quinta-feira, 31 de maio de 2012

O responsável é o Dr. Silvana

Carlos Chagas
Gilmar Mendes perdeu o bom-senso, fala pelos cotovelos e acusa o ex-presidente Lula de querer melar o julgamento do mensalão. Acrescenta que gangsteres tentam desmoralizar e constranger o Supremo Tribunal Federal. Defende-se de acusações não comprovadas sobre seu envolvimento com Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira, misturando sua defesa com a honra da mais alta corte nacional de justiça. Pratica o corporativismo, pretendendo que ataques e suposições contra sua pessoa signifiquem agravos contra o Poder Judiciário. Convenhamos, é muita areia para um caminhão só.
No reverso da medalha, o PT denuncia manobra daqueles que querem desmoralizar o partido e o Lula, com notórios objetivos eleitoreiros. Falando pouco, o ex-presidente revela-se indignado e acrescenta jamais haver pressionado o Supremo. O presidente do PT, Rui Falcão, restringe a crise às eleições municipais, esquecido de que os companheiros candidatos às prefeituras das capitais vão de mal a pior nas pesquisas, jamais se justificando o julgamento do mensalão como fator da derrota petista. Seria olhar a confusão com binóculos invertidos.
Na verdade, o PT e o Lula gostariam que o julgamento do mensalão não se realizasse este ano, para não tornar ainda mais desastrosa a performance dos candidatos do partido, com ênfase para a prefeitura de São Paulo e as pretensões de Fernando Haddad.
Também é certo que, no Supremo, os ministros não nomeados por Lula e por Dilma, a começar por Gilmar Mendes, solidarizaram-se com ele. Celso de Mello e Marco Aurélio Mello não pouparam o ex-presidente da República, mas os nomeados por ele e a sucessora rejeitam o corporativismo. Não se ouviram manifestações de Carmem Lúcia, César Peluso, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Dias Tofoli, Luis Fux e Rosa Weber. O próprio presidente da casa, Ayres Brito, só falou que ninguém põe a faca no pescoço do Supremo.
Do jeito que as coisas vão, entre tantas agressões e desacatos, emergirá uma explicação maior. O causador de toda essa pantomima que desmoraliza as instituições só pode ser o dr. Silvana, o arqui-inimigo da Humanidade, aquele que imagina antecipar o fim do mundo acabando com o Brasil. Aliás, há quem julgue estar disfarçado de Carlos Cachoeira…

terça-feira, 29 de maio de 2012

Cachoeira e Cavendish revivem os esquemas do PC Farias e do Mensalão

Pedro do Coutto
A excelente reportagem de Cássio Bruno e Maiá Menezes, manchete principal da edição de O Globo de sexta-feira, revela em cores impressionantes e impressionistas o que Carlos Ramos Cachoeira e Fernando Cavendish, que aparentemente renunciou à presidência da Delta Construções, reviveram em 2012 esquemas fraudulentos montados por Paulo Cesar Farias, em 90, e do Mensalão, escândalo que explodiu em 2005. São semelhantes na essência.
Os três casos, como o noticiário de 25 de maio destacou, usavam pessoas e CPFS fictícios na tentativa (vã) de escapar da fiscalização da Controladoria Geral da União e do Imposto de Renda. Foram desastrosos, todos eles. As belas e dramáticas fotos são de Marcelo Piu. Obra de arte.
A dupla Cachoeira-Delta seguiu a trilha de recorrer a personagens laranjas. Não deu certo. Tampouco poderia dar. Pois como é possível que pessoas de renda menor, faxineiras e auxiliares de serviços, como é o caso de Cristina Lacerda de Almeida, Tatiana Correia Rodrigues e Maria Aparecida Correa, poderiam tornar-se do dia para noite em sócias de subsidiárias da Delta? Um crime usar trabalhadoras às vezes desempregadas para ocultar pagamentos entre os surpreendentes empresários.
Um novo propinoduto, sem dúvida. Um canal pluvial de corrupção. O mais impressionante é que as manobras financeiras eram realizadas – claro – através de procurações que deixavam assinadas nas mãos de agentes da desonestidade. Não há outro caminho possível. Cavendish e Cachoeira movimentavam contas entre si, pagavam e recebiam, repassavam recursos evidentemente para terceiros, ocultando-se atrás das faces das três mulheres identificadas pelos repórteres de O Globo.
Além de as terem iludido sordidamente e as utilizarem, os responsáveis pela fraude ainda por cima as lançaram nos dentes afiados do leão do Imposto de Renda. Uma coisa inominável. Isto sob o aspecto moral. Sob o ângulo tributário, a corrupção sem rosto causou desvios enormes à arrecadação pública. Inclusive porque lesavam o Tesouro Público há algum tempo.
O sistema fraudulento não passou a existir a partir de agora. Nada disso. Já vinha funcionando correntemente há algum tempo. Esquemas dessa ordem, que causam desordem financeira, não são montados do dia para a noite ou da noite para o dia.
Tem que haver coincidências. Como, por exemplo, identificar e chegar a pessoas humildes que perderam seus documentos. Com o envolvimento de pelo menos uma autoridade oficial, outras identidades e CPFS eram emitidos. O que surpreende. Pois a Receita Federal e o Banco Central possuem a relação de todos os CPFS existentes.
Assim, para que pagamentos fossem concretizados através do propinoduto 2012 tornava-se insubstituível a conivência de funcionários de bancos, tanto estatais quanto particulares. Sim. Porque das duas uma: ou o CPF do laranja, no caso a laranja, era inexistente, ou falso o CPF de quem usava a respectiva procuração falsificada.
Neste plano, as atenções voltam-se para a Corregedoria da Justiça Estadual que tem como uma de suas obrigações a de fiscalizar os trabalhos dos cartórios e o reconhecimento de firmas. O setor não pode funcionar à deriva absoluta do Tribunal de Justiça. Em outro plano, falhou a visão sobre movimentos bancários suspeitos. E, na sequência, escaparam as ações ilegais dos doleiros. Estes personagens, inclusive, são responsáveis por remessas ilegais de recursos para o exterior, e de lavagem de dinheiro.
Impressionante o estágio em que se encontra a corrupção no país. E a falta de controle. Porque, neste último degrau, deveria chamar atenção do Banco Central e da Receita o movimento alto de contas de valor baixo. O que, por si, já ilumina, pelo menos, o desenrolar de operações atípicas. Como os especialistas chamam no fundo, a falta de explicação para a procedência do dinheiro pela corrupção e pelos ladrões.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É o fim do mundo!

Carlos Chagas
Para Nostradamus e para os Maias, em tempo e geografia tão diferentes, o mundo acabará dia 22 de dezembro próximo. Erraram. O mundo já acabou no fim de semana que passou. Aqui no Brasil, foi tudo pelos ares. Não sobrou nada.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acaba de acusar o ex-presidente Lula de tentar suborná-lo, propondo que se o julgamento do mensalão fosse adiado, ele poderia blindar políticos e empresários na CPI do Cachoeira.
Na mesma conversa, realizada no escritório de advocacia do ex-ministro Nelson Jobim, o ex-presidente da República, para justificar a blindagem, teria insinuado que Gilmar Mendes viajou para Berlim a fim de encontrar-se com o senador Demóstenes Torres com passagens e estadia pagas pelo bicheiro Carlos Cachoeira.
Gilmar confirmou à “Folha de S. Paulo” suas declarações dadas à revista “Veja”. O Lula não quis se pronunciar. E Nelson Jobim, sobre o encontro, disse não ter sentido pressão por parte do Lula.
Quer dizer, misturou tudo. Mais do que barro no ventilador, tempestades de cocô varrem o país de Norte a Sul. Por que estaria o Lula tão interessado em protelar o julgamento dos 38 mensaleiros na mais alta corte nacional de justiça? Por que acentuou que o julgamento seria inconveniente? Apenas para não prejudicar o PT e seus candidatos nas eleições municipais de outubro, esperando até a prescrição da maioria dos crimes de que são acusados os réus?
Ou estaria ávido de evitar a condenação de José Dirceu, o “chefe da quadrilha”? Mas por que? Ninguém esquece que durante o processo de sua cassação o ex-chefe da Casa Civil declarou que o Lula não desconhecia nada do que se passava em seu gabinete.
Dessa vez não dá para esconder a sujeira debaixo do tapete. Ela é o tapete, os móveis, a sala, a casa, o quarteirão, o bairro, a cidade, o estado e o país.
Gilmar Mendes começou a falar, outros terão que falar também, importando menos os motivos ou a singularidade de que todos os caminhos passam pelo Cachoeira. Que chegassem a José Dirceu, admitia-se, mas ao Lula?
Seria o Supremo Tribunal Federal suscetível de pressões, como o seu presidente, Ayres Brito, acaba de dizer que não é? Em nome de que, na conversa com Gilmar, o Lula teria achado possível influenciar a ministra Carmem Lúcia e o próprio Ayres Brito? Por que um encontro em Berlim com Demóstenes Torres?
E a CPI que investiga o bicheiro? Seria composta por um aglomerado de fantoches capazes de livrar a cara de políticos e empresários através da manipulação de cordéis distantes do prédio do Congresso?
Fica impossível botar a culpa na imprensa pelo fim do mundo. E pelo inevitável quadro de horror que começa a ser revelado
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E A DILMA, COMO FICA?
Nessa história surrealista da conversa entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, uma indagação não pode deixar de ser  feita: e a presidente Dilma, como fica?
Claro que solidária com o antecessor, em todas as situações, mas estaria confortável diante de  mais essa intromissão do Lula em assuntos   de seu governo? Afinal, o primeiro-companheiro teria tentado interferir nas prerrogativas do Judiciário, a começar pela  marcação de  data de seus julgamentos.
Outra iniciativa  igualmente indevida do ex-presidente veio no reverso da medalha: dispôs-se a blindar políticos e empresários nos trabalhos da CPI do Cachoeira,  ou seja,  intrometendo-se na alçada exclusiva do  Legislativo.
A chefe do Executivo vem mantendo  o delicado equilíbrio entre os poderes da União, coisa que  seu mentor e conselheiro quis abagunçar.  Mesmo como  líder  inconteste do PT, que tenta salvar  do  naufrágio, o Lula agiu como condômino principal do governo, o que não terá agradado a sucessora.
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NEM TANTO, SENHOR MINISTRO…
Extrapolou o presidente do Supremo, Ayres Brito, ao dizer que a mais alta corte nacional de justiça está vacinada e não aceita “faca no pescoço”. Mais ou menos, porque o passado está cheio de exemplos em sentido contrário.
O então presidente Floriano Peixoto mandou prender alguns deputados, apesar de a Constituição  proibir. Rui Barbosa impetrou habeas-corpus em favor deles, junto ao Supremo. Um ministro, assustado, indagou do marechal o que aconteceria se o Supremo concedesse a medida e  veio a resposta: “E quem dará habeas-corpus ao Supremo?” Por via das dúvidas a corte  não se pronunciou e os deputados foram mandados para o interior da Amazônia…
Café Filho, presidente da Republica, teria sido  acometido de um pequeno enfarte. Licenciou-se, diziam seus adversários apenas  para estimular o golpe que seu substituto daria nas instituições, impedindo a posse do sucessor eleito, Juscelino Kubitschek.  O general Lott acabou com  a brincadeira, garantindo os direitos do futuro presidente. Café Filho ficou bom de repente e anunciou que voltaria.
Bem que o ministro da Guerra tentou dissuadi-lo com palavras, mas, não conseguindo, botou de novo a tropa  na rua e Café Filho em prisão domiciliar. Logo ele impetrou mandado de segurança junto ao Supremo para garantir-lhe o direito de reassumir. Olhando os tanques estacionados na Avenida Rio Branco, os ministros escusaram-se de apreciar o recurso, alegando  motivos de força maior.
Só para ficarmos num terceiro momento de nossa crônica política: os militares tomaram o poder, depondo o governo constitucional de João Goulart, e baixaram o primeiro Ato Institucional, estabelecendo que suas determinações estariam à margem  de apreciação judicial. Rasgaram incontáveis vezes a Constituição e as leis, cassaram mandatos aos montes, impuseram eleições indiretas, criaram os senadores biônicos, puseram o Congresso em recesso e dissolveram os partidos políticos. O Supremo apenas assistiu os diversos capítulos daquela novela de horror, sem se pronunciar. Era ou não a faca no pescoço?  

domingo, 27 de maio de 2012

Jobim nega pressão de Lula sobre STF para adiar julgamento do mensalão

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca a CPI do Cachoeira.
Reportagem da revista Veja publicada neste sábado relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é “inconveniente” e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista. Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
“O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso”, reagiu Jobim, questionado pelo Estado. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão”, reiterou.
Segundo a revista, Gilmar confirmou o teor dos diálogos e se disse “perplexo” com as “insinuações” do ex-presidente. Lula teria perguntado a ele sobre uma viagem a Berlim, aludindo a boatos sobre um encontro do ministro do STF com Demóstenes da capital alemã, supostamente pago por Cachoeira.
Ele teria manifestado preocupação com o ministro Ricardo Lewandowski, que deve encerrar o voto revisor do mensalão em junho; e adiantado que acionaria o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado à ministra do STF Carmen Lúcia, para que ela apoiasse a estratégia de adiar o julgamento para 2013.
Jobim disse, sem entrar em detalhes, que na conversa foram tratadas apenas questões “genéricas”, “institucionais”. E que em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório, como relatou Veja. “Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes, durante todo o tempo nós ficamos juntos”, assegurou.
Questionado se o ministro do STF mentiu sobre a conversa, Jobim respondeu: “Não poderia emitir juízo sobre o que o Gilmar fez ou deixou de fazer”.
Procurado pelo Estado, Pertence negou ter sido acionado para que intercedesse junto a Carmen Lúcia: “Não fui procurado e não creio que o ex-presidente Lula pretendesse falar alguma coisa comigo a esse respeito”.
(Transcrito do site do Estadão.
Texto enviado pelo comentarista Evandro Carlos)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

‘Qualquer fala de Cachoeira seria perigosa’, afirma Márcio Thomaz Bastos (que será remunerado com dinheiro oriundo de atividades criminosas)


Fausto Macedo (Estadão)

Advogado de defesa do contraventor Carlinhos Cachoeira, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, avalia que o silêncio que marcou a audiência desta terça-feira, 22, não caracterizou afronta à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações de seu cliente com políticos e autoridades. “É direito constitucional”, resume.
Pouco depois de deixar o Congresso, Thomaz Bastos falou sobre a sessão no âmbito político. Segundo ele, são “três os requisitos” para que Cachoeira possa responder às indagações da CPI – um desses requisitos, ele diz, é aguardar julgamento do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região de uma demanda em que a defesa põe em xeque a legalidade dos grampos da Polícia Federal feitas no curso da Operação Monte Carlo. Enquanto isso, Cachoeira continua preso.
Qual a sua avaliação da audiência?
Eu entendo que tudo transcorreu como esperado, ele (Carlinhos Cachoeira) não ia falar mesmo. Estava anunciado. Enquanto a gente não tiver analisado a íntegra de todos os autos da investigação não dá para ele falar.
O que a defesa quer?
São três requisitos. Primeiro, temos de analisar os documentos, é muita coisa, agora vai chegando ao fim. Outra coisa: tem um habeas corpus que impetramos no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, questionando a legalidade das interceptações telefônicas (da Operação Monte Carlo). O terceiro obstáculo, talvez o mais importante, é que está marcada para o próximo dia 31 audiência (de Cachoeira) na Justiça (em Goiânia), audiência de instrução, debate e julgamento.
Antes disso ele não fala?
Antes disso, qualquer fala dele (Cachoeira) seria perigosa. Por isso eu acho que a comissão entendeu perfeitamente. (Cachoeira) Manteve o silêncio, um silêncio respeitoso, e a coisa correu bem.
Ele não afrontou a CPI ao permanecer calado?
De jeito nenhum. (O silêncio) não caracteriza (afronta). É direito constitucional. Inclusive, o ministro Celso de Mello (do Supremo Tribunal Federal), na decisão proferida ontem (segunda-feira) expressamente fez uma ressalva de que ele tem esse direito, o sujeito que é investigado tem esse direito de não falar. Ele (Cachoeira) não prestou o compromisso e o próprio presidente (da CPI) achou que não era o caso. (Cachoeira) Calou-se.
Não foi constrangedor?
Em nenhum momento, em nenhum momento. Ao contrário, foi uma coisa respeitosa. Correu tudo muito bem.
O próximo passo?
Estamos trabalhando para obter a liberdade dele (Cachoeira). É para isso que estamos trabalhando.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Até o cabo Anselmo, agente duplo da ditadura, quer receber a Bolsa-Ditadura. Era só o que faltava.


Carlos Newton

É inacreditável. Até mesmo o agente duplo José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, quer receber a chamada Bolsa-Ditadura. A Comissão de Anistia julga hoje o caso do ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político. Ele entrou com o processo na comissão
Como se sabe, o cabo Anselmo liderou a revolta na Marinha, chegou a fugir e viver no exílio, inclusive em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, foi preso no início dos anos 70. Em troca da liberdade delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura.
Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo e sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura. Em entrevista ao programa “Roda Viva”, em outubro do ano passado, disse que não se arrepende de nada do que fez, nem de ter entregado militantes à morte, assassinados em emboscadas armadas pelas forças de repressão. O ex-militar estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime militar, vejam só que belo tipo faceiro…
O relator do processo na comissão é o jornalista Nilmário Miranda, ex-preso político e ex-ministro dos Direitos Humanos no primeiro mandato do ex-presidente Lula. Ele vai votar contra a concessão da Bolsa-Ditadura, é claro. Anselmo merece apodrecer no inferno, é um ser desprezível e abjeto.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Esta nação corrompida

Carlos Chagas
Sempre foi assim? Com certeza. Nem vale à pena, hoje, descer aos meandros das duas ditaduras mais recentes que nos assolaram, a do Estado Novo, de 1937 a 1945, e a Militar, de 1964 a 1985. Horrores se sucederam nos dois períodos, do massacre das estruturas democráticas aos crimes praticados por agentes do poder público contra quantos se insurgiam diante da distorção dos valores devidos a uma sociedade iludida pelo sonho de tornar-se dona dos seus próprios destinos. Fica para outro dia abordar a abominável violência praticada contra o ser humano e contra as instituições duramente construídas através dos anos, nessas duas fases da vida nacional.
Importa, acima e além dos passados regimes geridos pela exceção, focalizar o nosso comportamento em tempos ditos normais, à maneira do atual, que os detentores do poder exaltam como ímpar em nossa História, 28 anos de democracia, jamais registrados desde a proclamação da República…
Vamos começar de baixo. Qual o pintor de paredes que, contratado para reformar uma casa, deixa de misturar mais água na tinta, para o serviço precisar ser refeito muito antes do que deveria valer o preço cobrado pela pintura? Qual o mecânico que, contratado para consertar um motor, supre a deficiência à vista, mas deixa outra encoberta, ou até a engatilha, para o freguês voltar no mês seguinte? Qual o operário que, podendo valer-se de um atestado médico, mesmo sem corresponder a uma doença real, deixa de apresentá-lo para gozar de um ócio imerecido?
O “seu” Manoel ali do açougue da esquina bota osso enrustido na balança, em vez de carne, para tapear a dona de casa. O dono do supermercado põe 900 gramas de arroz num plástico que anuncia conter um quilo. Ele e o seu fornecedor, é claro.
Subindo sempre, um banco apregoa lucros fantásticos para o correntista se ele investir num de seus mirabolantes planos, mas deixa de alertá-lo para impostos e até comissões ocultas no sorriso de seus vendedores. Uma empreiteira candidata-se a obras públicas oferecendo preços mais baixos, ainda que depois de ganhar a concorrência, imponha reajustes capazes de tornar seu trabalho muito mais caro do que os vigentes no mercado.
Claro que o funcionário ou o partido político que aprovaram o contrato recebem presentes e propinas bem acima de seus vencimentos ou contribuições. Quando se trata dos grandes servidores públicos, que por razões variadas precisaram deixar o cargo, não resistem à tentação de tornarem-se consultores das empresas que privilegiaram. Ou até programaram toda a equação.
No caso dos partidos, se conseguem galgar o poder, esquecem propostas éticas dos tempos de oposição para transformar-se em quadrilhas empenhadas no enriquecimento de seus dirigentes.
O deputado aquinhoado com vultosas doações para sua campanha eleitoral jamais deixará de aprovar projetos favoráveis ao doador, mesmo duvidosos. Quantos juízes arquivam processos ou decidem de acordo com os interesses do escritório de advocacia que, por coincidência, pertence a seus filhos ou sócios antigos e futuros?
Mas tem mais. Qual a organização religiosa que não recolhe fortunas ameaçando os incautos com o fogo do inferno ou prometendo o passaporte para o paraíso? Qual o meio de comunicação, grande ou pequeno, que não subordina a notícia aos interesses de seu proprietário? Ou à inclinação política e ideológica de seus artífices?
Longe de ser exceções, tornaram-se regra os toscos exemplos acima referidos. Verticalizando as situações, não escapa ninguém, tanto faz se nas democracias ou nas ditaduras, nos trópicos ou nas estepes. A corrupção deixou de ser periférica para tornar-se parte obrigatória nas entranhas de todos nós. O pior é que não tem saída. Somos uma nação corrompida.

domingo, 20 de maio de 2012

Comissão da Verdade atende a interesses políticos entrincheirados


Celso Botelho

Fui, sou e sempre serei contra todo e qualquer regime autoritário e, caso tenha oportunidade, sempre os combaterei. Mas esta bodega de Comissão da Verdade não passa mais um dos circos armados pelos petistas. Estas tralhas que hoje ocupam o poder e rotulam-se de democratas naquela época defendiam e posicionavam-se dentro de concepções stalinistas e maoistas (José Serra, José Dirceu, José Genuíno, Fernando Gabeira, Wladimir Palmeira, Tarso Genro, Franklin Martins, Dilma Rousseff etc.).
Não se opunham à ditadura militar defendendo o restabelecimento do Estado Democrático de Direito e sim sua substituição por uma ditadura nos moldes soviético, cubano ou chinês.
Se for para apurar, então que se apure também a atuação das organizações clandestinas que praticaram crimes semelhantes aos dos agentes do Estado (assassinato, justiciamentos, assaltos, tortura etc.).
Essa conversa “do presidenta” de contar a história em sua plenitude é uma bobagem, pois a história não possui uma verdade. Os historiadores trabalham com fragmentos de acontecimentos do passado e, após muita pesquisa, os interpretam e, como são produtos da sociedade em que vivem, suas interpretações jamais serão neutras, imparciais. Não existe em história o “do jeito que aconteceu”.
Pesquisem sobre alguns membros da tal Comissão e verão que, de uma forma ou de outra, não são nada isentos. Crimes são crimes e, portanto, não importa qual dos lados os cometeram. Se é para apurar, que se faça em ambos os lados. Essa gente que se diz de esquerda e que derrotou a ditadura está mentindo. Todos sabem que foram aniquilados e que a ditadura só teve fim porque foi uma concessão dos militares fundamentada na Lei da Anistia, em que foi acordado o esquecimento entre as lideranças civis da época e os militares.
Porque não se constituiu Comissão da Verdade após março de 1985, quando todos ainda estavam bem vivos e revogou-se a Lei da Anistia. Essa Comissão se prestará somente para o atendimento de interesses políticos e econômicos entrincheirados, além de satisfazer o ódio reprimido numa revanche que não trará contribuição alguma para o país.
De mais a mais, um país que não consegue apurar crimes de homicídio como o assassnato de PC Farias em 1996, Celso Daniel em 2002 ou julgar os réus do escândalo do Mensalão desde 2005, com certeza não apurará coisa alguma em apenas dois anos, ainda com a agravante de pretender abarcar de 1946 a 1988.

sábado, 19 de maio de 2012

Por enquanto, uma pantomima

Carlos Chagas
De vez em quando a gente consegue ver as coisas um pouquinho antes que se concretizem. Mero golpe da sorte. Desde que se constituiu a CPI do Cachoeira que temos referido sua inocuidade, não porque deixasse de ser necessária, até imprescindível, sequer porque as investigações já haviam sido feitas pela Polícia Federal, em termos das trapalhadas do bicheiro e sua relações com políticos, governantes e empresários.
Nossa afirmação inicial foi de que a CPI não daria em nada por falta de ânimo dos partidos que a compõem de apurar as verdadeiras responsabilidades. Seria apenas um campeonato de blindagem, com PT, PMDB, PSDB e outros empenhados em preservar seus integrantes e, como conseqüência, beneficiando o próprio Cachoeira.
Não deu outra. Caracterizou-se quinta-feira o acordão celebrado no grupo de deputados e senadores. Devagar, quase parando, a CPI transformou-se numa pantomima. Salvo milagre, concluirá apenas que Cachoeira é um bandido e que Demóstenes Torres era seu braço parlamentar. Tudo isso era conhecido e tinha sido publicado.
Investigar a participação de governadores, deputados e empreiteiros, nada feito. Verificar se houve corrupção nos contratos de obras do PAC com a Delta Engenharia, também não. Arrastam-se os trabalhos numa espécie de concluio maior do qual escapam poucos parlamentares,do tipo Miro Teixeira e Pedro Taques. Convenhamos, melhor seria esquecer a CPI, se ela continuar preservando bandidos, cúmplices e beneficiários.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Investigação, só dos crimes praticados pela ditadura

Carlos Chagas
Coube ao locutor que apresentou a cerimônia, ontem, a fundamental definição sobre a Comissão da Verdade, então instalada: “Seu objetivo será de apurar as violações aos direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro, até hoje não esclarecidas”.
O anônimo personagem foi mais claro do que os oradores ouvidos a seguir, mesmo a presidente Dilma. Ela elogiou, reconheceu e valorizou quantos “enfrentaram bravamente a truculência da ditadura”, mas foi o locutor a deixar claro que a Comissão da Verdade não investigará atos praticados por quantos se opuseram ao regime militar apelando para atos criminosos.
Resolve-se, assim, o primeiro impasse que cercava a Comissão da Verdade, porque um dos seus sete membros, José Carlos Dias, havia defendido a apuração dos excessos dos agentes do Estado e também dos terroristas, logo contraditado por seu colega Paulo Sérgio Pinheiro, ao sustentar que aqueles que pegaram em armas contra o regime de exceção já haviam sido julgados, condenados e punidos. O próprio José Carlos Dias, por conta da celeuma escolhido para discursar como representante dos sete, voltou atrás e disse que os abusos verificados na luta contra a ditadura não justifivam os atos de violência do Estado.
A solenidade contou com a presença dos comandantes das três forças armadas e do chefe do Estado-Maior conjunto, além de quatro ex-presidentes da República, José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva.
A presidente Dilma, em seu pronunciamento, fez questão de ressaltar a ação do falecido presidente Itamar Franco e sua trajetória pelas liberdades públicas, sem concessões ao autoritarismo. Lembrou que Fernando Collor mandou abrir os arquivos do DOPS de São Paulo e do Rio. Citou Fernando Henrique, que sancionou a Lei Sobre Mortos e Desaparecidos, quando o Estado reconheceu sua responsabilidade. Exaltou o Lula na luta pelos direitos humanos e a criação da Comissão da Verdade. Para não deixar Sarney de fora, referiu-se ao seu papel de consolidar a transição para a democracia, iniciado por Tancredo Neves.
Prova de maturidade democrática, mas com uma pitada de cara de pau, foi a presença dos quatro ex-presidentes. Porque não dá para esquecer que Fernando Collor ameaçou prender José Sarney, que Fernando Henrique disse o diabo de Luís Inácio da Silva e que o Lula não poupou os antecessores em todas as comparações feitas entre sua administração e as anteriores.
Com familiares de mortos e desaparecidos, vítimas do regime militar, a posse dos sete integrantes da Comissão da Verdade terá servido para afastar de seus trabalhos a sombra do revanchismo, do ressentimento e do ódio? Tomara que sim, ainda que jamais do perdão aos crimes cometidos pelos detentores do poder de exceção. Quem assim se exprimiu foi a própria presidente Dilma, que chegou às lágrimas ao referir-se “aos 28 benditos anos do regime democrático”.
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DISPUTA ENRUSTIDA
O Conselho de Ética do Senado continuava ontem na disposição de ouvir o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlos Cachoeira, sem fazer caso do adiamento desses depoimentos na CPI mista por decisão do Supremo Tribunal Federal. Percebe-se uma disputa surda entre os senadores encarregados de decidir apenas se Demóstenes faltou ao pudor e os integrantes da CPI cujo objetivo é apurar as atividades e ligações do Cachoeira com políticos, governantes e empresários. Há quem suponha a degola do representante de Goiás ainda no primeiro semestre, enquanto a por enquanto lenta ação da CPI possa estender-se por mais tempo.
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RECUPERAÇÃO
Quem acompanhou de perto a passagem do Lula por Brasília, ontem, verificou estar o ex-presidente recuperando-se bem, inclusive dos problemas em sua perna direita. Sem precisar utilizar a bengala, ele permaneceu todo o tempo da solenidade de instalação da Comissão da Verdade sob o foco das atenções gerais. Ouvidos atentos perceberam que cumprimentou a presidente Dilma por sua performance da véspera, quando depois de vaiada por um grupo de prefeitos, foi de dedo em riste em cima de Paulo Zukowski, da federação dos municípios, sem fazer concessões ao populismo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

CPI deve ser aberta tanto à defesa quanto à acusação: direito é o mesmo

Pedro do Coutto
Reportagem de Chico de Gois e Paulo Cesar Pereira, O Globo de sexta-feira, focalizou o clima tenso que marcou os trabalhos da CPI Carlos Ramos Cachoeira pelo fato de o presidente da Comissão, senador Vital do Rego, ter autorizado a presença na sessão (que foi secreta) dos advogados do ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu, do senador Demóstenes Torres e, claro, do próprio Cachoeira.
O senador Cássio Cunha Lima e a senadora Kátia Abreu afirmaram-se indignados. O depoimento, primeiro da série, foi do delegado Mateus Rodrigues que, pelo publicado em vários jornais, desfechou ataques contra o governador Marconi Perillo e o procurador Roberto Gurgel.
A reação dirigiu-se à decisão do senador Vital do Rego, que se defendeu baseando-se na analogia encontrada no Código de Processo Penal. Os advogados têm direito de acompanhar os depoimentos dos réus. Porém, no caso, ainda não existem réus e sim acusados. Além do mais, nenhuma das pessoas acusadas estava sendo ouvida e sim um delegado, é verdade que como testemunha de acusação.
Em minha opinião, Cunha Lima e Kátia Abreu deveriam ter cobrado do presidente da CPI a coerência lógica e indispensável. Se os defensores possuem o direito de assistir aos depoimentos de uma sessão que é secreta, a acusação também tem. Neste caso, Vital do Rego deveria ter comunicado sua decisão, não apenas aos parlamentares, mas também ao Procurador Geral, Roberto Gurgel, chefe do Ministério Público. Que, inclusive, não tem voto, mas tem voz no Supremo Tribunal.
Houve uma desigualdade que, provavelmente, já na semana que se inicia, Roberto Gurgel deve agir para apagar. E a propósito de desigualdade, me vem à memória um editorial histórico do Correio da Manhã, 1954, de Oto Maria Carpeaux, sobre as investigações policiais em torno do atentado da Rua Toneleros, 5 de agosto, que antecedeu em 19 dias o trágico desfecho do presidente Vargas.
Preso Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente e os executores do atentado que mudou a história, Alcino, Climério e Soares, foram recolhidos ao quartel da PM na Rua Evaristo da Veiga. Poucos dias depois seriam transferidos para dependências do Ministério da Aeronáutica no Galeão.
O inquérito começou secreto. Mas não sei por qual razão, apenas o jornalista Carlos Lacerda tinha acesso aos depoimentos. A dualidade era difícil. Ele, ao mesmo tempo, era vítima da tentativa de assassinato e diretor proprietário da Tribuna da Imprensa. Hélio Fernandes só assumiu o jornal em 1962. Os trabalhos começavam pela manhã e se encerravam às 17 horas.
Lacerda então reunia os repórteres que lotavam a sala da entrevista e divulgava sua versão sobre os depoimentos. O Correio da Manhã não aceitou a exclusividade. Ou participam todos os profissionais escalados para a cobertura, ou então os jornais se retiram. Como esta hipótese era impossível, já que a ausência prejudicaria a opinião pública, portanto o país, o general Emílio Maurel Filho, à frente do processo, determinou a abertura dos trabalhos aos repórteres e fotógrafos de maneira geral.
Igualdade é a palavra certa para a decisão de Maurel, que, um ano depois, presidiria a investigação sobre a falsidade da Carta Brandi. Mas esta é outra história. Quando se tornar oportuno, comentarei esse episódio.
Falando em igualdade, em matéria do princípio, não foi no meio da tormenta a única e bela atitude do Correio da Manhã. A segunda ocorreu com Café Filho, quando o Banco do Brasil, credor, partia para a liquidação do jornal Última Hora. Carlos Lacerda, novamente, na liderança da pressão. Samuel Wainer devia ao BB e não tinha dinheiro. Ia à falência. Mas suas dívidas foram pagas por Moreira Sales, Ermírio de Moraes, pai e o conde Matarazzo.
Lacerda ficou furioso e exigia o nome dos financiadores. O Correio da Manhã, embora adversário de Wainer, o defendeu: não é direito de o credor saber quem pagou pelo devedor. Pagas as dívidas, a igualdade e a liberdade prevaleceram.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Thomaz Bastos ganha o primeiro round: Cachoeira não vai à CPI

Carlos Newton

Os jornais anunciam que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar requerida pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos em favor do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suspendendo o depoimento que o empresário faria na CPI que investiga as relações dele com agentes públicos e privados.
Os membros da CPI já trabalhavam com a possibilidade até mesmo de reconvocar o empresário, caso ele ficasse em silêncio durante o depoimento, como a defesa do empresário havia previsto, alegando que ele não teve acesso a todas as peças de acusação.
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A MULHER DE GURGEL
O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou requerimento para convocar a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques para depor na CPI do Cachoeira. O pedido para trazer à comissão a mulher do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, baseia-se no depoimento do delegado Raul Alexandre Marques Sousa, responsável pela Operação Vegas.
O delegado disse que Cláudia, designada pelo marido para cuidar do caso, alegou não ter encontrado indícios para pedir abertura de investigação contra parlamentares por envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira em 2009 no Supremo Tribunal Federal.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, Cláudia disse que a decisão de segurar a apuração foi tomada à época em conjunto com Marques Sousa. Ela considerou que a decisão foi acertada pelo resultado que a Operação Monte Carlo teve, ao levar à prisão Cachoeira e mostrar indícios concretos da participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e dois deputados com o contraventor.
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A CULPA É DO MENSALÃO
“Não foi uma decisão minha. Foi nossa. Entendi que não tinha elementos na época para ir ao STF. Poderia ter conversas relevantes no aspecto político ou ético, mas não tinha crime. Decidimos que era conveniente esperar”, afirmou a procuradora, que disse estar à disposição para ir à CPI esclarecer sua participação.
Ela atribuiu o questionamento feito por parlamentares à sua atuação a uma tentativa de desgastar seu marido às vésperas do julgamento do mensalão.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Meirelles teve aval de Lula para J&F comprar Delta

Meirelles teve aval de Lula para J&F comprar Delta Foto: Divulgação_Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Quando disse que “governo foi consultado” a respeito da aquisição, sem dispêndio de recursos, da empreiteira pela holding do agronegócio, José Batista Júnior cometeu um ato falho; o que houve, isso sim, foi uma conversa entre Henrique Meirelles e o ex-presidente Lula.

 A ser anunciada oficialmente nesta segunda-feira 14, a compra, sem uso de dinheiro ou qualquer outro meio de pagamento, da Delta Construções pela J&F, holding que controla o frigorífico JBS, teve um ato falho de comunicação. Em entrevista, o empresário José Batista Júnior, principal acionista da ponta compradora, informou que, claro, sem dúvida, o governo havia consultado sobre o negócio. Primeiro o BNDES e, em seguida, o Palácio do Planalto, trataram, em notas oficiais, na semana passada, de desmentir a palavra do empresário. Ficou no ar, então, a dúvida, diante das versões díspares, sobre onde estavam a verdade e a mentira.
Pode-se atribuir, agora, todo o caso a, digamos, um ato falho. Na verdade, o que aconteceu foi uma conversa a respeito entre o presidente do conselho de administração da J&F, o ex-presidente do BC Henrique Meirelles, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este sim foi consultado e deu seu aval, segundo apurou a jornalista Clauda Safatle, do jornal Valor Econômico. O posicionamento de Lula é coerente com sua postura sempre favorável aos movimentos da família Batista. Em seu governo, a BNDESPar tornou-se a maior parceira do grupo, chegando aos atuais 31% de participação na JBS, principal joia da coroa da holding J&F. O aval de Lula, porém, divergiu da posição da presidente Dilma Rousseff, que prefere a alternativa da declaração da Delta como empresa inidônea – o que está prestes a acontecer na seara da Controladoria Geral da União – e absorção de seus contratos no PAC, estimados em R$ 4 bilhões, pelas empreiteiras que com a Delta participavam de consórcios. Uma solução, no entendimento do Planalto, bem mais natural do que a manobra de compra, sem uso de dinheiro, de uma empreiteira por um frigorífico. Amuada agora com Lula, Dilma poderá rir melhor nesse caso – se a empreiteira de Fernando Cavendish for mesmo declarada inidônea, ela perderá seus contratos e, por extensão, o interesse da J&F em seus complicados negócios. Resta avisar ao empresário José Batista Junior que Lula continua poderoso, ok, mas não está mais no governo.
Abaixo, reportagem de Claudia Safatle publicada na edição desta segunda 14 no jornal Valor Econômico:
Por Claudia Safatle, Valor Econômico - Um equívoco de interlocução está na origem da troca de notas oficiais e da postura do Palácio do Planalto em relação às negociações para a compra da Delta pela J&F, holding que controla o frigorífico JBS. Desde o início o Planalto informou que não foi consultado e que não aprovava essa aquisição. A Delta está no centro das denúncias de corrupção no esquema de Carlinhos Cachoeira; é responsável por diversas obras do PAC; e deve ser decretada "inidônea" pela Controladoria-Geral da União. Se isso se confirmar ela perderá os contratos existentes com o governo.
Houve uma conversa do ex-presidente do BC e presidente do conselho de administração da J&F, Henrique Meirelles, mas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme informações que chegaram ao Planalto. Meirelles não falou com ninguém do atual governo, sustentam fontes da Presidência.
Em entrevista à "Folha de S. Paulo", na sexta-feira, o empresário José Batista Júnior, um dos donos do JBS, garantiu que o governo foi consultado. "Conversa de bêbado, de louco", disse ele, referindo-se à informações de que a presidente Dilma Rousseff não teria sido avisada.
Assessores da presidente começaram a redigir a nota do Planalto em que deixam claro: "São falsas, portanto, as ilações de que a referida operação teve aval deste governo".
Em seguida, coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, entrar em contato com o grupo empresarial. Após a intervenção do ministro, a J&F divulgou nota em que desautoriza a entrevista de Batista Júnior e diz ainda que as declarações "refletem única e exclusivamente uma opinião pessoal, que está em completo desacordo com os fatos ocorridos".

Futuro dono da Delta foi maior doador de Dilma

Futuro dono da Delta foi maior doador de Dilma Foto: Edição/247

Grupo JBS Friboi fez doações que totalizaram R$ 12 milhões, bem à frente das demais empreiteiras; nesta segunda-feira, Joesley Batista deve formalizar a aquisição da empresa que era de Fernando Cavendish; reportagem da Folha de 2005 já apontou contrato de gaveta com o BNDES


247 – Nenhum grupo econômico cresceu tanto no Brasil desde a chegada do PT ao poder quanto o JBS Friboi. Com capital do BNDES turbinando sua expansão, a empresa se tornou o maior grupo de proteína animal do mundo. Com apoio de fundos de pensão, constrói também no Centro-Oeste um dos maiores polos de celulose e eucalipto do planeta. E, nesta segunda-feira, deve formalizar sua entrada no mundo da construção pesada, adquirindo, por preço simbólico, a Delta, que era de Fernando Cavendish.
No comando do grupo, o empresário Joesley Batista tem demonstrado habilidade para transitar junto ao poder. Na campanha presidencial de 2010, o JBS foi o maior doador de Dilma Rousseff, com 12 milhões, quase 10% dos R$ 145 milhões que foram arrecadados pela candidata do PT. Mesmo sem ser construtora, à época, o JBS ficou à frente das empreiteiras, que, tradicionalmente, são os grandes doadoras de campanha no Brasil. A Andrade Gutierrez, por exemplo, doou R$ 4,5 milhões, abaixo dos R$ 5,1 milhões da Queiroz Galvão e dos R$ 8,5 milhões da Camargo Corrêa.
Portanto, o JBS Friboi estreará no mundo da construção pesada com relações já azeitadas com os poderosos. Mas a proximidade com o BNDES, que emprestou mais de R$ 3,5 bilhões à empresa, também gera críticas que vêm desde o início do governo Lula. Em 2005, uma reportagem da Folha de S. Paulo, em que os donos do Friboi eram acusados de cartelização, revelou que o grupo tinha um contrato de gaveta com o BNDES – o que foi captado, numa conversa telefônica, de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley.
Essa relação simbiótica com o BNDES faz do grupo JBS Friboi o melhor exemplo do “capitalismo de Estado” que tem prevalecido no Brasil dos últimos anos. Mas, assim como cria oportunidades de negócio para a família Batista, também põe em risco alguns projetos políticos. José Batista Júnior, por exemplo, quer ser governador de Goiás, pelo PSB. Mas, para um estado já traumatizado com a influência do esquema Delta-Cachoeira, não será tão simples eleger o futuro dono da Delta, ainda que José Batista Júnior alegue ter deixado o grupo há sete anos.
Da carne às obras
Neste fim de semana, Joesley foi capa da revista Istoé Dinheiro, que tratou da nova tacada do grupo e da diversificação dos seus negócios. O grupo, com mais de 50 mil funcionários, já fatura R$ 70 bilhões e compete, com a Vale, pelo posto de maior empresa privada do Brasil.
Com a Delta, virão mais 31 mil empregados. “Nosso objetivo é honrar os contratos e preservar os empregos”, disse Joesley Batista, em comunicado sobre a transação. Henrique Meirelles, contratado para comandar os negócios do grupo, também defendeu a operação. “A Delta, na situação em que está, é uma grande oportunidade para o grupo entrar em infraestrutura, um desejo que já existia antes”, afirmou Meirelles. Fernando Cavendish, que comandava a Delta, mandou carta aos funcionários se despedindo e avisando que saía para preservar os empregos.

sábado, 12 de maio de 2012

Políticos na Suécia: sem luxos e sem mordomias!

O escândalo da paralisação da construção das usinas nucleares versus o escândalo


Profa. Guilhermina Coimbra

Importante sem dúvida é atacar a corrupção, em todos os seus níveis governamentais. Porém, há que se ter em mente que os grandes escândalos no Brasil e na política de modo geral, sempre tiveram e continuam tendo o objetivo de distrair a atenção para escândalos bem maiores.
Costumam desviar a atenção, por exemplo, de escândalos bem maiores, como negociatas com bens públicos inegociáveis. Os escândalos até podem ser utilizados para esconder, outro exemplo, objetivos de paralisar o desenvolvimento do Brasil.
Os jornais noticiam que o governo declara que não vai mais construir as usinas nucleares programadas. Vale dizer:
* O governo capitulou e concordou em não concorrer no Mercado Internacional da Energia Nuclear;
* O governo – através dos escândalos da corrupção,contando com a distração e o que pensa ser a ignorância da população brasileira – concordou em deixar os concorrentes acabarem de se locupletar, como vêm se locupletando há anos (através dos consórcios que distribuem a matéria-prima in natura nuclear retirada do subsolo do Brasil, como “cliente preferencial”;
* O governo concordou em, posteriormente, vir a comprar tecnologia pelo Brasil, quando a necessidade obrigar o paísl a construir as usinas que estão programadas há mais de 30 anos;
* E o governo ¨deixou-se convencer” e concordou em comprar tecnologia dispendiosa e inaceitável para um país como o Brasil (eólica, solar) como forma de energizar o Brasil.
São vergonhosos os “argumentos de autoridade” expostos nos jornais.
Deixam tantas desconfianças que dá até para indagar: quem está ganhando ou vai ganhar o quê, quanto e de quem – “para argumentar autoritariamente” com os argumentos falaciosos utilizados.

Como se estivessem “argumentando autoritariamente” para uma massa acéfala. Como se o Brasil fosse uma massa de ignorantes. Como se pudessem desprezar, impunemente, a inteligência, a sagacidade – e a percepção da população brasileira.da corrupção

quarta-feira, 9 de maio de 2012

UMA HISTÓRIA MUITO ESTRANHA



Pode ser uma tremenda coincidência, mas soa muito estranha essa história do roubo ao apartamento do vice-governador Pezão justamente neste momento em que Cabral e seu governo estão no corner, mais acuados do que jamais estiveram. É bom ficar de olho para ver se não estão tramando alguma jogada para ser usada depois.
Segundo as informações da assessoria de Pezão aos jornais, ele viajara e estava fora do Rio, não quiseram informar o seu destino, mas como dizeram que ele só chegasse no dia seguinte para ver o que foi furtado do apartamento onde mora no Leblon, presumiu-se que estivesse fora do país (…e estava na Itália).
Eu já fui governador, conheço os protocolos de segurança. Só não me venham com conversa fiada de que quando o vice-governador viaja, a sua residência fica sem proteção, sem seguranças, porque eu sei que isso não acontece. Por isso aumenta a estranheza. Como arrombaram o apartamento e a segurança não tomou conhecimento? Vamos aguardar.  Mas que essa história está esquisita, lá isso está.
Em tempo (18h30m): Já está confirmado que Pezão está de férias na Itália. É mais um a esbanjar o dinheiro do povo levando vida de milionário mundo afora. Mas confesso que fiquei boquiaberto com o que está no site O Dia online que faço questão de reproduzir. A polícia encontrou em cima da cama 15 caixas de jóias abertas. Não foi uma, nem duas, nem três. Foram 15 caixas de jóias e nem se sabe quantas peças havia em cada caixa. Isso é coisa de magnata. Aliás, Beltrame a esta hora deve estar arrancando os cabelos porque os policiais divulgaram essa informação para a imprensa. Queria saber como Pezão arruma dinheiro para encher sua mulher de jóias? É uma verdadeira orgia com o dinheiro público.

segunda-feira, 7 de maio de 2012


Delta acusa Cesar Maia de calote

Delta acusa Cesar Maia de caloteFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

NOVO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA-ALVO DA CPI DO CACHOEIRA, CARLOS ALBERTO VERDINI, AFIRMA QUE A PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO NÃO PAGOU UMA DÍVIDA RELATIVA AO ESTÁDIO DO ENGENHÃO, INAUGURADO EM 2007

07 de Maio de 2012 às 04:53
247 – A Delta, empreiteira acusada de conquistar projetos públicos milionários de forma ilícita, afirma agora ter tomado um calote da Prefeitura do Rio de Janeiro. O novo presidente do Conselho de Administração, Carlos Alberto Verdini, alega que a empresa não recebeu uma dívida relativa ao estádio do Engenhão, inaugurado em 2007. A obra causou polêmica porque o orçamento inicial, de R$ 60 milhões, fechou em R$ 350 milhões, em valores da época.
Leia na matéria de Claudia Antunes, da Folha:
O novo presidente do Conselho de Administração da Delta, Carlos Alberto Verdini, acusou o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) de ter deixado de pagar uma dívida à empreiteira relativa ao estádio do Engenhão, inaugurado em 2007.
A obra causou polêmica porque o orçamento inicial, de R$ 60 milhões, fechou em R$ 350 milhões, em valores da época.
A Delta é um dos alvos de CPI no Congresso que apura as relações do empresário de jogos de azar Carlos Cachoeira, porque investigações da PF indicam que ele ajudou a negociar contratos obtidos pela construtora.
Na construção do Engenhão, a prefeitura transferiu parte da obra estrutural, que caberia à Delta, para o consórcio formado por Odebrecht e OAS, contratado para o acabamento e a cobertura. Com isso, R$ 60,5 milhões passaram da empreiteira para o consórcio.
Verdini negou que questionamentos à capacidade técnica da Delta tenham sido a razão da transferência.
"Estávamos trabalhando, tínhamos um dinheiro grande a receber que o prefeito não nos pagava, e ele me chamou para aumentar a força de trabalho porque precisava acelerar a obra. Foi solicitado que, para isso, ele teria que ao menos saldar parte do valor devido. Ele disse que não podia. Não foi problema de capacidade."
Ele diz que o adiantamento negado à Delta foi feito ao consórcio Odebrecht-OAS.
Maia negou a acusação de Verdini. Segundo o ex-prefeito, o consórcio alegou que a Delta não tinha tecnologia para fazer a junção da cobertura, que era muito sofisticada. A construtora teria proposto a terceirização do serviço, mas ele, depois de ouvir uma consultoria, concluiu que era arriscado.
"A decisão foi pedir a Delta que parasse por ali e que o consórcio assumisse essa parte final de articulação com a cobertura", disse.

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Divergências no PDT são incontornáveis. Brizola Neto é ministro, mas quem manda no partido é Lupi.

Carlos Newton
Reportagem de Flávia Foreque e Kelly Matos, na Folha, mostra que o novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT), confirmou que ainda existem divergências internas no seu partido após ser escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar a pasta.
Como se sabe, integrantes do partido ligados ao ex-ministro Carlos Lupi eram contrários a indicação de Brizola Neto, que teve o apoio das centrais sindicais e do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
“Existem pequenas diferenças nesse processo todo, que ainda precisam ser equacionadas. Mas a verdade é que o partido está convencido do seu papel e do seu posicionamento no campo político nacional”, admitiu Brizola Neto. O novo ministro afirmou ainda que o PDT tem um compromisso com a história do trabalhismo brasileiro e com o governo de Dilma.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, também reconheceu a divisão no partido em relação ao nome de Brizola Neto, mas reforçou que ele conta com o apoio das centrais sindicais.
“O nome do Brizola Neto foi muito aceito pelo movimento sindical, portanto ele vai ser o ministro que vai comandar o trabalho com tranquilidade porque tem apoio dos trabalhadores”, afirmou.
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LUPI ACHA “NATURAL”
O ex-ministro Carlos Lupi, que deixou a pasta em dezembro do ano passado após denúncias de irregularidades, também falou sobre as divergências internas no PDT em relação à escolha da presidente.
“Quando tem disputa pela indicação, é natural que aqueles que não foram escolhidos tenham dificuldade de aceitação”, afirmou. Segundo Lupi, os “momentos de incompreensão estão sendo superados”.
Na verdade, Lupi saiu derrotado e desorientado, porque não queria Brizola Neto e indicou pessoalmente à presidente Dilma os nomes do deputado Vieira Cunha e do secretário-geral do PDT, Manoel Dias. Mas ele não lhe deu a menor atenção.
Brizola Neto já afirmou várias vezes que pretende unificar o PDT, mas não vai conseguir. É missão considerada impossível. Carlos Lupi comanda o partido com mão de ferro, em âmbito nacional. Ninguém consegue derrotar o grupo dele. Brizola Neto pode ser ministro e até representar o PDT no governo. Mas quem manda no partido é mesmo Lupi. E ponto final.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


CPI: entre mortos e feridos...

Carlos Chagas
Vamos dar asas ao cavalo branco da imaginação. Suponhamos que a CPI do Cachoeira funcione a contento, comprovando a corrupção praticada por parlamentares, governantes, altos funcionários de governos variados, policiais e empresários, sob a coordenação do bicheiro. Depois de meses de trabalho, esses resultados constarão do relatório final da CPI, divulgado e encaminhado ao Ministério Público, para providências.
Haverá a hipótese de os parlamentares envolvidos, com o senador Demóstenes Torres à frente, perderem seus mandatos, por ação dos Conselhos de Ética do Senado e da Câmara e decisão dos respectivos plenários. Quem sabe até o exemplo se repetisse numa ou outra Assembléia Legislativa, porque as cassações independem de pronunciamentos da Justiça. São políticas. Cadeia, no entanto, nem pensar. Antes dela falarão as prescrições, caso venham a responder a processos.
Governadores como Marconi Perillo, Agnelo Queiroz e Sergio Cabral também podem, na teoria, ser cassados, se evidenciada sua participação ativa nas lambanças. Agora, na dependência do voto da maioria dos deputados estaduais. Nessa hora, funcionarão os esquemas político-partidários armados no começo de cada administração.
Fidelidade em troca de secretarias e da direção de empresas estatais, ou da celebração de contratos entre o poder público e empresas recomendadas pelos partidos e as lideranças. Ficará quase impossível o impeachment político dos governadores, vale repetir, se evidenciada sua culpabilidade. Só o Poder Judiciário, através de demorados processos, teria condições de afasta-los, mas quando se caracterizassem as sentenças, seus mandatos teriam terminado faz muito.
Quanto a secretários e altos funcionários, se os governadores não os sacrificarem em nome de sua própria sobrevivência, a Justiça será capaz de atingi-los, mas igualmente em processos bem mais longos do que seus períodos nos governos.
Policiais sempre poderão ser demitidos a bem do serviço público, em processos administrativos, mas o corporativismo funciona nessas horas, pelo menos protelando a ação da Justiça, se tiverem sido abertos processos contra eles pelo Ministério Público.
Sobram os empresários, na quadrilha do Cachoeira e em inúmeras outras quadrilhas semelhantes, até mais poderosas. Neles, a CPI não chegará senão retoricamente, podendo apontar um ou outro como agente corruptor e beneficiário da corrupção. Estarão todos, porém, muito bem blindados, até na teoria desligados de suas empresas. Até hoje, faltam exemplos de punição efetiva para os empresários corruptos.
Não se dirá que entre mortos e feridos salvar-se-ão todos, mas é quase isso. A exceção talvez venha a ser o próprio Carlinhos Cachoeira, como satisfação para a opinião pública. A CPI não deverá poupá-lo, nem o Ministério Público, muito menos os tribunais. Isso caso não venha a encontrar-se gozando de sua fortuna fora do país.