo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fusca celebra 53 anos no Brasil

Fusca celebra 53 anos no Brasil

Foto: Divulgação

EVENTO DE COLECIONADORES IRÁ REUNIR CERCA DE 500 UNIDADES DO CARRO PARA COMERCIALIZAÇÃO; VEJA AQUI GALERIA DE IMAGENS

20 de Janeiro de 2012 às 16:57
247 - Um dos carros mais queridos pelos brasileiros celebra 53 anos nesta sexta-feira, 20. Milhares de fãs em todo país comemoram a data que marca a chegada das primeiras unidades do Volkswagen Fusca ao país em 1950. O modelo foi o primeiro carro fabricado pela empresa alemã Volkswagen. Após a fabricação, o carro foi chamado de inicialmente de VW Sedan, o modelo foi fabricado até 1986 no Brasil.
Já na década de 80, o modelo se tornou o carro mais vendido do mundo, ultrapassando em 1972 o recorde do Ford Modelo T. O último modelo de Fusca foi fabricado no México em 2003. Mesmo considerado uma relíquia por motoristas brasileiros, o Fusca foi tirado de linha em 1996, no entanto, colecionadores continuam desfilando seus modelos pelas ruas.
O Fusca foi criado na década de 30 para ser o carro do povo. O projeto foi um pedido de Adolf Hitler ao austríaco Ferdinand Porsche. O carro, produzido em diversas cores, se tornou popular pelo preço baixo, praticidade e fácil reposição de peças. Atualmente, o carro continua sendo o modelo mais vendido do mundo, com 21 milhões de unidades comercializas em 75 anos de existência.
Para comemorar a data, o Fusca Clube Brasil irá realizar um encontro de colecionadores com mais de 500 modelos no shopping Metrópole, no próximo domingo, 22, a partir das 9h. O clube foi fundado em maio de 1985 e reúne peças de coleções exclusivas e modelos para comercialização. Serão aceitos no evento apenas os modelos refrigerados a ar e os com refrigeração a água com mais de 20 anos. O ingresso para o evento será dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão doados para uma instituição de caridade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Você merece saber.


Ildo Sauer denuncia como José Dirceu entregou o Pré-Sal para Eike Batista.

A maior entrega da história do Brasil

Publicamos parte da importantíssima entrevista do professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Thaís Carrança, da revista da Associação dos Docentes da USP (Adusp).

Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ex-diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, Sauer conta como foi descoberto o Pré-Sal e denuncia o lobby feito por José Dirceu para entregar a Eike Batista a maior parte das reservas.

“--Revista Adusp:

 Você ainda estava na Petrobras, quando o Pré-Sal foi descoberto?

--Ildo Sauer

 - Eu ajudei a tomar essa decisão. Nós tomamos essa decisão, não sabíamos quanto ia custar. O poço de Tupi custou US$ 264 milhões, para furar os 3 km de sal e descobrir que tinha petróleo. O Lula foi avisado em 2006 e a Dilma também, de que agora um novo modelo geológico havia sido descoberto, cuja dimensão era gigantesca, não se sabia quanto. Então, obviamente, do ponto de vista político, naquele momento a nossa posição, de muitos diretores da Petrobras, principalmente eu e Gabrielli, que tínhamos mais afinidade política com a proposta do PT de antigamente, a abandonada, achávamos que tinha que parar com todo e qualquer leilão, como aliás foi promessa de campanha do Lula.
Na transição, ainda a Dilma falou, “não vai ter mais leilão”. 
Mas se subjugaram às grandes pressões e mantiveram os leilões.” 

Fernando Henrique fez quatro, Lula fez cinco.
Lula entregou mais áreas e mais campos para a iniciativa privada do petróleo do que Fernando Henrique.
Um ex-ministro do governo Lula e dois do governo FHC foram assessorar Eike Batista. O que caberia a um governo que primasse por dignidade? Cancelar o leilão. Por que não foi feito? Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, estavam nessa empreitada.


--Revista Adusp: 

Mas Gabrielli era contra e acabou concordando?

--Ildo Sauer

- Não. A Petrobras não manda nisso, a Petrobras é vítima, ela não era ouvida. Quem executa isso é a ANP [Agência Nacional do Petróleo], comandada pelo PCdoB, e a mão de ferro na ANP era da Casa Civil. Então a voz da política energética era a voz da Dilma, ela é que impôs essa privatização na energia elétrica e no petróleo. 
Depois do petróleo já confirmado em 2006, a ANP criou um edital pelo qual a Petrobras tinha limitado acesso. Podia ter no máximo 30% ou 40% dos blocos, necessários para criar concorrência. Porque, em 2006, Tupi já havia sido furado e comunicado. O segundo poço de Tupi, para ver a dimensão, foi feito mais adiante, esse ficou pronto em 2007. Só que o Lula e a Dilma foram avisados pelo Gabrielli em 2006.
Muitos movimentos sociais foram a Brasília, nós falávamos com os parlamentares, os sindicatos foram protestar. O Clube de Engenharia, que é a voz dos engenheiros, mandou uma carta ao Lula, em 2007, pedindo para nunca mais fazer leilão.



Em 2005-6, o Rodolfo Landim, o queridinho do Lula e da Dilma, saiu da Petrobras. Porque o consultor da OGX, do grupo X, do senhor Eike Batista, era o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e ele sugeriu então que Eike entrasse no petróleo. Aí ele contratou o Landim, que começou a arquitetar. Como o centro nevrálgico da estratégia da Petrobras é a gerência executiva de exploração, o geólogo Paulo Mendonça, nascido em Portugal, formado aqui na USP, e o Landim, articularam para em 2007 criar uma empresa nova, a partir dos técnicos da Petrobras. E o senhor Eike Batista queimou alguns milhões de dólares para assinar os contratos e dar as luvas desses novos cargos, que estavam dentro da Petrobras mas, desde que o Landim foi trabalhar com o senhor Batista, ele já estava lá para arrancar de dentro da Petrobras esses técnicos.
Aí chegou o fim de 2007, todos nós pressionando para não ter mais leilão, o Lula tira 41 blocos… 
Mas vamos voltar a 2006. Em 2006, quem anulou o leilão foi a Justiça, por discriminação contra a Petrobras fazer essas coisas. Ouvi isso da Jô Moraes, num debate na Câmara dos Deputados.
Só que aí se criou o seguinte imbróglio: um ex-ministro do governo Lula e dois do governo Fernando Henrique, Pedro Malan e Rodolpho Tourinho, foram assessorar o Eike Batista. Ele já tinha gasto um monte para criar sua empresa de petróleo. Se o leilão fosse suspenso, ele ia ficar sem nada, e já tinha aliciado toda a equipe de exploração e produção da Petrobras.
O que caberia a um governo que primasse por um mínimo de dignidade para preservar o interesse público? 
Cancelar o leilão e processar esses caras que saíram da Petrobras com segredos estratégicos. Por que não foi feito? 
Porque tanto Lula, quanto Dilma, quanto os ex-ministros, os dois do governo anterior e um do governo Lula, estavam nessa empreitada.

--Revista Adusp:
Quem era o ex-ministro?
--Ildo Sauer –
 O ex-chefe da Casa Civil, antecessor de Dilma.—
Revista Adusp:
 José Dirceu?
--Ildo Sauer –
É, ele foi assessor do Eike Batista, consultor. Para ele, não era do governo, ele pegou contrato de consultoria, para dar assistência nas negociações com a Bolívia, com a Venezuela e aqui dentro. Ele, Dirceu, me disse que fez isso. Do ponto de vista legal, nenhuma recriminação contra ele, digamos assim. Eu tenho recriminação contra o governo que permitiu se fazer.
E hoje ele, Eike, anuncia ter 10 bilhões de barris já, que valem US$ 100 bilhões. Até então, esse senhor Batista era um milionário, tinha cerca de US$ 200 milhões. Todo mundo já sabia que o Pré-Sal existia, menos o público, porque o governo não anunciou publicamente. As empresas que operavam sabiam, tanto que a Ente Nazionale Idrocarburi D’Italia (ENI) pagou US$ 300 milhões por um dos primeiros poços leiloados em 2008. Três ou quatro leilões foram feitos quando o leilão foi suspenso pela justiça. Até hoje, volta e meia o [ministro] Lobão ameaça retomar o leilão de 2008, 2006. A oitava rodada. Para entregar. Tudo em torno do Pré-Sal estava entregue naquele leilão. No leilão seguinte, o governo insiste em leiloar. E leiloou. E na franja do Pré-Sal é que tem esse enorme poderio.
Como é que pode? A empresa dele (Eike) foi criada em julho de 2007. Em junho de 2008 ele fez um Initial Public Offering, arrecadou R$ 6,71 bilhões por 38% da empresa, portanto a empresa estava valendo R$ 17 bilhões, R$ 10 bilhões dele. Tudo que ele tinha de ativo: a equipe recrutada da Petrobras e os blocos generosamente leiloados por Lula e Dilma. Só isso. Eu denunciei isso já em 2008. Publicamente, em tudo quanto é lugar que eu fui, eu venho falando para que ficasse registrado antes que ele anunciasse as suas descobertas. Porque fui alertado pelos geólogos de que lá tinha muito petróleo.
Foi um acordo que chegaram a fazer, numa conversa entre Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e a então ministra-chefe da Casa Civil (Dilma), em novembro, antes do leilão. 
O Lula chegou a concordar, segundo disse o pessoal do MST e os sindicalistas, em acabar com o leilão. Mas esse imbroglio, de o empresário ter gasto dezenas de milhões de dólares para recrutar equipe e apoio político nos dois governos fez com que eles mantivessem… 
Tiraram o filé-mignon, mas mantiveram o contra-filé. O contra-filé é alguém que hoje anuncia ser o oitavo homem mais rico do mundo.
E tudo foi mediante essa operação no seio do governo. Contra a recomendação dos técnicos da Petrobras, do Clube de Engenharia, do sindicalismo.

Foi a maior entrega da história do Brasil. 
O ato mais entreguista da história brasileira, em termos econômicos.

 
Pior, foi dos processos de acumulação primitiva mais extraordinários da história do capitalismo mundial.


 Alguém sai do nada e em três anos tem uma fortuna de bilhões de dólares.
A Petrobras durante a vida inteira conseguiu descobrir 20 bilhões de barris de petróleo, antes do Pré-Sal. 
Este senhor Eike Batista, está no site da OGX, já tem 10 bilhões de barris consolidados. Os Estados Unidos inteiros têm 29,4 bilhões de barris. Ele anuncia que estará produzindo, em breve, 1,4 milhão de barris por dia — o mesmo que a Líbia produz hoje.
É esse o quadro. 
Ou a população brasileira se dá conta do que está em jogo, ou o processo vai ser o mesmo de sempre. Do jeito que foi-se a prata, foi-se o ouro, foram-se as terras, irão também os potenciais hidráulicos e o petróleo, para essas negociatas entre a elite. O modelo aprovado não é adequado. Mantém-se uma aura de risco sem necessidade, para justificar que o cara está “correndo risco”, mas um risco que ele já sabe que não existe.


Qual é a nossa proposta?

 
Primeiro, vamos mapear as reservas: saber se temos 100 bilhões, 200 bilhões, 300 bilhões de barris.

Segundo, vamos criar o sistema de prestação de serviço: a Petrobras passa a operar, recebe por cada barril de petróleo produzido US$ 15 ou US$ 20, e o governo determina o ritmo de produção. Porque há um problema: a Arábia Saudita produz em torno de 10 milhões de barris, a Rússia uns 8 milhões de barris, depois vêm os outros, com 2 a 4 milhões de barris por dia: Venezuela, Iraque, Irã. O Eike Batista anuncia a produção de 1,4 milhão de barris, a Petrobras anuncia 5 milhões de barris e pouco. Significa que o Brasil vai exportar uns 3 ou 4 milhões de barris. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dilma ouve Lula por 3 horas. Tema: a reforma

Dilma ouve Lula  por 3 horas. Tema: a reforma

Foto: Edição/247

ENCONTRO FOI NO GABINETE DA PRESIDÊNCIA, EM SÃO PAULO, COM DIREITO A ALMOÇO; MINISTRO ALEXANDRE PADILHA ACOMPANHOU PRESIDENTE NA VIAGEM; O QUE VAI SAIR DESSA PAJELANÇA? QUEM FICA, QUEM DANÇA?

Por Agência Estado
12 de Janeiro de 2012 às 20:08Agência Estado
A poucas semanas de realizar sua primeira reforma ministerial, a presidente Dilma Rousseff se reuniu por três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde de hoje (12), no escritório da Presidência da República, em São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, os dois almoçaram a sós. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou Dilma no trajeto entre o Palácio dos Bandeirantes, onde ela participou de evento pela manhã, e o escritório, mas não participou do encontro. O conteúdo da conversa entre Dilma e Lula não foi divulgado.
Pela manhã, a presidente Dilma participou de cerimônia no Palácio dos Bandeirantes de assinatura de termo de cooperação para a construção de moradias populares no Estado. Ela deveria ter embarcado para Brasília às 16h30, de acordo com a agenda oficial. Mas Dilma deixou o escritório da presidência perto das 17h10.
Em várias das vezes em que Dilma esteve em São Paulo para compromissos oficiais, ela fez questão de se encontrar com Lula. Os encontros, no entanto, não aparecem na agenda oficial da Presidência, por serem considerados privados. A agenda de hoje do ministro da Fazenda, Guido Mantega, previa que ele teria reuniões internas, no mesmo escritório da Presidência da República, em São Paulo, em que Dilma e Lula se encontraram. Segundo a Presidência, Mantega não participou da reunião.