Pedro do Coutto
O leilão de 142 blocos para
exploração de petróleo e gás, realizado na terça-feira pela ANP, revelou
que o ciclo (do petróleo) está longe de se esgotar e que produção a ser
obtida representa um projeto para o futuro. Isso porque na indústria
petrolífera a rentabilidade dos investimentos exige prazos longos para
sua obtenção. Esta, a meu ver, a maior importância das disputas
realizadas para a economia brasileira.
Não foi tanto o total
proporcionado ao país pela receita de 2,8 bilhões de reais, quase o
preço que o Banco Itaú, segundo os jornais, pagou pelo Credicard. Mas
sim o efeito reprodutivo das aplicações de capital e a forte presença,
ao lado da Petrobrás, de empresas do porte da Exxon, Britsh Petroleum e a
francesa Total. O maior lance, inclusive, foi praticado pelo consórcio
Total (40%), Petrobras (30%) e Britsh, os 30 pontos restantes. Foi de
345,9 milhões de reais na Foz do Amazonas. Aliás a Foz do Amazonas,
lembram os repórteres Lucas Verorazzo e Denise Luna, Folha de São Paulo
de 15, foi a bacia mais procurada. O conjunto de lances na área atingiu
802 milhões.
Ainda existem 1467 blocos
colocados no mercado pelo leilão, mas para estes não houve compradores.
Poderão ser no futuro mediante novas tecnologias e informações mais
detalhadas, acentuou João Carlos de Luca, presidente do Instituto
Brasileiro de Petróleo. Magda Chambriard, diretora geral da ANP, afirmou
que os números revelam sucesso absoluto, inclusive quanto aos blocos
terrestres licitados. O Brasil, portanto, ao contrário de certa previsão
técnica antiga, possui petróleo. Não só nas bacias marítimas e
fluviais, cujo acesso à exploração representou a grande abertura para a
indústria petrolífera.
CORRIDA CONTRA O TEMPO
No caso brasileiro, uma corrida
contra o tempo e o natural aumento do consumo. A busca da
autossuficiência, a qual, vale frisar, não depende somente da produção e
da qualidade do óleo extraído. Mas também do setor de refino. Houve
tempo em que a produção nacional, até o governo Ernesto Geisel,
representava 15% do consumo0. A partir de 79 foi subindo e alcançou
outra dimensão, mais compatível com o desenvolvimento econômico.
Agora ingressamos em outra
etapa. O mercado de produção, através dos leilões, encontra-se aberto
tanto à Petrobrás, estatal, quanto a empresas privadas estrangeiras.
Isso permitiu, como se observou a formação de consórcios mistos. Como
ficou constatado. A receita obtida na licitação, para o governo, não é a
face mais importante. Esta situa-se na abertura para investimentos e na
oferta de empregos, parte indispensável para execução dos projetos.
Inclusive empregos que exigem formação especializada.
Abriu-se assim uma perspectiva
bastante concreta para uma aceleração do processo de desenvolvimento
econômico que tem na produção do petróleo uma das principais molas de
impulsão, sobretudo pelos efeitos na balança comercial do país, ao lado
de se constituir num fator de expansão do mercado de trabalho. Na bacia
amazônica, por exemplo, a mobilização de recursos e empregos terá de ser
muito acentuada. E os investimentos vão se realizar porque empresas do
porte das que se habilitaram não vão se aventurar em praticar
investimentos para perder capital. Pelo contrário. Essa visão de médio e
longo prazos talvez seja a parte mais importante dos resultados da
licitação dos blocos efetivada pela Agência Nacional de Petróleo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário