sexta-feira, 28 de outubro de 2011

LUIZ MENDES, o da palavra fácil (o que me falta agora).

Foi por tuas mãos que fui encaminhado ao Jacy Campos, dando início a uma pequena carreira pelo mundo artístico. Não poderia deixar de lembrar disto. Onde quer que tu estejas, pela minha crença, tu tomarás conhecimento desta despedida, muito simples é verdade, mas sincera. Até já, Luiz Mendes, um grande abraço, deste teu amigo, Roberto Wanderley

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tentar manter o ministro Orlando Silva foi um dos maiores erros do governo Lula Rousseff. Não adiantou nada e aumentou o desgaste, desnecessariamente.


Carlos Newton
A blindagem do ministro do Esporte, Orlando Silva, determinada sexta-feira passada pelo ex-presidente Lula e acatada pela presidente Dilma Rousseff, representou um dos maiores erros de avaliação política dos últimos tempos, por dois motivos: primeiro, porque prejudicou o governo Lula Rouseff interna e externamente, em função da Copa do Mundo; e segundo, porque não adiantou nada e o ministro acabou tendo de ser demitido.
O golpe fatal em Orlando Silva já tinha sido dado pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao abrir inquérito para apurar a participação do ministro nas fraudes do Programa Segundo Tempo, que tinha como objetivo incentivar a prática esportiva entre jovens e crianças.
Como se sabe, a ministra deu dez dias de prazo para que o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União enviem cópias de procedimentos abertos para investigar as irregularidades nos contratos do programa. Além disso, exigiu do Ministério do Esporte cópias de procedimentos abertos para apurar contratos com a Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak), a Associação João Dias de Kung Fu, o Instituto Contato e a ONG Bola pra Frente.
No mesmo despacho, a ministra Carmem Lúcia pediu ao Ministério cópia de todos os convênios firmados no Programa Segundo Tempo, com o nome do responsável, as cifras transferidas e a situação da prestação de contas. Por fim, a relatora também pediu que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) envie ao Supremo o inquérito já aberto contra Orlando Silva e seu antecessor no Ministério, Agnelo Queiroz, que atualmente é governador do Distrito Federal.
De posse dos dois inquéritos, a ministra então poderá examinar se é o caso de unir as apurações num só processo, com sugeriu o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao pedir a abertura do inquérito no Supremo, em ofício enviado sexta-feira passada solicitando investigação contra Agnelo Queiroz e Orlando Silva. O documento de Gurgel tem seis páginas e traz, em anexo, representações, inquéritos policiais e reportagens veiculadas na imprensa sobre o assunto.
“Embora o procurador-geral da República ainda não tenha tido acesso aos autos do referido inquérito (que já tramitava no STJ), os elementos que instruem as representações apontam no sentido de que o Programa Segundo Tempo seria utilizado para desviar recursos para o PCdoB, partido ao qual Orlando Silva é filiado. Agnelo Queiroz foi filiado ao PCdoB até 9 de julho de 2008″, assinalou Gurgel na representação, acrescentando:
“Há fortes indícios de irregularidades na execução do Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, cujos recursos seriam desviados em proveito de integrantes do PCdoB, entre os quais, supostamente, o ministro Orlando Silva e o governador Agnelo Queiroz”.
Como se diz no linguajar da malandragem em relação ao jogo-do-bicho, com as decisões do procurador-geral e da ministra do Supremo, Orlando Silva e Agnelo Queiroz ficaram “cercados pelos sete lados”. A demissão do ministro, portanto, era simples questão de tempo. Deveria ter saído logo. Doeria menos e o governo Lula Rousseff não ficaria sendo desmoralizado, dia após dia.
Quanto ao governador Agnelo Queiroz, vai penar prolongamente e pode sofrer impeachment. Conforme este Blog da Tribuna já publicou há mais de um ano, Queiroz decididamente não é um cidadão acima de qualquer suspeita. Pelo contrário, enriqueceu espetacularmente nos últimos anos, embora fosse um simples funcionário público, antes de assumir o ministério.
De todo o lamentável episódio, resta uma lição para o ex-presidente Lula, que se intrometeu diretamente nos cinco casos de corrupção atingindo ministros: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).
Se Lula não tivesse se metido, sexta-feira passada, mandando Orlando Silva continuar no cargo e o PCdoB resistir à pressão, teria poupado a presidente Dilma Rousseff de mais esse constrangimento. O ministro teria pedido demissão semana passada e o assunto não teria rendido tanto. Mas Lula parece ter perdido o senso de medida e ainda pensa que está na Presidência.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Decisão judicial contra homicida do volante deveria servir de exemplo

Milton Corrêa da Costa
O permanente clamor público contra a impunidade pelos crimes de trânsito no país, onde o ex-jogador de futebol Edmundo, que se envolveu num grave acidente ao sair de uma boate, na zona sul do Rio, em 1995, matando três jovens, foi beneficiado recentemente pela prescrição dos homicídios, começa a dar sinais que possa ter ressonância. Registre-se que algumas decisões, de instâncias judiciais superiores, ainda permanecem na contramão de direção quanto a punibilidade dos criminosos do trânsito.
Vale lembrar que recentemente, uma decisão do STF, transformou uma acusação de homicídio doloso no trânsito para culposo. O argumento vencedor – a decisão não foi por unanimidade – é de que o réu, ao ingerir bebida alcoólica momentos antes do acidente, não o fez com a intenção de matar. Com todo respeito ao notável entendimento jurídico, quem bebe e depois senta-se ao volante de um carro para transformá-lo numa arma mortífera, assume sim o risco do resultado danoso, ainda que não queira o fim trágico. Fica portanto aí configurado o chamado dolo eventual.
Assim é que uma decisão da justiça do Rio do Janeiro, tomada na sexta-feira, 14/10, decretando a prisão preventiva do ex-subscretário estadual de governo Alexandre Felipe Vieira Mendes, que também integrava (pasmem), até fevereiro deste ano, a equipe de coordenação da Operação Lei Seca no estado, embora já tenha sido cancelada em instância superior, deve ser aplaudida por toda a sociedade, vítima em potencial dos assassinos do volante.
Alexandre Felipe, em agosto deste ano, ao sair de uma festividade, no município de Niterói, Região Metropolitana do Rio, dirigindo visivelmente embriagado, segundo uma testemunha, em zigue-zague atropelou quatro pedestres na calçada, inclusive crianças, e em seguida um ciclista que acabou falecendo no hospital momentos em razão de traumatismo cranioencefálico, fato que demonstra a força do impacto e a velocidade com que o veículo era conduzido. O causador da tragédia fugiu do local do acidente sem prestar socorro às vítimas. Após 16 horas apresentou-se à delegacia policia, sendo então submetido – os culpados quando possível agem sempre assim – a exame etílico, que obviamente deu negativo, como era de se supor. Responde agora por homicídio doloso, lesão corporal e omissão de socorro.
Salta aos olhos, neste caso, a exemplar atitude do juiz Peterson Barroso Simão, titular da 3ª Vara Criminal da Comarca de Niterói, ao declarar  que “o Judiciário não pode ser menos rigoroso quando as vítimas são pessoas simples e humildes, pois sabe que o valor da vida humana é igual para todos”. Disse mais o magistrado : “A lei penal poderia ficar comprometida, pois, se houve fuga durante o fato, não há confiabilidade para que não fuja outra vez, frustrando a resposta penal”. Aplausos, aplausos e aplausos ao nobre magistrado pela memorável decisão.
A realidade é que o álcool tem sido a causa de constantes tragédias na barbárie do trânsito brasileiro, como grande componente de um total de cerca de 35 mil mortes/ano, sem falar nos que são incapacitados definitivamente adquirindo graves sequelas. É bom lembrar que o álcool, ao ser ingerido, passa a circular na corrente sanguínea atingindo diretamente o cérebro, onde são processadas as informações necessárias para a condução de um veículo. A partir daí o motorista leva maior tempo para avaliar as diferentes situações que se apresentam no trânsito, tendo seus reflexos prejudicados, surgindo maior dificuldade para tomar atitudes que requeiram reações rápidas e precisas.
Uma matéria publicada recentemente num jornal de grande circulação revelou que na análise de 1.053 processos criminais por embriaguez ao volante, abertos entre março de 2009 e junho deste ano, contra motoristas flagrados em blitzes da Operação Lei Seca no Rio, apenas seis deles acabaram em condenações. Registre-se que o crime previsto no Artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, por direção alcoolizada, se configura quando a dosagem alcoólica do condutor, aferida no teste do bafômetro, é igual ou superior a 0,3 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões ou o equivalente a 6 dg de álcool por litro de sangue.
Acrescente-se que a Lei Seca (Lei Federal 11.705/08), que alterou dispositivos do Código, também admite a prova testemunhal para a configuração do crime e da infração administrativa de dirigir sob a influência de álcool, através do relato dos notórios sinais de ingestão de bebida alcoólica apresentados pelo condutor. Os mecanismos de detecção de dirigir sob o efeito de outras drogas, como o teste da saliva feito em outros países, também precisam ser postos em prática em rodovias e vias urbanas.
Aqui vale lembrar que o ex-deputado estadual do Paraná, Carli Filho, dirigindo bêbado, com a carteira de habilitação suspensa e a 167 km/h, matou dois jovens em maio de 2008 e será submetido brevemente a júri popular acusado de homicídio doloso. Que as brechas da lei, os intermináveis recursos judiciais e a morosidade da justiça não o beneficiem para deixá-lo longe do cárcere. Que tais lamentáveis fato sirvam, portanto, de lição para os que ingerem álcool (em qualquer quantidade), muitas vezes associado ao uso de drogas ilícitas e energéticos, e que assumem irresponsavelmente a condução de um carro .
Os acidentes que envolveram o ex-subsecretário de estado Alexandre Felipe Mendes e o ex-deputado Carli Filho não são fatalidades. É irresponsabilidade que deve ser punida com todo o rigor da lei. A recente decisão do juiz Peterson Barroso Simão merece, pois, todos os aplausos da sociedade. Trânsito é meio de vida. Não de mortes, dor, tragédia, impunidade e mutilação.
(Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro)
(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Em boa hora, comentarista lembra o depoimento do deputado petista Arlindo Chinaglia sobre a denúncia do mensalão.

Paulo Afonso
Está nos jornais de 30/10/2009:
“O ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) confirmou ontem, em depoimento à Justiça, que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, revelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acreditava existir um esquema de compra de apoio ao governo no Congresso, antes de o caso vir à tona, conhecido como mensalão.
Chinaglia, que na época dos fatos, em 2005, era líder do PT na Câmara, disse ter tomado conhecimento do suposto esquema em dois momentos. Primeiro, segundo ele, quando Jefferson teria alertado o presidente Lula sobre a existência do esquema, em reunião na qual Chinaglia confirmou que estava presente.
Depois, o deputado disse ter tomado conhecimento por meio da imprensa. Foi aí que, segundo Chinaglia, surgiu o termo “mensalão”, que indicava um esquema no qual parlamentares supostamente recebiam dinheiro em troca de apoio a projetos do governo no Congresso.
“O momento principal [foi] quando a imprensa divulgou aquilo que o então deputado Roberto Jefferson denunciou. E faço referência a esse momento como principal, porque lá ele apelidou de mensalão. E ainda que ele fez um comentário ao presidente da República e, entre outros, eu estava presente”, afirmou Chinaglia.
Ele prestou depoimento à juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal”. do Distrito Federal”.
(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

“Fantástico” aprofunda as denúncias contra a ONG beneficiada pelo ministro do Esporte com R$ 28 milhões.

Carlos Newton
Não é nenhuma novidade a notícia de que o Ministério Público de São Paulo investiga uma organização não-governamental que recebeu R$ 28 milhões do Ministério do Esporte para o programa Segundo Tempo, por denúncia de estar envolvida em desvio de dinheiro público usado para beneficiar políticos do PCdoB.
Há meses a imprensa e o Blog da Tribuna vêm noticiando isso. A novidade é que o assunto tenha saído no programa “Fantástico”, da TV Globo, que não costuma entrar em temas políticos. Mas a equipe do excelente jornalista Luiz Nascimento correu atrás e acrescentou preciosas informações às denúncias.
Como já publicamos aqui no Blog, a ONG Pra Frente Brasil, gerenciada pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, é acusada de ter contratado empresas de fachada para fornecer lanches e material esportivo, com participação de “laranjas”. A reportagem do “Fantástico” levantou suspeitas de que os programas da ONG também podem estar envolvendo menos alunos do que o devido.
O convênio entre o Ministério do Esporte e a Pra Frente Brasil estabelece que atendimento a 18 mil crianças e adolescentes. Mas na cidade paulista de Iracemápolis, por exemplo, o “Fantástico” constatou que menos da metade dos alunos inscritos estava participando das atividades e não havia chamada nem controle.
Karina é vereadora da cidade paulista de Jaguariúna pelo PCdoB, mesmo partido do ministro do Esporte. A ONG, que atua em 17 cidades de São Paulo, foi a que mais ganhou verbas do ministério, recebendo cerca de R$ 28 milhões do ministério nos últimos seis anos e parte desta verba seria usada na compra de lanches.
O MP acredita que há indícios de que a empresa RNC, contratada pela Pra Frente Brasil para fornecer lanches em contratos que somaram mais de R$ 10 milhões, seja uma firma de fachada. Um dos sócios revelou ao “Fantástico” ser assessor da vereadora, e não é preciso dizer mais nada. E há suspeitas de que outra empresa, a Esporte e Ação, que recebeu cerca de R$ 1,3 milhões da ONG para fornecer material esportivo, também seja de fachada.
A vereadora do PCdoB, é claro, diz que sua ONG segue a lei e nega irregularidades com as empresas contratadas. Em quem você acredita?
(transcrito da Tribuna da Imprensa)

domingo, 16 de outubro de 2011

Palocci é investigado por lavagem de dinheiro

Ex-ministro-chefe da Casa Civil terá que se explicar sobre aluguel de apartamento que pertence a um suposto ‘laranja’ que responde a processo por fraudes e crimes tributários
São Paulo - Quatro meses após renunciar ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil, por suspeita de enriquecimento ilícito, Antonio Palocci tornou-se alvo de nova investigação. O Ministério Público de São Paulo confirmou ontem que abriu procedimento investigatório para apurar suspeita de envolvimento dele em esquema de lavagem de dinheiro. Um dos proprietários do apartamento que ele alugava em São Paulo é réu em processos por fraudes e crimes tributários.

O procedimento começou após análise de documentos sobre o imóvel solicitados a partir de representação do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB-SP). A petição do tucano se baseou em reportagem da revista ‘Veja’ que apontou que os donos do apartamento, avaliado em R$ 4 milhões, teriam sido “laranjas” de operações financeiras irregulares.

A defesa do ex-ministro afirma que Palocci negociou o aluguel com imobiliárias e nunca teve contato com os proprietários do apartamento. Os advogados dizem ainda que Palocci decidiu romper o contrato e deixou o apartamento em julho, ao saber das denúncias.

A atual investigação não tem ligação com inquérito civil do Ministério Público Federal sobre suposto enriquecimento ilícito. Palocci deixou o cargo em junho, após a revelação de que o seu patrimônio aumentou em 20 vezes em quatro anos. 

Há uma semana a Procuradoria da República no DF informou que, diante de novas provas, avaliava a possibilidade de reabrir o inquérito criminal arquivado em junho.

sábado, 15 de outubro de 2011

O caso Cesare Battisti é como a corrupção nos órgãos públicos brasileiros: parece não ter fim.

Carlos Newton

Agora é o sempre atuante Ministério Público Federal no Distrito Federal que pede, em uma ação civil pública, a anulação da concessão do visto de permanência no Brasil ao terrorista italiano e a sua consequente deportação. O caso será julgado pela 20ª Vara Federal.
Como se sabe, Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando militava no grupo de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Mas ele nega as acusações, por ter sido julgado à revelia e levado a culpa dos militantes presos, e que diz que os ex-companheiros o culparam para escapar de penas maiores (todos já estão soltos).
A Procuradoria do DF (responsável também por um dos inquéritos contra o ex-ministro Palocci) alega que o ato de concessão do visto ao italiano é ilegal e contraria “expressamente” o Estatuto do Estrangeiro, porque, de acordo com a lei, é proibida a concessão de visto a estrangeiro condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição.
Segundo o procurador Hélio Heringer, em entrevista à Agência Brasil, o Supremo Tribunal Federal, ao analisar o processo de extradição de Battisti, concluiu que os delitos cometidos pelo italiano são crimes comuns e não políticos. Portanto, passíveis de extradição, segundo a Constituição brasileira.
Mas o que livrou Battisti foi a decisão do Supremo afirmando que cabia ao chefe do Poder Executivo, em ato político, a palavra final quanto à extradição do estrangeiro reclamado. No caso de Battisti, o ex-presidente Lula decidiu, no último dia de seu governo, pela não-extradição do italiano.
Para Heringer, a decisão política do ex-presidente não muda a natureza dos crimes imputados a Battisti. “Tal competência é exclusiva do Supremo, e foi exercida para declarar os crimes praticados como sujeitos à extradição. Desse modo, sendo os crimes dolosos e sujeitos à extradição segundo a lei brasileira, não há que ser concedido visto de estrangeiro a Cesare Battisti”.
Por fim, o procurador esclarece que não se cogita a hipótese de entregar Battisti à Itália, país de sua nacionalidade, o que, indiretamente, violaria a decisão do ex-presidente da República. Assim, a deportação seria para o país de procedência, o México, onde Battisti viveu antes de mudar para o Brasil, ou para outro país que concorde em recebê-lo. (Transcrito da Tribuna da Imprensa)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Reviravolta no caso Battisti: MP quer deportar

Reviravolta no caso Battisti: MP quer deportar
Foto: AGÊNCIA ESTADO

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDIU À JUSTIÇA, NESTA QUINTA, A CASSAÇÃO DO SEU VISTO DE PERMANÊNCIA, QUE SERIA ILEGAL E CONTRÁRIO AO ESTATUTO DO ESTRANGEIRO; ESQUERDA LAMENTA; ITÁLIA COMEMORA

13 de Outubro de 2011 às 19:28
Fernando Porfírio_247 – O Ministério Público Federal pediu à Justiça, nesta quinta-feira (13), a cassação do visto de permanência de Cesare Battisti no Brasil e sua deportação para outro país. O MPF sustenta que a concessão da permanência do italiano é ilegal e contraria o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/1980).
Battisti foi condenado, em 1987, à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando era militante de um grupo político de esquerda. Foi preso em 1979, na Itália. Ele nega as acusações e diz ser vítima de perseguição política.
Em junho, o STF confirmou decisão do ex-presidente Lula, que em seu último dia de governo, no ano passado, decidiu que Battisti poderia permanecer do Brasil.
O procurador da República Hélio Heringer entende de outra forma. Segundo ele, o Estatuto do Estrangeiro proíbe que condenados ou processados por crime doloso em outro país permaneçam no Brasil. Essa, segundo Heringer, é exatamente a situação de Battisti.
O MPF afirma que a permanência de Battisti no país é ilegal, e, portanto, ele deve ser deportado. Na ação, o procurador da República esclarece que não se trata de uma medida punitiva, como a extradição — não se fala em devolver Battisti à Itália, o que violaria a decisão de Lula, mas sim que ele seja enviado ao país de procedência — França ou México, onde Battisti viveu antes de vir para o Brasil.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Três pessoas morrem em explosão no Rio



INCIDENTE ACONTECEU NA PRAÇA TIRADENTES, PERTO DA RUA DA CARIOCA. AO MENOS 40 BOMBEIROS PRESTAM SOCORRO ÀS VÍTIMAS NO LOCAL. SEGUNDO UM CABO, PESSOAS FORAM ARREMESSADAS A CINCO METROS

13 de Outubro de 2011 às 08:16
247 - Três pessoas morreram e pelo menos cinco ficaram feridas na manhã desta quinta-feira numa explosão no centro do Rio de Janeiro. O incidente aconteceu na Praça Tiradentes, perto da Rua da Carioca. Algumas lojas e um restaurante foram atingidos. Ainda não há informações sobre as causas da explosão.
Pelo menos 40 bombeiros do quartel Central estão no local para atender as vítimas. “É um cenário de guerra. Parece que a gente tá no Iraque. É uma coisa espantosa, inacreditável. Pessoas foram arremessadas a cinco metros”, disse o cabo Dielson da Silva Evangelista à Globonews. A polícia interditou o trânsito nas ruas da Carioca, Assembleia e Visconde de Rio Branco.
A Light informou ao G1 que o fornecimento de energia é normal e que não tem qualquer responsabilidade no incidente. A explosão de um bueiro também foi descartada.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Roubaram o celular


Meu celular foi roubado ontem. Liguei pra Operadora e fiz o bloqueio. Hoje, pesquisando, descobri este artigo que esclarece sobremaneira.
O pior é que eu já  havia sido alertada pra isso e não dei importância. Por isso "fiz o serviço, pelas metades" . Não pude bloquear o aparelho. Apenas a linha.
Não faça como eu!

Divulgue!
 
[Update 15/02/2011] – Atenção: você que está com problemas de aparelho roubado, as informações abaixo são referentes às práticas necessáriaspara ter seu aparelho e chip bloqueados. NÃO realizo qualquer tipo de bloqueio! Atenção: Você precisa ver com sua operadora após ler as instruções abaixo. Não tente solicitar o bloqueio na caixa de comentários.
[Update 07/05/2010] - Preparei um tópico especial para este post no forum do Alvo ConhecimentoVamos discutir sobre este assunto! Veja.
Hoje pela manhã estava me arrumando para o trabalhando e assistindo o jornal Bom dia Brasil, pela Rede Globo. Uma reportagem me chamou roubastante a atenção, referente a roubo de celulares. Segundo a informação divulgada, 40% dos celulares roubados são destinados a revenda, e é claro, sem nota fiscal. Acredito que todos nós sabíamos do destino dos aparelhos, mas não nesta proporção. Boa parte da população que tem o celular roubado faz apenas uma coisa: bloquear o chip junto à operadora. Isso deve ser feito sim, mas o que a maioria desconhece é que o aparelho também pode (e deve) ser bloqueado na operadora. Tenha sempre em mãos o telefone do SAC.

Para que o usuário possa bloquear o aparelho, devemos estar atentos ao código IMEI (International Mobile Equipment Identity). Podemos obter este código de três formas diferentes:
1. Encontrado no próprio celular, logo abaixo da bateria. (veja imagem abaixo)
2. Na caixa original do produto.
3. Digitando em seu aparelho o seguinte código: *#06#

O Brasil precisa se preocupar com um de seus bens mais estratégicos - a água potável.

Roberto Ilia Fernandes
Para não dizerem que sou monotemático, hoje não abordarei assuntos relativos ao nióbio, embora a questão do nióbio seja minha paixão como brasileiro. Tratarei de um bem que pode ser enquadrado como commodity, como alimento ou como insumo básico e fundamental para a vida humana na terra: a água!
O Brasil, além de ser um vasto celeiro de commodities minerais (dentre os quais o petróleo, o ferro e o nióbio), também ostenta a condição de detentor das maiores reservas de água potável do planeta. Papers reservados do Pentágono, do Ministério do Interior (ou outro nome equivalente) da China, do governo indiano, do governo israelense e, seguramente, da União Européia, dão conta de que nada menos de que 14% das reservas de água potável do planeta estão no Brasil. Os amigos desta Tribuna conseguem avaliar o impacto dessas previsões no tabuleiro geoestratégico mundial, a médio e longo prazos?
Comecemos pela China: com uma população beirando os 1,4 bilhões de habitantes, a China desde o século passado sofre com um déficit hídrico substancial. Informações oficiosas dão conta que a China investe pesadamente, há tempos, em tecnologias que consigam dessalinizar a água do mar, a um custo razoável. Israel, outro país com déficit hídrico, também faz pesquisas semelhantes há bastante tempo (é impressionante o que os israelenses conseguem fazer no deserto de Neguev, com pouquíssima água). União Européia e Estados Unidos, aparentemente, não possuem grandes preocupações, posto que possuem um conforto hídrico relativo.
Os EUA, em posição confortável graças ao complexo hidrográfico do Mississipi/Missouri, também, em tese, não teriam com que se preocupar. Mas os EUA, desde a Teoria do Destino Manifesto, de John O’Sullivan, mandam a lógica às favas. Agem como Império que são! Alberto Bilac, em seu blog (terragoyazes.zip.net), nos diz: “Num cenário adverso de escassez de água, temos configurado o jogo bruto do mercado: os países grandes produtores se tornarão exportadores de um bem limitado e caro. Quem tiver o controle dos grandes reservatórios de água dominará as relações mercantis; ou seja, os países grandes produtores de água, reunidos talvez numa OPEA ( Organização dos Países Exportadores de Água), ditarão o preço e a quantidade da água que venderão. É a lógica do velho, puro e bruto capitalismo!”
E como o Brasil se coloca nesse cenário? Primeiramente, mapeemos o quadro hidrográfico brasileiro. detentor das maiores bacias hidrográficas do mundo(a bacia Amazônica é maior do planeta), o Brasil é também possuidor dos maiores aquíferos do planeta, dentre os quais:
Aquífero Guarani: Volume total: aproximadamente 55 mil km³; volume total em área brasileira: 45 km³; extensão: 1.200.00 km²; profundidade máxima: 1.800 metros; capacidade de recarregamento anual: aproximadamente 166 km³; capacidade total aproximada: pode fornecer água potável ao mundo por 200 anos. Está distribuído sob a área dos seguintes estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Aquífero Alter do Chão: volume total: 85 mil km³; extensão: 437.500 km²Capacidade de recarregamento anual: aproximadamente 290 km³
Capacidade total aproximada: Pode fornecer água potável ao mundo 380 anos. Está distribuído sob a área dos seguintes estados: Pará, Amazonas e Amapá.
Outros aquíferos menores: Urucuia-Areado, Cabeças, Furnas, Itapecuru, Bauru-Caiuá e Serra Grande.
Os amigos desta Tribuna conseguem aquilatar a real extensão geoestratégica desses dados? Sim, conseguem, posto que aqui comentam colegam de elevado poder de síntese e de análise. Uma questão que naturalmente se coloca, derivada dessa questão hídrica, é a seguinte: que Força dissuasória o Brasil possui, para repelir eventuais ataques a nossos depósitos de água? No cenário atual, nós todos sabemos a resposta, infelizmente. Com a palavra, a presidente da República do Brasil, Dilma Vana Roussef!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DECISÃO DO STF É REVOGADA

De repente, tudo que o Poder Judiciário (12ª Vara Federal, Tribunal Federal de Recursos, Superior Tribunal de Justiça e Supremo) discutiu durante 32 anos passou a nada significar. Em seu surpreendente voto, o relator chegou à criativa conclusão de que  os valores da parte ilíquida (desvalorização da marca e espaços em branco) já haviam sido calculados quando da primeira perícia, em 1983, a qual nem se dedicou a esses levantamentos.
Alega o relator o óbvio, dizendo que a censura incidiu sobre “o conteúdo típico do espaço jornalístico e não sobre o conteúdo típico do espaço de publicidade”, como se não tivesse a menor importância o fato de um jornal circular com espaços em branco, inclusive na primeira página e até na manchete principal.
Desconheceu inteiramente a Perícia, que foi realizada em 2009 especificamente para calcular os espaços em brancoe a desvalorização da marca. Fez então um simples cálculo aritmético, somando as duas parcelas definidas na primeira perícia, relativas à redução da venda avulsa e da receita publicitária, e destemperadamente resolveu considerar que a soma dessas duas parcelas representaria o total a ser indenizado pelos espaços em branco, jogando na lata de lixo a minuciosa Perícia realidade em 2009.
É espantoso, mas ele procedeu assim e os outros dois desembargadores concordaram.
Da mesma forma, sempre com base na perícia realizada nos anos 80, o relator concluiu também que a indenização pelo valor da marca já estaria fixada, embora a decisão confirmada pelo Supremo tenha estabelecido que essa parcela não estava calculada e deveria ser submetida à nova perícia, o que foi feito em 2009, repita-se.
Traduzindo: o desembargador Sergio Schwaitzer fez uma salada maluca, misturando o que o Supremo já julgara e o que estava em julgamento agora. O mais inacreditável é que, para chegar a essa inconcebível conclusão, o relator acabou fazendo um julgamento “extra petita”. Ou seja: havia dois pedidos – um da autora da ação, a Tribuna, e o outro, da ré, a União. Ao votar, ele não apoiou nem um pedido nem o outro, o que é inconstitucional. Todo magistrado tem de se limitar a analisar os pedidos das partes, não pode simplesmente decidir por uma “terceira opção”, de seu agrado.
A única parte passível de aproveitamento em seu voto é a referente à desvalorização da marca, cujo valor que encontrou poderá até ser confirmado. Mas ficou faltando fixar a indenização pelos espaços em branco, o que somente é possível com a aplicação da tabela de publicidade, por óbvio. Mas o ínclito relator não concordou com esse critério, apesar de a própria Advocacia Geral da União ter aceitado nos autos o uso da tabela, vejam a que ponto chegamos.
E ao final, o desembargador cometeu um erro ainda mais clamoroso, deixando de corrigir as indenizações pela ORTN, conforme está fixado na sentença original, confirmada pelo Supremo. Ninguém sabe em que índice se baseou, para reduzir drasticamente o valor da indenização da Tribuna. Ou seja, fez uma verdadeira lambança.
***
RELATOR IRONIZA A TRIBUNA
Em meio a tudo isso, ao desconhecer a obrigatoriedade de analisar a Perícia realizada em 2009 e que foi aprovada unanimamente pelo perito da 12ª Vara Federal e pelos assistentes técnicos da Tribuna e da própria União, o relator perdeu a linha.
Em tom de chacota, afirmou em seu voto que a Tribuna da Imprensa “não foi considerado um jornal de grande tiragem nas décadas de 50, 60 e 70, ao contrário, do que inclusive e até derivou, não se esqueça, a alcunha pejorativa de ‘lanterninha da imprensa’.” (Fls. 397)
Desconhece-se em que circunstâncias o relator – ainda jovem e que não viveu a época – colheu tal informação, que decididamente não corresponde à verdade dos fatos. A Tribuna da Imprensa, fundada por Carlos Lacerda em 27 de dezembro de 1949, jamais foi “lanterninha da imprensa” carioca. Sua trajetória foi tão impressionante que, apenas 10 anos após fundar o jornal, Carlos Lacerda conseguir ser eleito governador do Estado da Guanabara.
O relator não sabe que naquela época ainda não existia o Instituto Verificador de Circulação (IVC). Portanto, não se tinha conhecimento das tiragens dos jornais. A importância política de cada um deles é que representava seu posicionamento no mercado editorial e influía em seu preço de tabela publicitária. Mas o voluntarioso relator, por ser ainda jovem, mostrou desconhecer inteiramente esses fatos.
Se para o relator é impossível avaliar a importância da Tribuna da Imprensa pelo número de exemplares, pois na época não havia esse controle, no entanto poderia facilmente fazê-lo conferindo os  anunciantes que se orgulhavam de frequentar as páginas do jornal – antes do período da censura, é claro.
Se o desembargador Schwaitzer tivesse se dado ao trabalho de ler de forma mais  atenta a Perícia realizada em 2009, saberia dessa realidade. Nos autos do processo está registrado que em 1968, antes da censura prévia, a Tribuna da Imprensa era um dos mais importantes jornais do País, o único a ter uma EDIÇÃO NACIONAL e que já contava com representantes em nove Estados e em Brasília, além de três correspondentes no exterior, com sua marca em processo de valorização, porque era o único jornal a se opor ao regime militar. 
Sua importância na área de publicidade era inequívoca. Antes do longo período de perseguição e censura, a Tribuna da Imprensa recebia todo tipo de anunciante, em âmbito nacional, como órgãos públicos federais, estaduais e municipais, comércio, indústria e serviços do Rio e de outros Estados. Essa realidade ficou constatada nessa Perícia feita em 2009.
O perito da 12ª Vara e seus assistentes constataram também que, no período anterior à censura, o jornal, que circulava com 22 ou 24 páginas (conforme ficou demonstrado no cuidadoso e detalhado levantamento pericial), devido à perseguição política passou a ter apenas 12 páginas, e às vezes, escassas oito páginas.
Antes dos dez anos de censura prévia, a Tribuna contava com os seguintes anunciantes na esfera pública, entre outros, o que inclusive demonstra a abrangência nacional da circulação do periódico:  
  •   Câmara dos Deputados, Senado Federal, Banco Central, Rede Ferroviária Federal, Instituto Nacional do Cinema, Sunab, Banco do Nordeste, BNH, Loteria Federal, Ministério dos Transportes, Petrobras, Instituto do Açúcar e do Álcool, Lloyd Brasileiro, Instituto Brasileiro do Café, INPS, Ministério da Agricultura, Governo de Minas Gerais, Prefeitura de São Paulo, FGTS, Prefeitura de Brasília, Ministério do Interior, Instituto Nacional da Reforma Agrária, Assembléia Legislativa do RJ, DNER, Ministério da Indústria e Comércio, Assembléia Legislativa da Bahia, Prefeitura do Distrito Federal (Brasília), Ministério do Trabalho, Governo do Paraná, Riotur, Prefeitura de Niterói, Riocentro, Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal, Conselho Nacional do Petróleo, Vale do Rio Doce, Cia. de Empreendimentos de Minas Gerais, Sistema Financeiro da Habitação, Caixa Econômica Federal, Prefeitura do Rio de Janeiro, Ministério da Previdência e Assistência Social, Comlurb. Cia. Telefônica Brasileira, Governo de Mato Grosso, Secretaria de Turismo de Minas Gerais, Radiobrás, Cia. Central de Abastecimento e Loteria Federal.
Especificamente na área financeira, eram anunciantes do jornal, que também comprovam a circulação nacional da Tribuna da Imprensa, entre outros: 
  •   Bradesco, Banco do Brasil, Unibanco, Banco Bordallo Brenha, Novo Rio Crédito Imobiliário, Banco Boavista, Banco Safra, Diner’s, Banco Nacional, Unibanco, Banco do Estado do Rio de Janeiro (BERJ), Banco Mineiro do Oeste, Banco Novo Mundo, Banco Irmãos Guimarães. Decred, Banco Borges, Banco Bahiano da Produção, Banco do Estado da Bahia, Banco Industrial de Campina Grande, Banco Econômico, Letra de Câmbio, Bolsa de Valores, Grupo Financeiro Novo Rio, Banco Mercantil do Brasil, Caderneta de Poupança, Gboex, Banco de Crédito Real de Minas Gerais, Banestado (Paraná), Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), Caderneta de Poupança Delfin, Credicard, Banco Real, Banco de Crédito Real, Banco do Estado da Guanabara (BEG), Banco da América e Banco Sotto Maior.
No setor de seguros, o jornal também tinha anunciantes de prestígio, antes de ser submetido à censura prévia, como as seguintes instituições: 
  •   Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), Cia. Federal de Seguros, Apex, Boa Vista Seguros, Allianz-Ultramar, Atlântica Nacional de Seguros, Fortaleza Cia. de Seguros, Golden Cross e Prudential Cia. de Seguros.
Na área dos transportes e turismo, anunciavam na Tribuna, antes dos 10 anos de censura, as seguintes empresas, entre outras: 
  •   Ibéria, Viação Friburguense, Aerolineas Argentinas, TAP, Viação Útil, Vasp, Frota Oceânica, Associação dos Armadores Brasileiros de Longo Curso, Aerolineas Peruanas, Hotel Brasil, Verolme Estaleiros, Automóvel Clube do Brasil, Netumar, Hotel Ambassador, Touring Club do Brasil, Exprinter, Breda Transportes e Turismo, Hotel Eron, Motel Clube do Brasil e Panorama Palace Hotel.
No setor da construção civil, a diligente Perícia constatou que à época o jornal também contava com grandes anunciantes, a saber: 
  •   Camargo Corrêa S/A, Construtora Sérgio Dourado, João Fortes Engenharia, Carvalho Hosken, Porto Marina Bracuhy, Fazenda do Frade, Wrobel Construtora, Veplan Residência, Ecisa Engenharia e Imobiliária Nova York.
Havia também anunciantes de prestigio no chamado setor de varejo, que inclui grandes redes de departamentos e eletrodomésticos: 
  •   Ponto Frio, Mesbla, Rei da Voz, Lojas Americanas, Casas Garson, Ultralar, Ducal, Casas Neno, Cássio Muniz, Gabriel Habib, Casas Masson, Barki Roupas, Seda Moderna e Supermercados Sendas.
Outras grandes empresas e entidades de diversos setores também anunciavam na Tribuna no período anterior à censura: 
  •   Esso, Skol, Lacta, Souza Cruz, Brahma, Móveis Cimo, CocaCola, Rhodia, Sadia, Consórcio Volkswagen, Bombons Garoto, Light, Antarctica, Indústrias Ericsson, Pneus Atlas, Formiplac, AutoModelo, Guanauto, Indústria Montana, Chrysler, Belgo Mineira, Makro Supermercado, Philip Morris do Brasil, Supergasbrás, União Têxtil Seridó, Brascan, União dos Revendedores Volkswagen, Aços Villares, Artplan Publicidade, Mendes Júnior, Editorial Brugrera, Clube de Engenharia, Editora Civilização Brasileira, CSN, Editora Laudes,   SESI, Bebidas Crush,  Diários Associados, Canecão, Coopersucar e Hospital IV Centenário.
Detalhe: na edição que marcou o final da censura prévia, a 9 de junho de 1978, depois de dez anos de perseguição e violência, o jornal circulou com apenas um pequeno anúncio, na página 8. Era um edital de concorrência do DNER, medindo11 cm, em duas colunas.
Essa exuberante relação de anunciantes (estes são os principais, havia muitos outros) não foi levada em consideração pelo surpreendente relator.
Bem, vamos em frente e daqui segue minha solidariedade total a Helio Fernandes, pedindo que não esmoreça e lembrando a ele que sua neta Letícia sonha em ser jornalista e está aguardando para trabalhar na histórica Tribuna da Imprensa, assim que a Justiça brasileira realmente cumprir sua obrigação legal, sem chacotas e respeitando os autos.

domingo, 9 de outubro de 2011

Parte incontroversa: aplicação reduz à metade ações judiciais no país

Pedro do Coutto
Um verdadeiro ovo de Colombo, como se diz por aí. Uma forma simples e clara como copo d’água. E que, numa sequência de lances, a curto prazo, pode reduzir à metade o volume de ações judiciais que percorrem os tribunais e os escritórios dos contadores especiais contratados. Surpreende que tenha sido descoberta e iluminada, não por um juiz ou advogado, mas sim por um economista que atua como perito junto a Varas da Fazenda Pública do Rio de Janeiro. Trata-se de um amigo meu.
Em almoço há poucos dias, me trouxe o tema. Incontestável. Existe dispositivo no atual Código de Processo Civil que torna factível a engrenagem simplificadora a que vou me referir. É a figura da parte incontroversa, este mesmo o seu nome. Consiste no seguinte: se numa indenizatória, de reparação de prejuízos, ou diferenças salariais, por exemplo, uma sentença estabelecer, digamos, pagamento de 100 mil reais, e a parte perdedora contestar os cálculos, fica obrigada a dizer qual o valor que acha cabível.
Assim, se a contestação voltar-se para um desembolso de 70 mil reais, o juiz ou Tribunal determina o pagamento imediato deste valor, ficando para o decorrer completo da ação a parcela restante de 30 mil. Nada mais lógico, desburocratizante e racional. Claro. A parte acionada não pode escapar da obrigação. Ela recorre apenas quanto a diferença. E paga o que assume dever.
Tal sistema modernizador impede a procrastinação, a colocação de obstáculos sucessivos nas questões ajuizadas. Especialmente contra o INSS. A Previdência Social vale-se, apenas para não cumprir a lei, de artifícios adjetivos em série. Isso faz com que pelo menos seja triplicado o volume de ações.
Difícil acreditar. Mas primeiro discute-se a questão do direito. Vencida esta etapa, já por si longa, vem a segunda, maior ainda, depois de esgotados os recursos desnecessários. O problema, então, desloca-se para os cálculos. Os contadores acionados demoram meses e meses para concluir seu trabalho, apesar da informatização a seu dispor. Quando finalmente terminam, vem a discordância do INSS, não mais quanto ao direito, mas quanto ao total financeiro.
Se tem que pagar 100 mil, como há pouco dei exemplo, joga para 8,5 mil reais. Os cálculos têm que ser refeitos. Os aposentados e pensionistas perdem tempo. O INSS ganha mais prazo. Pois cada morte que ocorre – lei de FHC – obriga a uma nova habilitação processual, com os herdeiros, se houver, substituindo os autores originais. Uma crueldade, algo desonesto, ilegítimo. Mas é o que ocorre.
O advogado Frank Martini Claro, por exemplo, possui uma ação na Justiça Federal, em que me representa e ao economista Gilberto Paim, voltada para reparar erro (do Instituto) do cálculo de vencimentos que foi julgada procedente pelo TRF-RJ, por unanimidade , em Janeiro de 91 e até hoje não produziu os efeitos financeiros. É um recurso atrás de outro, recálculos que não acabam mais. Este é um caso.
Existem contra o INSS um milhão e 500 mil outros, acentua Martini Claro.O emperramento, claro, não está restrito à área da Previdência. Envolve todas. Veja-se a longa espera de 32 anos para que a Tribuna da Imprensa receba a indenização pelos prejuízos sofridos na ditadura militar. Milhares de outros processos percorrem o mesmo labirinto sinuoso. Haja paciência. Haja vida para esperar a Justiça.
Com adoção do princípio da parte  incontroversa tudo passa a ser mais simples. O Poder Judiciário, inclusive, a começar pelo STF, teria muito menos peso sobre si. Porque a Corte Suprema não edita uma súmula regulamentando o dispositivo da lei para não ficar só no papel? Deve ser adotado na prática. No dia a dia. Por que não?

sábado, 8 de outubro de 2011

Ministro Lupi tem dois graves problemas; a perseguição do PT e a perseguição do PDT.

Carlos Newton
Como se sabe, há tempos o PT pressiona pela saída de Carlos Lupi, porque a CUT perdeu espaço no Ministério do Trabalho. Ao mesmo tempo, o ministro sobre pressões cada vez maiores dentro do próprio PDT, partido do qual é presidente licenciado. Esses sáo seus dois maiores problemas, hoje, em meio às especulações de que deve deixar a pasta. 
Vamos conferir o que diz o site “Editoria Rede PDT”, que monitora e transmite informações sobre o partido, inclusive citando frequentemente o Blog da Tribuna: “Durante a Semana Jango, realizada no Paraná com a presença do ex-deputado João Vicente Goulart, militantes das bases pedetistas se reuniram para analisar a conjuntura política, pregando a necessidade de abertura democrática das estruturas de direção do partido, nacionais e estaduais, para propiciar a unidade partidária em bases sólidas e maior legitimidade de seus dirigentes e gestores públicos”. Traduzindo: querem a saída de Lupi.
“A idéia que toma corpo é reivindicar urgente reunião do Diretório Nacional do PDT para refletir institucionalmente sobre os acontecimentos políticos nacionais e nos estados, no sentido de uniformizar opiniões destoantes no partido, focando no eventual desembarque da representação pedetista do governo de Dilma Rousseff”, prossegue o site pedetista, acrescentando:
“Com ou sem Carlos Lupi no Ministério do Trabalho, o que importa é a união de esforços em torno do PDT, rechaçando essas especulações direcionadas para dividir as cúpulas que causam inquietação nas bases partidárias, em prejuízo do trabalhismo”. Traduzindo de novo: querem tirar Lupi, mas
colocar no ministério outro dirigente do PDT.
Diante das pressões movidas pelo PT e pelo PDT, Lupi está enfraquecido politicamente e já é citado na imprensa como um dos alvos da reforma ministerial que deve ser feita pela presidente Dilma Rousseff na virada do ano.
O repórter Gerson Camarotti, de O Globo, revela que os adversários internos de Lupi dizem que ele controla com mão de ferro o PDT, já que tem o comando dos diretórios regionais. Um grupo de deputados, liderados por Paulinho da Força (PDT-SP) e Brizola Neto (PDT-RJ), ameaça formar uma dissidência para pedir democracia interna na legenda, porque Lupi tem usado estrategicamente a formação de comissões provisórias nos diretórios regionais, para manter o comando do partido.Ao mesmo tempo, ele também controla os principais cargos do Ministério do Trabalho, o que tem sido questionado pelos companheiros de partido. Nem mesmo o deputado Paulinho da Força (Sindical) conseguiu ser eleito para o diretório paulista, e se mantém no comando do órgão por determinação do próprio ministro do Trabalho, mas como “provisório”. Integrantes da Força Sindical estão descontentes também porque não conseguiram assumir o braço sindical do PDT.Aliados de Lupi alegam que ele mantém o sistema de diretórios provisórios para evitar disputas no partido e, consequentemente, a perda do controle. Mas já reconhecem que ele precisa flexibilizar urgentemente o comando do PDT. Caso contrário, sua situação ficará insustentável.
No meio dessa confusão, o Planalto identifica a existência de “fogo amigo” nas denúncias que começam a desestabilizar Lupi, num movimento semelhante ao que tomou conta do PP e que quase derrubou o ministro das Cidades, Mário Negromonte, há quase dois meses. Por isso, o futuro de Lupi no Ministério é hoje nebuloso e insondável.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dilma está certa: pimenta nos olhos dos outros é refresco

Pedro do Coutto
O título inspira-se, ao mesmo tempo, no pronunciamento da presidente Dilma Rousseff em Bruxelas, defendendo o rumo estruturalista da economia e rejeitando o monetarismo, e na marchinha popular, grande sucesso no carnaval de 1952 no Rio de Janeiro. Passou o tempo, mas o humor, fortemente verdadeiro, não perdeu atualidade. Tampouco o debate entre estruturalismo e monetarismo que marcou o governo Juscelino Kubitschek.
Excelente reportagem de Clovis Rossi, Folha de São Paulo de terça-feira, focalizou amplamente o pronunciamento da presidente brasileira na Bélgica e sua entrevista à imprensa ao lado de Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu. Foto belíssima de Thierry Roge, edição primorosa do jornal.
Clovis Rossi iniciou o texto recorrendo à ironia, mas dela se afastou ao percorrer as teclas, pois sem dúvida foi importante a definição colocada por Rousseff. Ela afirmou que a experiência demonstra que ajustes fiscais extremamente recessivos só aprofundam o processo de estagnação e desemprego. Dificilmente pode-se sair de uma crise sem aumentar o consumo e o nível de investimento.Ela não se dirigiu apenas ao cenário europeu, o que já seria importante. Sinalizou sobretudo o plano interno brasileiro. Daí seu empenho em reduzir a taxa de juros Selic, agora na escala de 12% ao ano.
Num terceiro vértice do triângulo político, indiretamente, manifestou seu apoio à política do presidente Barack Obama. Que se volta para a geração de empregos. Dilma poderia, faltou a seu lado um assessor mais experiente, ter-se referido ao presidente Franklin Roosevelt que assumiu o governo dos EUA em 33, herdando a recessão de 29, e entregou a Casa Branca a Harry Truman, seu vice, com o país liderando a economia internacional. Morreu em abril de 45, menos de um mês antes do fim da guerra, depois de se reeleger em 36, 40 e 44. Explico: na sua última vitória foi mudar a Constituição americana. A reeleição ficou limitada a uma única.
Roosevelt teve como meta principal o desemprego ao mínimo, elevou substancialmente os salários, como lembrou recentemente o atento e lúcido leitor Flávio Bertolotto. Além disso, pagava antecipadamente o fornecimento dos materiais de guerra. Quando ela terminou na Europa em maio e na Ásia em agosto de 45, as empresas haviam recebido 3,2 bilhões de dólares antes de fornecerem os equipamentos, inclusive aviões. Lucraram além da expectativa, mas mantiveram o emprego no alto.Três bilhões em 45, corrigidos, são 300 bilhões de dólares hoje. Deixa para lá. Vitória da democracia, êxito total do estruturalismo.
Em nosso país, nos anos dourados de Janeiro de 56 a janeiro de 61, o confronto ideológico ocorreu com intensidade. JK rompeu em 58 com o FMI nos jardins do Palácio do Catete (eu era repórter do Correio da Manhã ) e em abril de 59 demitiu Lucas Lopes do Ministério da Fazenda e Roberto Campos da presidência do BNDE, hoje BNDES.
Eles – está no livro de Hermógenes Príncipe – propuseram que fossem paralisadas as obras de Brasília. Juscelino disse apenas o seguinte: não posso passar à história como autor de elefantes brancos. O nível de emprego era alto. O do salário mínimo maior ainda: 1 mil e 700 reais a preços atuais, cálculo de Flávio Bertolotto.
Mas eu disse que pimenta nos olhos dos outros é refresco. Leio no artigo do economista Rodrigo Constantino, O Globo de 4 de outubro, haver necessidade de demissões para enfrentar a crise. A demissão dos outros, por certo. Não a dele. Esquece que todos são seres humanos, têm família e precisam poder viver.