sexta-feira, 29 de junho de 2012

Levandowsky propõe penas leves, mas réus ficam inelegíveis Pedro do Coutto O ministro Ricardo Levandowsky, ao concluir o trabalho de revisão do relatório Joaquim Barbosa, que, no Supremo, em 2007, aceitou a denúncia contra os acusados do Mensalão, afirmou que, está propondo penas leves, e média de seis meses de prisão para os réus. Difícil estimar qual será essa média final, mas fácil deduzir que o revisor vai concluir pela condenação. Caso contrário não iria se referir à aplicação de penas leves. Carolina Prígido, O Globo de quarta-feira, publicou sobre o assunto, destacando os pontos mais importantes do contexto final de mais um capítulo da crise política de vulto ocorrida em 2005. A foto é de Givaldo Barbosa. Se as penas que Levandowsky coloca são pequenas, e ele foi o revisor do texto de Joaquim Barbosa, pode-se supor que o ministro que redigiu o relatório original aceitando a denúncia do então Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo menos ensejou penalidades mais severas. Se assim não fosse, Levandowsky não teria assinalado que é a favor de condenações mais brandas. Tudo na vida é relativo, já definia Einstein em 1905, alvorada do século XX. Entretanto, sejam as penas leves ou severas, conforme o julgamento final, uma coisa ficou clara na perspectiva: haverá condenações. Pois discutir duração de pena é, em princípio, admitir a condenação. Fala-se de punições de vários tipos. Mas, até agora, ninguém falou em absolvição. Isso de um lado. De outro, tanto com base na Lei da Ficha Limpa, quanto na decisão do próprio Supremo sobre sua aplicação, o fato é que a condenação transitada em julgado acarreta a inelegibilidade dos que forem condenados. E, no caso do STF, os desfechos terão transitado em julgado, uma vez que não caberá mais recurso algum. É o fim da linha que começou a se desenrolar em 2005 e que teve, como principais consequências, a demissão de José Dirceu da chefia da Casa Civil e a cassação de seu mandato e também o mandato do deputado Roberto Jefferson. Dessa forma, por exemplo, Dirceu não poderá disputar eleições em 2014, o mesmo impedimento se aplicará a Roberto Jefferson, que aliás foi quem desencadeou a tempestade com sua entrevista a Folha de São Paulo, e João Paulo Cunha, este agora, em 2012, candidato à Prefeitura de Osasco, e a Valdemar da Costa Neto, entre outros. Este aspecto passou despercebido a muitos analistas da cena política. A tendência à condenação é confirmada também por outro fato, além dos que já citei. Os advogados Marcelo Leonardo, Antonio Carlos de Almeida Castro, Zilmar Fernandes, que defendem acusados no processo, reportagem de Thiago Herdy e Alessandra Duarte, também na edição de O Globo de 27, queixaram-se da pressão sobre Levandowsky para que ele, finalmente, concluísse o voto revisor. Sinal de que os próprios defensores não confiam na absolvição. Pois se acreditassem nela, ao contrário, desejariam que a revisão fosse concluída o mais rapidamente possível. Quem deseja adiar o confronto é porque, tacitamente, revela descrer da possibilidade de vencer a questão. Raciocínio tão claro como a água da fonte, ditado antigo porém eterno, definidor da vontade humana. E de suas dúvidas. Incertezas à parte, em todo este capítulo, mais um na história da política brasileira, o tema da pena final predomina sobre a hipótese de qualquer absolvição. Assim, se esta vier a ocorrer será uma surpresa enorme. A lógica dos fatos indica o contrário.

DEPOIS DE TANTO TEMPO É BRINCADEIRA. É MUTRETA O VOTO, SÓ INEGEBILIDADE PARA OS CONDENADOS PELA MAIORIA DA POPULAÇÃO. É MUITO POUCO PARA JOSÉ DIRCEU COMPARADA A PENA QUE TERIA O QUE DENUNCIOU. E O LULA SAI COMO INOCENTE NÃO SABIA DE NADA. 



Pedro do Coutto
O ministro Ricardo Levandowsky, ao concluir o trabalho de revisão do relatório Joaquim Barbosa, que, no Supremo, em 2007, aceitou a denúncia contra os acusados do Mensalão, afirmou que, está propondo penas leves, e média de seis meses de prisão para os réus. Difícil estimar qual será essa média final, mas fácil deduzir que o revisor vai concluir pela condenação. Caso contrário não iria se referir à aplicação de penas leves. Carolina Prígido, O Globo de quarta-feira, publicou sobre o assunto, destacando os pontos mais importantes do contexto final de mais um capítulo da crise política de vulto ocorrida em 2005. A foto é de Givaldo Barbosa.
Se as penas que Levandowsky coloca são pequenas, e ele foi o revisor do texto de Joaquim Barbosa, pode-se supor que o ministro que redigiu o relatório original aceitando a denúncia do então Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo menos ensejou penalidades mais severas. Se assim não fosse, Levandowsky não teria assinalado que é a favor de condenações mais brandas. Tudo na vida é relativo, já definia Einstein em 1905, alvorada do século XX.
Entretanto, sejam as penas leves ou severas, conforme o julgamento final, uma coisa ficou clara na perspectiva: haverá condenações. Pois discutir duração de pena é, em princípio, admitir a condenação. Fala-se de punições de vários tipos. Mas, até agora, ninguém falou em absolvição. Isso de um lado. De outro, tanto com base na Lei da Ficha Limpa, quanto na decisão do próprio Supremo sobre sua aplicação, o fato é que a condenação transitada em julgado acarreta a inelegibilidade dos que forem condenados. E, no caso do STF, os desfechos terão transitado em julgado, uma vez que não caberá mais recurso algum. É o fim da linha que começou a se desenrolar em 2005 e que teve, como principais consequências, a demissão de José Dirceu da chefia da Casa Civil e a cassação de seu mandato e também o mandato do deputado Roberto Jefferson.
Dessa forma, por exemplo, Dirceu não poderá disputar eleições em 2014, o mesmo impedimento se aplicará a Roberto Jefferson, que aliás foi quem desencadeou a tempestade com sua entrevista a Folha de São Paulo, e João Paulo Cunha, este agora, em 2012, candidato à Prefeitura de Osasco, e a Valdemar da Costa Neto, entre outros. Este aspecto passou despercebido a muitos analistas da cena política.
A tendência à condenação é confirmada também por outro fato, além dos que já citei. Os advogados Marcelo Leonardo, Antonio Carlos de Almeida Castro, Zilmar Fernandes, que defendem acusados no processo, reportagem de Thiago Herdy e Alessandra Duarte, também na edição de O Globo de 27, queixaram-se da pressão sobre Levandowsky para que ele, finalmente, concluísse o voto revisor.
Sinal de que os próprios defensores não confiam na absolvição. Pois se acreditassem nela, ao contrário, desejariam que a revisão fosse concluída o mais rapidamente possível. Quem deseja adiar o confronto é porque, tacitamente, revela descrer da possibilidade de vencer a questão. Raciocínio tão claro como a água da fonte, ditado antigo porém eterno, definidor da vontade humana. E de suas dúvidas.
Incertezas à parte, em todo este capítulo, mais um na história da política brasileira, o tema da pena final predomina sobre a hipótese de qualquer absolvição. Assim, se esta vier a ocorrer será uma surpresa enorme. A lógica dos fatos indica o contrário.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O homem que desmoralizou a patifaria

Percival Puggina
Tão logo começaram a circular pelo mundo as imagens de Lula e Maluf selando aliança política para beneficiar Haddad no pleito paulistano, a mídia disciplinada pelo PT começou a reprovar o comportamento de Lula. Não o fazer seria escandaloso. Mas era preciso reprovar como quem estivesse surpreso. Como se aquilo fosse uma grande novidade e uma nódoa incompatível com a alva túnica do seráfico ex-presidente.
Do lado oposicionista, surgiram comentários no sentido de que se tratava de uma aliança entre iguais. Dizia-se que ambos se mereciam. Que seriam parceiros na escassez de escrúpulos. Que os dois seriam dotados de uma consciência maleável como massinha de moldar.
Também essa foi minha primeira opinião, até assistir a um debate em que tal afirmação foi feita, recebendo a seguinte contestação de um representante do PT: “Não dá para comparar Lula com Maluf. Lula não é procurado pela Interpol!”. Essa frase me levou a colocar os dois personagens nos pratos de uma balança mental das iniquidades. Instalei-os ali, enquanto sopesava as respectivas biografias, que, a essas alturas, enchiam as páginas dos blogs e sites da rede.
Resultado do teste: Maluf foi catapultado para cima enquanto Lula se estatelava embaixo. De fato, Lula não tem condenação criminal. Mas até mesmo na balança de um juízo moral tolerante, é infinitamente mais danoso do que seu parceiro. O que ele fez com a política, com a democracia, com os critérios de juízo dos eleitores e com as próprias instituições nacionais é pior, muito pior do que o prontuário criminal do seu parceiro na eleição paulistana. Os estragos de Maluf se indenizam em São Paulo, com dinheiro, e se punem com cadeia. Os de Lula levarão décadas para serem retificados na consciência nacional e nas instituições do país.
A sociedade, em algum momento, emergirá da letargia produzida pelo carisma do ex-presidente e pela rede de mistificações em que se envolve. Compreenderá, então, que o modo de fazer política introduzido por Lula conseguiu desmoralizar a patifaria. Antes dele havia um certo recato na imoralidade. As vilanias eram executadas com algum escrúpulo. Quando alguém gritava que o rei estava nu, as pessoas olhavam para as partes polpudas do rei e se escandalizavam. Com Lula, as pessoas olham para o lado. Não querem ver. São como os julgadores de Galileu que se recusavam a olhar pelo telescópio com que ele lhes queria mostrar o universo: “Noi non vogliamo guardare perché se lo facciamo potremmo cambiare”. Não olham porque mudar de opinião pode custar caro.
Então, o rei aparece no jardim, nu como uma donzela de Botticelli, e as pessoas olham para o Maluf, de terno e gravata com ar de escândalo. Se isso não é a desmoralização da moral, se a influência de Lula nos costumes políticos não nos submete, como cidadãos, aos padrões próprios de um covil de velhacos, então é porque – ai de mim! – em algum lugar do passado recente, perdi a visão e a razão.

 Escolhe ahê!!!!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

De repente, não mais que de repente, ficou pronto o voto de Lewandowski sobre mensalão.


Carlos Newton
Na semana passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, enviou ofício ao ministro-revisor Ricardo Lewandowski advertindo que o processo do mensalão deveria ser devolvido no dia 25 para que o julgamento começasse em 1º de agosto.
Britto nem precisaria ter feito isso, porque Lewandowski já está no Supremo há vários anos e conhece bem a tramitação dos processos. Mesmo assim, Lewandowski na segunda-feira afirmou que ficou “estupefato” ao saber do envio do ofício de Britto. E alegou que o prazo para a devolução do processo fora aprovado pela maioria dos ministros. “O presidente está mudando o prazo? Estou surpreso”, disse à equipe de Folha, e no início da noite divulgou nota em que defendeu sua posição.
###
CONTRAPOR AO VOTO?

Nesta nota, Lewandowski disse que sua missão não se resume à revisão. “Tenho de fazer um voto paralelo ao do ministro Joaquim, que seja um contraponto ao voto dele. Tenho de descer ao mérito, rever provas, todos os volumes dos autos. Não é simples julgar 38 pessoas, 38 seres humanos, 38 famílias.”
Interessante essa revelação. Voto em paralelo? Se contrapor ao voto do relator Joaquim Barbosa? Ora, em que faculdade Lewandowski aprendeu isso? A missão do revisor é rever o voto do relator, concordando com ele ou fazendo reparos. Não é obrigatório se contrapor ao voto do relator, como Lewandowski tenta fazer crer.
###
RAPIDEZ SÚBITA
Pois bem, quando tudo indicava que  o ministro Ricardo Lewandowski iria atrasar a entrega de seu voto como revisor do caso do mensalão, ele acabou entregando nesta terça e agora o julgamento poderá se iniciado dia 1º de agosto. Era importante iniciar nesta data, porque o ministro Cesar Peluso vai se aposentar no final de agosto, e qualquer atraso faria com que a coisa começasse a ficar complicada, muito complicada.
Para manter o cronograma, basta circular uma edição extra do Diário da Justiça Eletrônico, coisa corriqueira no cotidiano do Supremo Tribunal Federal. Simples assim.

A legalidade das elites

Carlos Chagas
Hoje, dois terços da população falam por ouvir falar. Quando falam. Os que tinham idade suficiente para entender e até para viver aqueles idos de 1964 continuam divididos.
Para uns, tratou-se de um golpe cruel vibrado nas instituições democráticas, ao qual seguiram-se 21 anos de ditadura, tortura, censura à imprensa, supressão dos direitos humanos e prevalência do poder econômico sobre os anseios das massas.
Para outros, foi um basta à subversão e à corrupção, uma interrupção no processo de anarquia e de desagregação da sociedade ameaçada pelo perigo comunista expresso pelo próprio governo.
Contradiz-se também a farta literatura produzida de lá para cá a respeito do movimento dito militar. Tanto tempo depois, será preciso atentar para a importância de não dividir o Brasil de quarenta anos atrás entre mocinhos e bandidos, tanto faz a posição de onde se observam aqueles acontecimentos.
Nem as Forças Armadas foram as únicas responsáveis pela truculência verificada nas duas décadas seguintes, nem poderão apenas ser tidas como as mãos do gato, utilizadas pelas elites para retirar as castanhas do fogo. Tiveram sua responsabilidade explícita, exposta através dos governos de cinco generais-presidentes e de duas juntas militares, mas, no reverso da medalha, evitaram o quanto foi possível a transformação do Estado brasileiro em apêndice desimportante dos interesses políticos, econômico-financeiros e até culturais do conglomerado internacional que hoje nos domina, e ao planeta também.
Indaga-se como foi possível cair feito fruta madura um governo democrático, forjado na luta e na resistência de três anos antes em favor do cumprimento da Constituição e da posse do vice-presidente, após o histriônico episódio da renúncia do presidente Jânio Quadros.
João Goulart terá sido derrubado mais pelas suas virtudes do que por seus defeitos, mas estes foram imensos. Ingenuidade, em primeiro lugar, se imaginou que reformas sociais profundas poderiam ser conquistadas no grito, de uma só vez, com as elites conformando-se em abrir mão de seus privilégios sem organizar-se nem resistir. Depois, ilusão de que as massas dispunham-se a respaldá-lo acima e além dos comícios e da retórica fácil. Acrescente-se a frágil concepção de que, por estar exercendo legitimamente o poder, contaria com a anuência das estruturas que buscava modificar e reformar. A favor delas, deixando as coisas como estavam, obteria sucesso, o que seria uma incongruência para quem pretendia passar à História como um reformador igual ao seu mestre, Getúlio Vargas.
Demonstrou-se, nos eventos de 31 de março e de 1o de abril, a precariedade do poder formal. O “esquema militar monolítico” que defenderia a legalidade só existia na cabeça dos áulicos palacianos. Quando precisou das Forças Armadas para garantir-lhe o direito de continuar governando, João Goulart percebeu havê-las perdido por inteiro. Parte foi porque admitiu “reformá-las”, prestigiando tentativas de quebra de hierarquia. Parte por conta da formidável movimentação das elites econômico-financeiras infensas a perder privilégios. Nesse aspecto, a mídia exerceu papel fundamental, inoculando na opinião civil e militar o germe da insegurança.
Organizada, com fartura de dólares e de pensadores, a direita dispunha de um objetivo claro: impedir quaisquer reformas capazes de arranhar-lhe os benefícios, mesmo que para isso se tornasse necessário desestabilizar, primeiro, e depor, em última instância, um governo constituído.
Já as esquerdas… As esquerdas dividiam-se entre a euforia inconsequente da suposição de que já tinham conquistado o poder e alterado estruturas ainda imutáveis, de um lado, e, de outro, as eternas desavenças entre seus diversos grupos inconciliáveis. No meio delas, mesmo percebendo que a reação se avolumava, achava-se um presidente cuja única saída acabou sendo a fuga para a frente. O diabo é que diante dele não se descortinava a avenida das reformas sociais, mas o precipício do retrocesso e do caos institucional.
É claro que as teorias cedem sempre, quando surgem os fatos. A dúvida dominava os dois lados. Os conspiradores ignoravam a facilidade com que o governo se dissolveria. Estavam preparados para a guerra civil, capaz de levar meses. Por isso, não se animavam ao primeiro gesto ostensivo. Precisou um general meio doido botar precipitadamente suas tropas na rua, em Juiz de Fora, mesmo sem saber se seria esmagado em poucas horas. Do Rio, os principais chefes da conspiração tentaram demovê-lo, exigindo que voltasse com os poucos tanques e canhões postos na estrada União e Indústria.
Mourão Filho reagiu, não faltando em sua negativa as quixotescas afirmações que ali estava para “vencer ou morrer”. Não morreu, senão anos depois, de doença e de desânimo, porque quem venceu foram os outros. Numa questão de horas mudaram de lado as tropas ditas legalistas que subiram a Serra de Petrópolis para barrar a progressão dos revoltosos mineiros. Em São Paulo, no Nordeste, no resto do país, a mesma coisa. (Continua amanhã)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Recordar é viver: Toffoli se comprometeu a consultar os outros ministros sobre sua suspeição em casos ligados ao PT

Carlos Newton
Por sugestão do comentarista Marcelo Mafra, vamos reproduzir exatamente o compromisso assumido por Dias Tofolli quando foi sabatinado no Senado e teve aprovada sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal.
Em sua mensagem ao Blog da Tribuna, o comentarista Marcelo Mafra destaca a importância de o procurador-geral da República atuar com firmeza para levantar a suspeição de Toffoli, pois o seu padrinho direto, o ex-presidente Lula, por ocasião da divulgação das conversas do encontro com Jobim e Gilmar, dissera que já havia dito a Toffoli que ele tinha que participar do julgamento do Mensalão. “Então, Lula já deu as ordens e as coordenadas do que Toffoli deverá fazer”, diz Mafra.
Pois bem. vamos relembrar que, em sua sabatina no Senado, Toffoli afirmou ainda que considerava “coisa do passado” seu trabalho em defesa do presidente Lula e do PT. “O fato de ter atuado em ações eleitorais para o presidente da República é algo do passado. Isso não faz mais parte da minha vida. Não nego minha história, mas no momento que fui para Advocacia-Geral da União já deixei isso para trás”, alegou.
Toffoli afirmou que se declararia impedido de julgar a legalidade das cotas raciais por já ter se manifestado sobre o tema enquanto esteve na Advocacia Geral da União. O raciocínio, no entanto, não se estendia ao caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti e a polêmica sobre a possibilidade de excluir torturadores da lei de anistia de 1979. Nestes temas, ele disse que pretende consultar os futuros colegas do Supremo para se posicionar ou não por impedimento.
Maior crítico da indicação dele para ministro do Supremo, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) então ironizou os possíveis impedimentos de Toffoli. “São tantas as questões ligadas a Vossa Excelência que, se Vossa Excelência for se declarar impedido em todas, ficará de férias no Supremo Tribunal Federal”.
Bem, agora só resta aguardar se Toffoli vai cumprir o compromisso de consultar os outros ministros sobre a suspeição? Será que vai cumprir? Claro que não.

sábado, 23 de junho de 2012

Escândalo dos 'aloprados' do PT ainda não foi totalmente esclarecido

Trapaça eleitoral resultou na denúncia contra um grupo de petistas rasos. Apesar das evidências, não se descobriu de onde veio o dinheiro, muito menos quem foi o mandante da operação

Rodrigo Rangel e Otávio Cabral
Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos (Tuca Vieira/ Folhapress; Dida Sampaio/ AE)
dinheiro! que dinheiro?   Surpreendidos pela polícia, os petistas tiveram um ataque de amnésia: esqueceram o nome dos mentores da trama e a origem do dinheiro
Na semana passada, a Justiça Federal abriu processo contra nove envolvidos no escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram presos em São Paulo, às vésperas das eleições de 2006, quando se preparavam para comprar um dossiê fajuto que serviria para enredar políticos do PSDB com a máfia que fraudava licitações no Ministério da Saúde. A decisão sugere que mais uma jogada rasteira de petistas interessados em se perpetuar no poder à base de práticas escusas — entre as quais o mensalão desponta como exemplo mais degradante — será, depois de seis anos, finalmente punida. Ledo engano. Os aloprados levados às barras dos tribunais são militantes de baixo escalão e meros tarefeiros a serviço de próceres do partido. Eles vão responder a um processo manco, que não esclarece duas das principais dúvidas relacionadas ao caso: quem encomendou a trapaça eleitoral e de onde saiu o dinheiro que financiaria a operação. Se essas questões não forem explicadas, restará a certeza de que compensa investir no vergonhoso vale-tudo que impera na política brasileira. Afinal, como castigo, só uma arraia-miúda do PT ficará pelo caminho.
Os aloprados — como foram batizados pelo ex-presidente Lula depois de descobertos pela Polícia Federal — agiram em setembro de 2006 numa tentativa de implicar o tucano José Serra, ex-ministro da Saúde e então candidato ao governo de São Paulo, com a quadrilha que desviava recursos públicos direcionados para a compra de ambulâncias. Os petistas portavam 1,7 milhão de reais para comprar papéis falsos destinados a macular a imagem do tucano. À frente da ação figuravam assessores próximos de Lula e do atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que à época disputavam, respectivamente, a reeleição presidencial e o governo paulista. Essa operação para atingir os adversários foi um dos muitos tiros no pé disparados pelo partido, talvez o mais exemplar deles. Em vez de ajudar o PT, o caso, ao ser revelado, contribuiu para que Lula fosse obrigado a disputar um segundo turno contra Geraldo Alckmin. Já Mercadante foi derrotado por Serra. As urnas foram as únicas penalidades impostas aos dois petistas. O caso, porém, é mais um a reforçar a suspeita de que órgãos de investigação têm sido usados com fins meramente políticos — principalmente para livrar cardeais do PT de embaraços com a Justiça.
A PF concluiu o inquérito sobre o escândalo, ainda em 2006, com o indiciamento de sete pessoas. Não conseguiu apontar os mandantes do crime nem a origem do dinheiro que pagaria o dossiê fajuto. Apesar de sobrarem evidências sobre a participação de integrantes do comitê central de campanha de Lula, o personagem mais graúdo entre os indiciados foi Aloizio Mercadante. Os policiais concluíram que Mercadante seria o principal beneficiário do dossiê, que atingia seu rival direto na eleição de 2006. O indiciamento do petista foi derrubado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. Restaram, então, só os militantes usados pelo partido para transportar a mala com notas de real e dólar e executar o plano. Os cérebros da empreitada ficaram de fora. No auge do episódio, a Polícia Federal foi acusada de montar uma operação limpeza para apagar os indícios que poderiam levar aos petistas graúdos. Coube a um dos delegados que participaram da investigação, Edmilson Bruno, denunciar a trama. Em depoimento ao Ministério Público, ele acusou alguns de seus principais superiores hierárquicos de ter feito pressão para impedir que o caso chegasse ao núcleo da campanha de Lula. Responsável pela apreensão do dinheiro num hotel vizinho ao Aeroporto de Congonhas, o delegado revelou que até o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, tinha se empenhado pessoalmente no caso, indagando se os presos haviam citado o nome do presidente Lula.
Tuca Vieira/ Folhapress; Dida Sampaio/ AE
Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos
Pressão - O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos
A investigação da Polícia Federal deixou mais lacunas que certezas. Seguir o caminho do dinheiro, procedimento básico em investigações desse tipo, foi uma das medidas deixadas de lado. Graças a informações enviadas pelo FBI, a polícia federal americana, os agentes brasileiros souberam que os dólares que faziam parte da dinheirama apreendida foram impressos em Miami, circularam pela Alemanha e foram parar numa casa de câmbio do Rio de Janeiro. Lá, foram comprados por pessoas humildes, os conhecidos laranjas. A investigação parou por aí. Não se conseguiu sequer descobrir a mando de quem estavam esses laranjas. Já a origem dos reais nunca deixou o terreno das hipóteses, embora existissem duas pistas consistentes dentro do próprio inquérito. A primeira é que uma parte do dinheiro foi sacada em três bancos de São Paulo, provavelmente pela mesma pessoa. Essa conclusão foi possível após os agentes perceberem nas planilhas da quebra de sigilo telefônico que um mesmo celular, em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, era usado para falar com vários envolvidos no escândalo. Ana Paula, na verdade, era Hamilton Lacerda, um dos aloprados petistas encarregados de executar a operação (o CPF da verdadeira Ana Paula foi usado pelo bando para habilitar o aparelho). No dia da prisão, Hamilton "Ana Paula" Lacerda teria passado por três bancos diferentes. "Tentamos várias formas de identificar a origem do dinheiro e não conseguimos", justifica-se o delegado federal Diógenes Curado, responsável pela conclusão do inquérito.
A outra suspeita, de que parte do dinheiro tinha origem na Bancoop, cooperativa controlada por grão-petistas e usada em outros rolos financeiros do partido, também foi deixada de lado. Tão logo foi concluído pela PF, o inquérito seguiu para o Ministério Público Federal. Os procuradores poderiam ter solicitado diligências para sanar as deficiências da investigação original, mas os avanços foram pífios. A abertura de processo na semana passada sugere o pleno funcionamento das instituições e alimenta a esperança de punição aos culpados. Na prática, porém, fica a impressão de que, mais uma vez, tudo vai terminar na conta de um bando de inconsequentes — ou aloprados, como preferem alguns.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Desta vez, vamos?

Carlos Chagas
Confirmou o ministro Ricardo Lewandowski para a semana que vem a entrega de seu relatório sobre o mensalão. Como revisor do processo, cabe a ele elaborar a última peça que precederá o julgamento dos 38 réus, pelo Supremo Tribunal Federal. Os demais ministros já se debruçam no trabalho do relator, Joaquim Barbosa, devendo todos utilizar, na parte ou no todo, o recesso de julho para permitir o cumprimento do calendário antes acertado. Em agosto e até a primeira quinzena de setembro terão concluído a tarefa de julgar, absolvendo ou condenando, os supostos participantes de um dos maiores escândalos da República.
Parece inócuo, e até perigoso, alinhar previsões sobre o resultado final. O julgamento será técnico, conforme o presidente do Supremo, Ayres Britto. Seus companheiros decidirão conforme as peças do processo. Como toda decisão da mais alta corte nacional de justiça sempre será política, cada um que tire suas conclusões. Em especial depois que se pronunciarem o Procurador Geral da República, acusando, e os advogados de cada um dos réus, defendendo.
O que se indaga é a respeito das penas, se vierem a ser aplicadas: multas? Prestação de serviço civil? Cadeia?
Essas dúvidas devem estar atormentando os denunciados tanto quanto a punição suplementar e inexorável, que será a suspensão dos direitos políticos de quem for condenado, por oito anos. Estaria encerrada a carreira política de quantos se encontram em seu exercício, assim como dos que imaginam retomá-la.
###
PERSEGUIÇÃO
Insurge-se a embaixadora do Brasil na Suécia, Leda Martins Camargo, contra acusações de tratar mal os funcionários da embaixada através de atos de humilhação, sarcasmo e impropérios. A embaixadora pediu ao Itamaraty a abertura de sindicância a respeito, referindo-se ao documento de apoio que recebeu dos servidores sob seu comando. Dentro de poucos dias o chanceler Antônio Patriota estará em viagem oficial à Suécia, contando a embaixadora com toda a sua solidariedade.
###
NÃO FAZEM FALTA
Faltaram à reunião da Rio+20 os presidentes dos Estados Unidos, Rússia e China, além dos primeiros-ministros da Alemanha, Inglaterra e Itália. Nada tinham a oferecer em matéria de iniciativas à defesa do ambientalismo e por isso não fazem falta. A América Latina está presente, cabendo aos países em desenvolvimento suprir a ausência de muitos ricos desinteressados em preservar o planeta.
###
BONS CONSELHOS
Com todo cuidado e respeito, amigos do ex-presidente Lula unem-se aos médicos para recomendar-lhe uma temporada de repouso, destinada a recuperar por inteiro a saúde e, ao mesmo tempo, poupá-lo de desgastes políticos. As recentes incursões do Lula nas eleições municipais tem sido contraprodutivas em matéria de resultados. Caso ele atenda aos apelos e conselhos, será melhor para todos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Estadão relembra alianças políticas e eleitorais controversas envolvendo o ex-presidente Lula

O Estadão fez uma interessante pesquisa para mostrar que a aliança entre o PP de Paulo Maluf e o PT de Fernando Haddad na corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, anunciada segunda-feiracom a bênção do ex-presidente Lula, não é propriamente uma novidade na democracia brasileira.
No seu mandato de presidente, entre 2003 e 2010, Lula demonstrou invulgar desenvoltura para se aliar a antigos inimigos políticos, como os ex-presidentes Fernando Collor de Mello, José Sarney e Eduardo Paes.
###
SARNEY E LULA
Lembra o Estado de S. Paulo que, durante seu mandato de presidente da República, de 1985 a 1990, José Sarney foi alvo constante do então deputado federal Lula. Em 22 de julho de 1986, durante comício em Caçapava (SP), Lula atacou:
“Sarney não vai fazer reforma agrária coisa nenhuma, porque ele é grileiro no Estado do Maranhão e não vai querer entregar as terras que tomou dos posseiros”, disse. Em 28 de junho de 1989, Lula voltou à carga: “Sarney no início foi endeusado. Hoje, não querem o Sarney nem para chaveirinho”.
A relação entre ambos mudou a partir da eleição de Lula à presidência, que contou com o apoio expressivo do PMDB para governar. Durante a crise dos atos secretos do Senado e a revelação de nomeações sigilosas de parentes de Sarney para cargos públicos, Lula saiu em defesa do novo aliado:
“Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada. Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”, afirmou em 17 de junho de 2009.
###
COLLOR E LULA
No segundo semestre de 1989, durante a disputa à presidência, Collor protagonizou uma dura campanha contra Lula e recorreu inclusive à exploração da vida pessoal do petista. Na reta final das eleições, a coligação de Collor veiculou depoimento da enfermeira Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, acusando-o de ter pedido que ela abortasse uma gravidez e revelando ao público uma das filhas do ex-presidente, Lurian Cordeiro Lula da Silva. Na mesma campanha, Collor afirmou que o PT era um partido “assassino e violento”.
Dezessete anos depois, em setembro de 2006, Collor, então candidato ao Senado Federal, gravou programa eleitoral declarando apoio à reeleição de Lula à presidência. “Lula conhece bem as raízes do nosso povo, as carências e tem agido rápido no sentido de resolver os problemas do Nordeste”, disse Collor, para ao final declarar: “Vou votar na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque ele é um nordestino”.
No mês seguinte, com sua campanha a pleno vapor, Lula retribuiu o afago. “Com a experiência que ele (Collor) tem de presidente da República, certamente poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado”, disse durante coletiva de imprensa.
###
LULA E PAES
O Estadão esqueceu de citar outras novas amizades de Lula. Um dos aliados que eram ferrenhos inimigos é o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, que na época em que era deputado federal pelo PSDB não poupava o então presidente Lula.
Mas quando Eduardo Paes entrou para o PMDB e se candidatou a prefeito, o próprio Lula costurou com o governador Sergio Cabral o acordo político que garantiu a eleição do novo aliado, com apoio total do PT. Agora, o acordo se repete, com Lula impedindo que o PT lance candidato próprio à prefeitura do Rio.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Verdadeiro Samba do Crioulo Doido

Vejam nas frases destes dois bandidos. Eles são ladrões e aqui está uma das infinitas provas. São frases de si próprios. Hoje, por conveniência de malandros, e para enrrolar os parvos, estão juntos. E, você vai votar nestes bandidos? Então tu também é salafra. Quem vota em bandido sabendo que ele é bandido, ou fazendo "vista grossa", então bandido é:

Veja o que saiu na internet:

Frases do passado revelam antagonismo entre Lula e Maluf
Por O Globo (pais.online@oglobo.com.br) | Agência O Globo – 17 horas atrásShare2EmailImprimir

Maluf recebe em sua casa o pré-candidato do PT à Prefeitura de SP, Fernando Haddad, e Lula (Foto: Adriana Spaca/Brazil …A polêmica foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertando a mão do deputado Paulo Maluf, para selar o apoio do PP ao candidato Fernando Haddad, não representa a história da relação política entre os dois.

Leia também:
Paulo Maluf e Daniel Dantas estão no mapa da corrupção mundial
Wagner atribui à convivência democrática apoio de Maluf
Para Maia, aliança entre PT e Maluf 'é natural'
Erundina descarta recuar de chapa com Haddad
Sem Maluf, Serra busca 'tempo de TV' do PTB

Maluf e Lula já trocaram muitas farpas, incluindo acusações e ofensas, não só em anos eleitorais como também em momentos históricos da política (como nas Diretas Já) e nas polêmicas registradas em seus pleitos.

Confira algumas declarações acintosas:

- "Se o civil tiver que ser o Paulo Maluf, eu prefiro que seja um general".

Luís Inácio Lula da Silva, durante a eleição presidencial de 1984.

- "O problema do Brasil não está no deputado Paulo Maluf, mas sim nos milhares de 'malufs'".

Luís Inácio Lula da Silva, em 1986

- "Faz 15 anos que Lula não está no torno, que não conta como vive, quem paga seu salário".

Paulo Maluf, quando era prefeito de São Paulo, em 1993.

- "Quem votar em Lula vai cometer suicídio administrativo".

Paulo Maluf, quando era candidato a presidente em 1993.

- "A impressão que se tem é que Cristo criou a terra, e Maluf fez São Paulo".

Luiz Inácio Lula da Silva, em 1996, sobre as propagandas das obras feitas pelo Maluf em SP.

- "O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente".

Luis Inácio Lula da Silva ( presidente do PT ), no Comício das Diretas Já, na Praça da Sé, em 1984.

- "Perto do Lula e do Fernando Henrique Cardoso, eu me considero comunista".

Paulo Maluf, em crítica ao governo federal, em 2007.

- "Declaração infeliz do presidente. Ele não está a par do problema, e se ele quiser realmente começar a prender os culpados comece por Brasília. Tenho certeza de que o número de presos dá a volta no quarteirão, e a maioria é do partido dele, do PT".

Paulo Maluf (ex-prefeito), em 2005, sobre as declarações de Lula a respeito de sua prisão.

- "Se o Maluf é pescador, ele sabe que pegar lambarizinho é muito mais fácil que pegar peixe graúdo".

Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, em 2003, ao falar sobre o combate ao crime organizado em São Paulo.
·

terça-feira, 19 de junho de 2012

Lula, é claro, soma votos para Haddad, mas Maluf subtrai

Pedro do Coutto
Analisando-se objetivamente os resultados da pesquisa do Datafolha em torno das eleições para prefeitura de São Paulo, publicada pela Folha de São Paulo de segunda-feira, manchete principal da edição, verifica-se que, de um lado, é claro, o ex-presidente Lula acrescentou intenções de voto em Fernando Haddad. Mas de outro, o simples anúncio de que Paulo Maluf formaria ao lado do PT no rumo das urnas de outubro reduziu o efeito pleno do apoio. É o que, a primeira vista, pode-se deduzir dos números. O levantamento foi bem comentado na reportagem de Vagynaldo Marinheiro.
Ele chamou atenção para uma tendência do eleitorado em acompanhar o posicionamento do ex-presidente da República. Esta inclinação era de 44% em março. Agora, em junho, semana passada, quando foi concluído o trabalho do Datafolha, desceu para 39 pontos.A única explicação é a entrada de Paulo Maluf no palco movimentando-se sob a bandeira tradicionalmente Vermelha do PT.
O apoio não se coaduna com a história nem de um, nem de outro. Lula e Maluf são adversários eternos. A ideologia, ou o que resta dela na versão de 2012, os separa. O apoio do ex-prefeito, negociado à base de uma secretaria no Ministério das Cidades, retira mais votos de Haddad do que acrescenta. Aliás não acrescenta nada. Esta a verdade.
Não se pode interpretar a dança dos números de outra maneira. Que mais poderia amortecer a investida de Lula por seu candidato? Luis Inácio da Silva, capaz de adicionar 10 pontos ao ex-ministro da Educação, somou apenas 5 degraus. Muito pouco. Principalmente da parte de quem levou Dilma Rousseff à vitória, em 2010, por 56 a 44%, segundo turno contra Serra.
José Serra, na disputa pela Prefeitura da capital de São Paulo, estava com 30% das intenções de voto em março e, agora , junho, permanece no mesmo patamar. Tem uma rejeição de 32 pontos, mas aparentemente, ao longo da campanha, não vai subir ou descer. Com isso, ele assegura o visto no passaporte para o segundo turno. Mas quem será seu adversário no desfecho final de 28 de outubro? Aliás a única dúvida da sucessão municipal. Serra enfrentará Celso Russomano, do PRP, ou Fernando Haddad, do PT?
Parece lógica a alternativa. Pois em março e junho, enquanto Haddad subiu 5 pontos, Russomano evoluiu 2%. São impulsos ascendentes, como se constata. E tendências são marcantes em pesquisas eleitorais. Quem desce revela não estar no páreo. É o caso de Paulo Pereira da Silva, que recuou de 8 para 5. De Netinho de Paula, que desceu de 8 para 7. De Gabriel Chalita que recuou de7 para 6.
Soninha, do PPS, ao contrário, avançou de 7 para 8. Mas encontra-se muito longe. Difícil descontar a diferença que a separa principalmente de Russomano, embora esteja empatada com Fernando Haddad. É preciso considerar porém, que Lula vai aparecer intensamente no horário de propaganda eleitoral e sua atuação vai produzir um efeito, sem dúvida alguma, maior do que o que conseguiu até a semana passada.
Soninha não possui peso, tampouco vôo próprio, para poder se confrontar com o ex-presidente da República na tela mágica, espécie de corredor de cristal para a hora do voto na urna. O Datafolha achou uma parcela de 12% reunindo os indecisos e os que não votam em qualquer dos candidatos. Minha longa experiência em matéria de povo e voto, título de um livro meu, me conduz à certeza de que, no máximo, esses 12 pontos caem para 7%. Portanto, nessa faixa, a disponibilidade é apenas de 5 pontos.
Este o panorama geral de hoje. Russomano ou Haddad, o adversário de Serra? Se valesse a força de Lula, seria o ex-ministro da Educação. Mas acontece que a vice Luiza Erundina, sua companheira de chapa, reage negativamente à figura de Maluf na jornada eleitoral. Numa divisão assim, fica difícil. Para o PT.

As provas contra Cachoeira são lícitas

Marcelo Mafra
Em relação à decisão de mandar libertar Cachoeira da prisão, falta dizer que o réu deveria pedir uma pizza para o desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo matéria publicada pelo Globo, no sábado, esse desembargador tem se destacado bastante por conceder benefícios a juízes investigados por desvio de conduta, o que já torna suas atitudes estranhas.
No caso de Cachoeira, segundo o desembargador Tourinho, não teria havido fundamentação suficiente para permitir, pelo juiz de 1ª instância, a autorização para a realização de escutas telefônicas. A impressão que fica é a de que o objetivo principal é apenas o de “melar” tudo, com a grande ajuda desse desembargador.
Como ficaria muito difícil desconsiderar as diversas provas obtidas pela Polícia Federal, parte-se para a estratégia de tentar cortar a gigantesca árvore de provas pela sua raiz. Ou seja, querem invalidar o instrumento que permitiu que ela – a árvore de provas – pudesse crescer, matando-a no seu nascedouro.
O que está indicado na Constituição, no inciso LVI do art. 5º, em relação às provas, é apenas que elas são inadmissíveis, no processo, se tiverem sido obtidas por “meios ilícitos”. O entendimento subjetivo e particular do desembargador de que a argumentação do juiz de 1ª instância não estaria tão bem fundamentada não faz com que as provas dos crimes passem, agora, a terem sido transformadas em “obtidas por meios ilícitos” pela Polícia Federal, pois se não fosse assim, então os policiais federais, que as obtiveram, também teriam que passar a responder por terem-nas obtido por meios ilícitos, e não foi o que aconteceu.

domingo, 17 de junho de 2012

Faz sucesso na internet um artigo de Alexandre Garcia sobre a bolha da economia brasileira

Alexandre Garcia
Não sei se torço para que seja verdade ou para que seja engano…  O Rei Juan Carlos esteve com a presidente Dilma. Fico imaginando a chefe de estado do Brasil a dizer ao chefe de estado da Espanha: “Eu sou você, amanhã”, tal como na propaganda de vodka.
Não é difícil chegar a essa conclusão. A crise na Espanha começou quando se decidiu que a expansão imobiliária seria uma solução maravilhosa para o crescimento do país: criaria emprego na construção civil ao mesmo tempo em que resolveria do problema da habitação.
Empregou-se muita gente e estrangeiros começaram a chegar aos milhares para atender à demanda de mão-de-obra. Tijolo e concreto se tornaram sinônimos de riqueza. Áreas verdes foram cobertas por construções, assim como o cinturão verde de muitas cidades.
Em poucos anos, o preço do metro quadrado disparou e o boom da construção atraiu especuladores. O metro quadrado da habitação subiu, mas os salários não. Os bancos, para manter a roda circulando, baixaram exigências para financiamentos, não se importando com a renda do financiado nem com as garantias.
Imaginaram que se o imóvel estava se valorizando tanto, se o devedor não pudesse pagar, venderia o imóvel por mais preço e ainda sobraria dinheiro. E ofereceram crédito para comprar casa, carro, móveis, eletrodomésticos, viagens… A dívida se tornou fator de crescimento.
Mas aí, estourou a bolha dos Estados Unidos. Os espanhóis se retraíram, o consumo caiu, vieram as demissões e se descobriu que o país se sustentava tirando do futuro; nunca houve realmente riqueza nem subida na escala social.
Você que me lê, e percebe as semelhanças, bata na madeira para torcer que por aqui não aconteça o mesmo. Os sinais são alarmantes: o PIB brasileiro do primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, aumentou apenas dois décimos por cento(0,2%). A inflação vai crescer o dobro do PIB neste ano.
Na Veja , a excelente Lya Luft chama de “ilusão” o que está acontecendo no Brasil. Ela mostra como também estamos sacando do futuro. “Palavras de ordem nos impelem a comprar, autoridades nos pedem para consumir, somos convocados a adquirir o supérfluo, até danoso, como botar mais carros em nossas ruas atravancadas ou em nossas péssimas estradas…Estamos enforcados em dívidas impagáveis, mas nos convidam a gastar ainda mais, de maneira impiedosa, até cruel.”- escreveu ela. Nossa bolha está inchada.
E é de sabão.

sábado, 16 de junho de 2012

Sinfonia em Paris: CPI colide a rota de Dilma Rousseff

Pedro do Coutto
O deputado Miro Teixeira, que vem desenvolvendo uma atuação política excelente, apontou com nitidez a contradição total da maioria governista na CPI do Congresso instalada para identificar até onde se estende (ou estendia) a rede de influência de Carlos Ramos Cachoeira.
De um lado, o Palácio do Planalto, através do ministro chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, declara a Delta inidônea. Mas de outro, a base parlamentar do próprio governo bloqueia a convocação do empresário Fernando Cavendish. Este, na sinfonia em Paris que compôs, reuniu-se com vários parlamentares, entre estes o senador Ciro Nogueira e o deputado Maurício Quintela Lessa. Os dois integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. O bloco majoritário colocou-se acima da vontade da presidente Dilma Rousseff. Não pode haver outra interpretação. Das duas, uma.
O Globo de sexta-feira editou magnífica reportagem sobre a reunião da véspera da CPI, assinada por Chico de Góis e Demétrio Weber. Fotos de Ailton de Freitas e André Coelho. Na Folha de São Paulo a reportagem foi de Andreza Matais e Erich Decat.
O título do meu artigo – claro – é inspirado no grande musical de Vicente Minelli, com Gene Kelly e Leslie Caron nos papeis principais. Filme de grande sucesso do início da década de 50. Obra inesquecível pelo uso da cor e estética dos números dançados.
Miro Teixeira referiu-ser em seu pronunciamento a um almoço ou jantar promovido por Cavendish em Paris, num restaurante do Triângulo de Ouro. Pena que os fotógrafos Ailton de Freitas e André Coelho não tenham estado lá nesse encontro de encantamento. Teriam produzido material visual de alto nível porque Paris é sempre uma festa. Cidade que fascina por sua beleza, arte e atmosfera. Mas este é outro ângulo da questão: o cenário.
Do cenário passamos para a trama. Mais um apontamento inadequado de Fernando Cavendish com autoridades públicas. Não pega bem. Surge sempre a sombra da suspeita, fundada ou não, mas sempre uma dúvida em torno do comportamento humano e dos assuntos tratados. A dúvida emerge reforçada no palco dos acontecimentos sobretudo diante do temor e do fervor com que o deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo, combateu a convocação e a acusação de Miro Teixeira, aliás ex-ministro do primeiro governo de Lula.
Qual a razão do medo? Não se atina qual seja. Principalmente porque a CPI não se encontra, a rigor, investigando Carlos Cachoeira ou Fernando Cavendish. As investigações já foram feitas pela Polícia Federal.
Assim, a CPI do Congresso está, na verdade, confirmando os levantamentos da PF, órgão subordinado ao ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, portanto integrante da equipe de Dilma Rousseff. Na sequência, segundo plano, tentando iluminar a profundidade das ações desenvolvidas em conjunto pelos personagens, estendendo-se às obras da Delta. Contratos muito confusos. Tão confusos que o ministro Jorge Hage, com base neles, declarou a inidoneidade da empresa hoje aparentemente sem proprietários.
Ia ser vendida à JF Friboi, de cujo capital o BNDES participa. Porém a operação foi cancelada depois de articulada. Cancelada, provavelmente, por determinação da própria presidente da República.
A sinfonia em Paris da Delta ainda vai produzir alguns capítulos em série. Possui todos os ingredientes para isso. Principalmente a partir de agora, quando a liderança de Dilma Rousseff no Parlamento desafina e sai fora do tom do Palácio do Planalto. Não é provável que o ministro Jorge Hage venha a recuar do ato que excluiu a Delta pelo menos de novos contratos públicos. Confirmada a hipótese, como ficará Vaccarezza?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A greve nas universidades federais.

Simon Schwartzman
A greve das universidades federais não é um evento isolado, mas parte de um processo que, infelizmente, tem tudo para acabar mal. Para entender, é importante lembrar que, diferentemente da maioria dos outros países da América Latina, o Brasil nunca teve grandes universidades nacionais abertas para todos que concluem o ensino médio, e optou, desde o início, por universidades seletivas, abrindo espaço para o crescimento cada vez maior do ensino superior privado, que, com seus cursos noturnos, de baixo custo e sem vestibulares difíceis, acabou atendendo à grande demanda por ensino superior de pessoas mais pobres e sem condições passar nos vestibulares e estudar de dia, que o setor público não atendia. Hoje, apesar do esforço do governo federal em aumentar a matrícula em suas universidades, 75% dos estudantes estão do setor privado.
Com um setor público pequeno e seletivo, as universidades brasileiras conseguiram criar um corpo de professores de tempo integral e dedicação exclusiva, desenvolver a pós-graduação e criar muitos cursos de qualidade, coisas que quase nenhum outro país da região conseguiu. Mas, como parte do serviço público, elas possuem um sistema homogêneo de contratos de trabalho, regras e promoção de professores e programas de ensino que não tomam em conta o fato de que elas são, na verdade, muito diferentes entre si.
Algumas têm programas de qualidade de graduação e pós-graduação em áreas dispendiosas como engenharia e medicina e fazem pesquisas relevantes, enquanto outras simplesmente copiam os modelos organizacionais, as regras de funcionamento e os custos das primeiras, com muito pouco de sua cultura institucional e conteúdos.
Com a generalização dos contratos de tempo integral e a estabilidade dos professores, os custos subiram, sem mecanismos para controlar a qualidade e o uso adequado de recursos, que variam imensamente de um lugar para outro, independentemente de resultados.
Na década de 90, com Paulo Renato de Souza como Ministro da Educação, houve algumas tentativas de colocar esta situação sob controle, introduzindo um sistema de avaliação de resultados (o provão), vinculando parte do salário dos professores ao número de aulas dadas, e tentando introduzir legislação dando às universidades autonomia não somente para gastar, mas também para assumir a responsabilidade pelo uso eficiente dos recursos públicos através de orçamentos globais, e tentando fazer valer a prerrogativa do governo federal de escolher reitores a partir das listas tríplices selecionadas pelas universidades.
Estas políticas encontraram grande resistência, os orçamentos globais nunca foram instituídos, o “provão” na prática só afetou alguns segmentos do setor privado, e o conflito entre as universidades e o governo no episódio da nomeação do reitor da UFRJ, em um tempo em que os salários não aumentavam, mobilizou grande parte dos professores, alunos e administradores das universidades federais contra o Ministério da Educação e o governo Fernando Henrique Cardoso.
Nos primeiros anos do governo Lula as relações das universidades federais com o governo passaram por um período de lua de mel: tudo era concedido, e nada era cobrado. A gratificação de docência foi incorporada aos salários, que passaram a crescer graças à melhora da economia e do aumento geral dos gastos públicos; o “provão” foi substituído por um pretencioso sistema de avaliação, o SINAES, que demorou em se organizar e continuou sem afetar as instituições federais; e a nomeação dos reitores eleitos internamente pelas universidades se transformou em regra.
Para atender à demanda crescente por educação superior, o governo comprou vagas no setor privado com o Prouni, em troca de isenção de impostos, aumentando cada vez mais a proporção de estudantes no setor privado. Ao mesmo tempo, o governo iniciava uma política de expansão do acesso às instituições federais, primeiro com a introdução de cotas raciais e sociais, depois com a criação de novas instituições e a abertura de novas sedes das universidades existentes, e finalmente com o programa Reuni, que, em troca de mais recursos, exigiu que as universidades federais praticamente duplicassem o número de vagas abrindo novos cursos, sobretudo noturnos, e aumentassem o número de aulas dadas por professor.
Ao mesmo tempo, os antigos centros federais de educação tecnológica, os CEFETs, foram transformados em Institutos Federais de Tecnologia e equiparados às universidades em termos de custos e prerrogativas. Segundo dados do INEP, o gasto por aluno do governo federal passou de 9 mil reais ao ano em 2001 para 18 mil em 2010, acompanhando a inflação. Como o número de alunos do sistema federal duplicou nestes dez anos, devendo estar hoje em cerca de um milhão, os custos do sistema aumentaram na mesma proporção em termos reais, embora o número de formados tenha aumentado pouco. Só o programa Reuni custou 4 bilhões de reais, metade para investimentos e outra metade que passou a se incorporar ao orçamento das universidades federais.
###
SEM PLANEJAMENTO
Esta política de expansão acelerada não obedeceu a nenhum plano ou avaliação cuidadosa sobre prioridades, abrindo instituições aonde não havia demanda, admitindo alunos antes de existirem os edifícios e instalações adequadas, forçando as universidades a criar cursos noturnos e contratar mais professores mesmo quando não haviam candidatos qualificados, e sobretudo sem preparar as universidades para lidar com alunos que chegavam do ensino médio cada vez menos preparados.
Ao mesmo tempo, a necessidade de contenção de gastos do governo Dilma tornou impossível atender às expectativas de aumento salarial dos professores, gerando um clima generalizado de insatisfação revelado pela greve.
É possível que a greve leve a algumas concessões salariais por parte do governo federal, como costuma acontecer, mas o efeito mais visível deste tipo de movimento é o de prejudicar os estudantes e professores mais comprometidos com o estudo e pesquisa, levando à desmoralização das instituições, sem que as questões de fundo sejam tocadas.
A principal questão de fundo é a impossibilidade de o setor público continuar se expandindo e aumentando seus custos sem modificar profundamente seus objetivos e formas de atuação, diferenciando as instituições dedicadas à pesquisa, à pós-graduação e ao ensino superior de alta qualidade, que são necessariamente mais caras e centradas em sistema de mérito, das instituições dedicadas ao ensino de massas em carreiras menos exigentes, que é onde o setor privado atua com custos muito menores e qualidade pelo menos equivalente.
Esta é uma tese que provoca enorme reação nas instituições federais e os sindicatos docentes, que querem sempre continuar iguais e niveladas por cima em seus direitos, embora esta nivelação não exista em relação aos resultados. Mas a conta, simplesmente, não fecha.
Uma diferenciação efetiva exigiria limitar os contratos de trabalho de tempo integral e dedicação exclusiva às instituições que consigam demonstrar excelência em pesquisa, pós-graduação e formação profissional; introduzir novas tecnologias de ensino de massas e à distancia, aumentando fortemente o número de alunos por professor; e criar mecanismos efetivos que estimulem as instituições a definir seus objetivos, trabalhar para eles, e receber recursos na proporção de seus resultados.
Um exemplo do que poderia ser feito é o processo de Bologna que está ocorrendo na Europa, que cria um primeiro estágio de educação de superior de massas de três anos, com muitas opções, e depois as instituições se especializam em oferecer cursos avançados de tipo profissional e científico conforme sua vocação e competência. É necessário, também, criar condições e estimular as instituições federais a buscar recursos próprios, inclusive cobrando anuidades dos alunos que podem pagar. Esta diferenciação exigiria que as universidades federais fossem muito mais autônomas e responsaveis pelos seus resultados do que são hoje, sobretudo na gestão de seus recursos humanos e financeiros, o que se torna impraticável quando os salários dos professores são negociados diretamente entre os sindicatos e o Ministério da Educação e as tentativas de diferenciar benefícios e financiamento em função do desempenho são sistematicamente combatidas.
Se nada disto for feito, o mais provável é que as universidades federais continuem a se esgarçar, com greves sucessivas e piora nas condições de trabalho dos professores e de estudo para os alunos, abrindo espaço para que o setor privado ocupe cada vez mais o segmento de educação superior de qualidade, como ocorreu no passado com o ensino médio.
(artigo enviado por Mário Assis)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CPI: um futebol sem bola

Carlos Chagas
Querem saber onde vai dar a CPI do Cachoeira? Salvo milagre, em lugar nenhum. Menos porque a toda CPI carece o poder de punir, ainda que possa investigar, divulgar e encaminhar conclusões ao Ministério Público. Mais porque a atual, do Cachoeira, transformou-se em palco para conflitos e confrontos entre o PT e o PSDB, sob as vistas plácidas do PMDB.
O que se tenta, no correr dos trabalhos, é demonstrar qual partido envolveu-se mais nos negócios escusos do bicheiro. Além, é claro, da tentativa dos tucanos de trazer o mensalão para o centro das discussões, despertando a reação dos petistas.
O foco das reuniões seria revelar as lambanças da quadrilha chefiada pelo bandido, em especial suas ligações espúrias com parlamentares, empreiteiras e governos estaduais e federal. Verificar se funcionaram nas tramóias funcionários e até governadores deste ou daquele partido, seria uma conseqüência.
Sendo assim, para começar, estão saindo chamuscados os governadores de Goiás, ontem, e do Distrito Federal, possivelmente hoje. Talvez sobre para servidores federais, da mesma forma como vem sobrando para empresários e parlamentares que foram sócios ou testas-de-ferro do Cachoeira. O problema é que ele só prestará contas à Justiça, como sempre lerda e plena de válvulas de escape para qualquer réu, ainda mais aqueles capazes de contratar advogados de capacidade excepcional.
Com respeito ao mensalão, a CPI transformou-se em mais um palco subsidiário do Supremo Tribunal Federal. Marconi Perillo atribui a blitz a que o submetem ao fato de haver sido o primeiro a denunciar o escândalo. No caso, de viva voz ao então presidente Lula, que nada fez para apurar e interromper a denúncia.
O PT integrou-se à argumentação do primeiro-companheiro, sobre não ter havido mensalão, mas apenas acertos de caixa para saldar dívidas do caixa 2 das campanhas eleitorais. Como será a mais alta corte nacional de justiça a dirimir a dúvida, bem que a CPI do Cachoeira poderia dispensar discussões a respeito. Mas não dispensa.
Em suma, a situação lembra um jogo de futebol onde os craques se esfalfam em dribles sensacionais, cabeçadas fulminantes, corridas olímpicas e defesas maravilhosas, sob o entusiasmo das arquibancadas lotadas. Só que, de repente, um menininho reclama: “papai, está faltando a bola…”
###
NADA SE CONCRETIZOU…
Na exposição inicial de seu depoimento de ontem o governador Marconi Perillo custou a entrar no assunto que gerou sua presença na CPI do Cachoeira. Perdeu tempo precioso citando Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Leonel Brizola, Juscelino Kubitschek, João Goulart e a própria presidente Dilma Rousseff. Procurou ligar seu passado e sua imagem ao estado e ao povo de Goiás, que referiu como o mais próspero do país.
Quando seu tempo se esgotava e surgiram reclamações do plenário é que abordou as acusações feitas contra ele. Disse que jamais manteve relações de proximidade com Carlinhos Cachoeira, a quem rotulou de empresário e acusou a imprensa de ilegal e imoral inversão do princípio de caber ao acusador os ônus da prova das acusações.
Só depois enfatizou a inexistência de qualquer ato do seu governo concretizado em função de planos e manobras de Carlinhos Cachoeira. Informou que a Delta dispôs de apenas 4% de contratos em sua administração. Negou que ele ou alguém de seu gabinete tivesse recebido dinheiro em pagamento de uma casa que vendeu, operação realizada com cheques bancários. Elogiou o senador Demóstenes Torres, como de enorme prestígio no estado.
Depois, começou o bombardeio, quando o governador já poderia estar abrigado de muitos petardos de seus adversários, caso houvesse utilizado melhor o seu tempo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Não foi por falta de aviso!

"Como vcs já devem ter percebido, mando msgs de cunho político e, como é de se esperar, sou xingado por uns e aplaudido por outros.
Encaminho as msgs que recebo, sendo que a gde maioria é contra a Dilma e esculachando o PT/Lula (não consigo desvincular um do outro).
Assim, para contribuir com o debate e mostrar que Dilma já deu suas contribuições para o avanço do Brasil, peço:
- fotos dela lutando pela democracia e não pelo comunismo.Tem que existir!!! Por exemplo: uma foto da Dilma nasDiretas Já!
- foto da Dilma em uma passeata pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita!
- foto da Dilma em algum evento pela Constituinte Livre e Soberana!
- foto no Impeachment do Collor.
foto ou vídeo que mostre ela indignada com o Mensalão ou com a história do dinheiro nas cuecas, nas malas, nas meias, etc.
- foto ou vídeo de algum trabalho social de que ela já tenha participado.
- foto ou vídeo em que ela se mostre autenticamente simpática. Aí tem de ser um flagrante... Deve haver!!!

Não podemos ter uma presidente sobre a qual não sabemos absolutamente nada, a não ser o que aqueles que a querem no poder nos contam.
Chega de boatos, de "disse-me-disse".
Queremos fotos!
Notícias de jornal!
Documentos históricos!
Divulgue esta campanha e ajude a acabar com o Apagão Biográfico da Dilma.
O Brasil quer saber mais!
  
Álvaro (ex-petista)"
A voracidade que os maus políticos devoram nossa dignidade é inimaginável. 
Triste Brasil... 
E que venha o vexame mundial da Copa...
Desconheço o autor...

domingo, 10 de junho de 2012

Afinal, por que intervir nos meios de comunicação?

Martim Berto Fuchs
Toda vez que querem de alguma forma interferir nos meios de comunicação, me dá um calafrio. As razões apresentadas podem até ser convincentes, mas de boas intenções o inferno está cheio. Nunca se sabe o que realmente está por trás das ações de políticos sabidamente de viés autoritário e que vêm tentando por todas as formas pautar a mídia.
Este pode ser apenas o primeiro passo. Uma vez vencido, vem o segundo e aí quando acordarmos, se foi o boi com a corda. Estão agindo da mesma forma em outros setores. Lei da Anistia e Código Florestal.
Sempre que dão pressa em assuntos desta natureza, fico desconfiado. Se forem realmente permitir o debate público e depois respeitar as conclusões, vá lá que seja.
Mas mesmo assim, venho observando que os marketeiros do governo estão sempre trazendo assuntos polêmicos à pauta, nos envolvendo em questões não tão prioritárias assim, enquanto os motivos que estão nos levando à estagnação econômica não entram em cena nem são motivos de amplo debate.
Muita fumaça para pouco fogo.

sábado, 9 de junho de 2012

Mensalão: acusação de dirigente do PT para desacreditar Supremo é de suma gravidade

Milton Corrêa da Costa
As recentes declarações do deputado federal André Vargas (PR), secretário nacional de comunicação do PT, numa cristalina tentativa de desacreditar, perante à nação brasileira, a honradez do Supremo Tribunal Federal, em razão do anúncio do julgamento do ‘mensalão’ para agosto, constitui fato de suma gravidade e importa no pronunciamento do órgão máximo do Judiciário, pois coloca em xeque a independência e a soberania da própria Justiça, ferindo a honra de todos os ministros que o compõem.
Como se não bastasse a tentativa (antiética) do ex-presidente Lula visando a empurrar para depois das eleições municipais o julgamento do processo do ‘mensalão’, há mais de 5 anos em tramitação, observem a gravíssima acusação de que foi alvo o STF:
“Já imaginávamos que ia ter pressão, mas não imaginávamos que segmentos do Supremo seriam tão suscetíveis assim. Infelizmente , as ações do Supremo  não são cercadas de austeridade exigida para uma Corte Suprema. Ministro do Supremo não é para ficar sendo aplaudido em restaurante por decisão contra o PT. Nos EUA, eles não podem nem tirar foto, mas aqui tem ministro do Supremo com vocação para pop star”, disse o deputado André Vargas.
Fica o referido parlamentar, caso não apresente provas da gravíssima acusação, sujeito obviamente a processo criminal e cível. Se não há austeridade (severidade, rigor) o STF é uma farsa? É isso que o parlamentar quer dizer?
O Supremo Tribunal Federal, acusado de falta de austeridade, teria perdido então a condição ética para  estrelas do PT, acusadas de crime de peculato, de esquema de propina em dinheiro para corromper parlamentares, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e formação de quadrilha? Estaria colocada em xeque a soberania e a independência da Justiça brasileira?
Foi colocada em xeque, portanto, a honradez e a austeridade da mais alta corte da Justiça brasileira, cujos integrantes não poderão calar-se neste instante, em nome da soberania e da independência do próprio Supremo, além da defesa individual de cada um de seus integrantes.
A sociedade brasileira quer a devida resposta sobre tão grave acusação. E a melhor resposta, sem dúvida, é julgar, o mais breve possível, com a máxima isenção e independência, o mais vergonhoso escândalo da história republicana brasileira. A sociedade brasileira assim o exige.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O PT e o novo programa do partido: insensatez ou desfaçatez

Sandra Starling
Eu estava sem ler jornais e revistas quando foi publicado, na semana passada, o encontro entre Lula, ex-presidente da República, Gilmar Mendes, membro do Supremo Tribunal Federal, e Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça, Defesa e do STF.
Noves fora todas as versões e suas visíveis contradições, podemos afirmar com certeza: houve o encontro e foi tratado o assunto do julgamento do mensalão entre um juiz do caso, um amigo comum e um mais-que-interessado. Não vou entrar no mérito se o primeiro tentou ou não tentou chantagear o segundo.
Inimaginável esse encontro em qualquer lugar onde as instituições tenham um funcionamento minimamente responsável (e respeitável).
No depoimento que deu na Comissão de Ética do Senado Federal, o senador Demóstenes Torres, a certa altura, citou um trecho da música de Ismael Silva “Nem é bom falar”. O trecho que o acusado de memória relembrou foi o primeiro verso: “Nem tudo que se diz se faz…”.
Obviamente, referindo-se à discrepância entre seu comportamento na tribuna, condenando (com razão) toda sorte de atitudes inaceitáveis de quem quer que fosse, e suas agora notórias relações com o criminoso chamado Carlinhos Cachoeira.
Nego-me, conscientemente, a chamar este último de “contraventor” ou de “empresário de jogos eletrônicos” porque já ando farta de ouvir eufemismos neste país em que condutas claramente criminosas passam a ser tratadas pela presidente da República como “malfeitos”.
Mas, voltando ao depoimento do senador e à música que ele relembrou, quero acrescentar que sua memória atuou como filtro da verdade para esconder a terceira estrofe, em que o compositor Ismael Silva assinalou: “Mas esta vida/ não há quem me faça deixar/ Por falares tanto/ a polícia quer saber/ se eu dou meu dinheiro todo a você”. É que o que se investiga, não lá no Conselho de Ética, mas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, é a sua (dele, Demóstenes) participação na rede de atividades legais e ilegais comandadas por Cachoeira.
Enquanto isso, nessa CPMI, trava-se verdadeira batalha entre PT e PMDB (entre si e contra os chamados partidos de oposição), cada um de tudo fazendo para obstruir a descoberta dos desvios de recursos envolvendo governadores, empresas, órgãos governamentais e, inclusive, a menina dos olhos de Dilma Rousseff, o famigerado PAC.
Do nada – pois não se trata de ano eleitoral -, grandes empresas, certamente penalizadas com as dívidas do outrora digno Partido dos Trabalhadores, repassaram mais de R$ 50 milhões para ele. Imagino que essas empresas (todas, diga-se de passagem, donas de obras públicas importantes ou beneficiadas como “empresas vencedoras”, escolhidas pelo BNDES para impulsionar o desenvolvimento nacionalista do capitalismo brasileiro) devem ter acabado por se converterem ao novo programa do partido, isto é, o que esse agora pratica.
Não consegui mesmo optar entre os dois adjetivos. Que o leitor escolha entre insensatez ou desfaçatez para qualificar cada um desses episódios.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Voto secreto cassou Carlos Luz, Café Filho, Collor e Dirceu

Pedro do Coutto
O senador Álvaro Dias iniciou movimento no Congresso para pressionar José Sarney no sentido de que adote o voto aberto no inevitável processo voltado para cassar o mandato parlamentar de Demóstenes Torres. O motivo, é claro, está na desconfiança de que, com o sigilo, apesar das evidências reveladas nas gravações de suas conversas com Carlos Ramos Cachoeira, ele venha a sobreviver e continuar no Parlamento. O temor, a meu ver, não é procedente. Existem vários exemplos históricos de perda de mandatos através do voto secreto. Além do mais, o voto secreto, para qualquer cidadão, está assegurado pelo artigo 14 da Constituição Federal.
Se o princípio assim vale para os eleitores, vale também para o que desempenham mandatos parlamentares. Uma questão, inclusive, de segurança pessoal e que também é lógico – assegura independência. Álvaro Dias não deve temer o desfecho da questão, como está revelado na reportagem de Fernanda Krakovics, O Globo de terça-feira, foto de Ailton de Freitas.
Mas eu me referi a exemplos históricos. Vamos a eles. Em 1955, para assegurar a posse de Juscelino, a Câmara dos Deputados decretou, pelo voto secreto, o impeachment de Carlos Luz e Café Filho, a 11 e 21 de novembro. Pelo voto secreto também – todos se lembram – em setembro de 92 aprovou, por larga maioria, o impeachment de Fernando Collor.
Mais recentemente, em 2005, igualmente por escrutínio secreto, cassou o mandato de José Dirceu e instalou a CPI do Mensalão. Isso de um lado.
De outro, o senador Pedro Taques levanta a tese de que possui direito a revelar seu voto, a favor da perda de mandato de Demóstenes. Essa é outra questão.
Creio que Sarney, na presidência do Congresso, não poderá se opor. Porque, no fundo, o voto secreto é um direito, não uma obrigação. Exemplo mais recente o do presidente Lula. Anunciou seu voto em Dilma Rousseff a todo o país. Não era obrigado a manter segredo. Tampouco nenhum eleitor pode ser obrigado a não declarar seu voto. Pode fazê-lo, porém não por imposição legal. E sim por faculdade que a lei lhe oferece.
A questão é bastante simples. Querer voto aberto – surpreende a intenção de Álvaro Dias – é revelar temor antecipado diante de uma derrota. Não creio que seja o caso na teoria, quanto na prática. Pois se Torres não perder o mandato, o Congresso brasileiro não poderá declarar extinto o man

terça-feira, 5 de junho de 2012

DELTA

Pena que Lacerda não esteja mais aí, para convocá-lo para a CPI
da Delta e ele mostraria que todo o problema é a falta de “Vitamina C” (“Vitamina Caráter”). Governadores, senadores, deputados, empresários, os envolvidos todos tornaram-se discípulos de Lula, o herói sem caráter. Lula é Fernando Pessoa virado ao avesso. Lula acha que tudo vale a pena se a grana não é pequena: o escândalo do Mensalão é mamadeira do PT.
A Delta era uma empresa de picaretas do PAC, aliados ao cassino goiano do Carlinhos Cachoeira. Tornou-se a caixa-forte de golpes financeiros do PT e aliados, para lavar dinheiro publico desviado,
Depois do relatório oficial do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do ministerio da Fazenda, que a insuspeita “Veja”publica esta semana, não há mais o que discutir. O Ministerio Publico Federal e o Supremo Tribunal têm razão : o Mensalão é uma “organização criminosa” do PT, uma “quadrilha liderada por José Dirceu”.
Por isso Lula esta histérico, José Dirceu “apavorado” e todo o partido em pânico com o julgamento. Muita gente vai sair de lá direto para a cadeia.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sugestões de convocados para a Comissão da Verdade. Lembram de Tenório Jr.?

Frederico Mendonça de Oliveira
Embora extemporânea e até por isso mesmo um tanto duvidosa, a iniciativa de criar essa Comissão para ouvir os torturadores de mais de 30 anos atrás pode trazer benfícios, vá. Mas seria importante, já que começaram com isso, convocar para depoimentos o pessoal da Operação Condor, gente como os majores Souza Batista e Batista Vieira e ainda um certo capitão Visconti, que torturaram o pianista Tenório Jr. em Buenos Aires por nove dias na Escola Mecânica da Armada, endereço do horror na capital portenha.
Tenório não era militante, nem sabia discernir esquerda de direita. Preso por conveniência e truculência de agentes videlistas, não havendo motivo qualquer senão um estilo de trajar diverso dos argentinos e o fato de estar parado num local onde se daria um encontro entre dois resistentes, foi torturado e depois morto com um tiro de fuzil FAL desferido pelo então tenente da Marinha Alfredo Astiz, responsável também pela morte de duas freiras francesas.
Responde também por essa barbaridade inominável o então conselheiro diplomático Marcos Henrique Camilo Côrtes, filho do general Menezes Côrtes, deputado udenista na década de 50. O conselheiro engavetou o habeas corpus impetrado por Vinícius de Morais – que fazia dupla com o violonista Toquinho, a quem Tenório acompanhava em turnê – e até esteve com Tenório na ESMA, deixando o pianista entregue à própria sorte embora sabendo tratar-se de um inocente.
Tudo isso está relatado no livro “O Crime contra Tenório – Saga e Martírio de um Gênio do Piano Brasileiro”, de minha autoria, e que jamais encontrou uma editora comercial para publicá-lo desde que ficou pronto, em 1997.
A família do pianista vive sérias dificuldades desde o desaparecimento, em março de 1976. O livro, editado precariamente por uma gráfica sul-mineira e praticamente distribuído apenas para amigos e amigos de amigos, pretendia trazer à tona, mesmo já tardiamente, o crime covarde dos videlistas e revelar a colaboração da turma do SNI brasileiro e de um membro de nossa diplomacia com os golpistas que derrubaram o governo constitucional de Evita Perón.
Lá foi criada, imediatamente após a derrocada da ditadura, uma “comissão da verdade”, em 1985, fazendo sentarem no banco dos réus os militares envolvidos no extermínio de algo em torno de 30 mil opositores ao regime de Videla.
Prosseguirá o silêncio sobre o martítio do pianista e ficarão livres os responsáveis por essa que é a maior chaga na história da música brasileira e possivelmente do mundo?

sábado, 2 de junho de 2012

Tudo acaba na China

Carlos Chagas
Normais não são os tempos atuais. Vivemos período crítico e conturbado com a CPI do Cachoeira, o embate entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, as acusações e a possível cassação do mandato do senador Demóstenes Torres, a perspectiva de julgamento do mensalão e as reuniões iniciais da Comissão da Verdade.
Seria hora de o presidente da Câmara, Marco Maia, e mais oito líderes dos partidos, viajarem para a China? Pois é. Viajaram ontem e lá ficarão por dez dias. Importa menos saber quem está pagando passagens e estadia. Provavelmente o Legislativo, com reforço chinês. O grave nesse turismo inusitado é que se sobrepõe às questões cruciais para a sobrevivência das instituições democráticas. Como sempre, no Congresso, ninguém resiste a uma viagem que não precisa pagar.
No célebre filme “Nunca aos Domingos”, de Jules Dassin, que consagrou Melina Mercuri, a personagem conta sua admiração pelas tragédias gregas porque, depois de tantos horrores, no final os atores davam-se as mãos e iam para a praia. Para ela, os agradecimentos da companhia faziam parte das peças e exprimiam a prevalência dos bons sentimentos da humanidade. Tudo acabava bem. Aqui, tudo acaba na China…
###
QUEM PERMITE É O POVO
Emocionado, o Lula emocionou, na entrevista concedida ao Ratinho, no SBT. Nada haverá a opor à ressalva feita, de que poderá disputar o palácio do Planalto em 2014, caso a presidente Dilma decida não concorrer à reeleição. O estranho foi o complemento: “Não vou permitir que um tucano volte à presidência do Brasil”. Ora, quem permite ou não permite é o povo. O eleitor. Nem se fala do PT, também não consultado.
###
AINDA HÁ ESPERANÇA
No Senado, na tradicional sessão das manhãs de sexta-feira, Pedro Simon confirmou a regra de que pelo menos uma vez por semana o Congresso honra suas tradições. O senador gaúcho apresentou ampla radiografia da impunidade que assola o país, referindo-se aos episódios mais recentes, da CPI do Cachoeira ao embate entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes. Mas concluiu com uma pitada de esperança. Lembrou a participação popular como antídoto para todos os males nacionais: a lei da Ficha Limpa só foi aprovada por conta das milhões de assinaturas em seu favor.
Já o senador Cristóvam Buarque cobrou esclarecimento fundamental para o mais recente entrevero institucional: alguém mentiu a respeito do encontro entre Lula, Gilmar Mendes e Nelson Jobim. É preciso esclarecer e punir.