Depois do primeiro operário e da primeira mulher, o “nunca antes na história deste país” pode também estar reservado para o primeiro negro na presidência da República
Agindo politicamente ou não, o fato é que Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470, a do mensalão, deve ser levado em consideração na futurologia eleitoral. Aplaudido em bares, restaurantes e chamado de herói nas recepções em Brasília, ele se coloca apenas como um simples “barnabé”, um servidor público cumpridor dos seus deveres. Uma postura humilde e recatada, mas quem pode garantir que esse também não seja um discurso político ensaiado, num país em que, por tradição, quem chega ao poder rapidamente se lambuza?
Nunca antes, na história brasileira, um negro foi tão longe graças ao mérito e ao estudo. Mineiro de Paracatu, Joaquim Barbosa cursou seu doutorado em Paris e fez carreira no Ministério Público. Indicado por Lula ao STF, ele presidirá a corte em novembro e chefiará o Poder Judiciário.
Em vez de motivo de orgulho do PT, passou a ser considerado um traidor pelo partido por sua atuação num julgamento que terá consequências profundas no imaginário brasileiro. Políticos e empresários poderosos presos eram coisas típicas de outros países – jamais do Brasil.
Era assim. Não mais. E o resultado do mensalão, justo ou injusto, terá sido fruto, sobretudo da tenacidade de Joaquim Barbosa na defesa de seus argumentos – numa postura que também surpreende os que estão acostumados com o mito do homem cordial no Brasil. Joaquim Barbosa é, muitas vezes, duro e intransigente, ainda que sacrifique a tradicional “urbanidade” típica das rodas do poder.
Com ele, emerge um novo STF e um novo Poder Judiciário. Menos “garantista” e mais punitivo – portanto, mais popular, o que não significa que seja mais justo. Se isso rende votos ou não, é outra história.
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