Carlos Chagas
Querem saber onde vai dar a CPI do Cachoeira? Salvo milagre, em lugar
nenhum. Menos porque a toda CPI carece o poder de punir, ainda que
possa investigar, divulgar e encaminhar conclusões ao Ministério
Público. Mais porque a atual, do Cachoeira, transformou-se em palco para
conflitos e confrontos entre o PT e o PSDB, sob as vistas plácidas do
PMDB.
O que se tenta, no correr dos trabalhos, é demonstrar qual partido
envolveu-se mais nos negócios escusos do bicheiro. Além, é claro, da
tentativa dos tucanos de trazer o mensalão para o centro das discussões,
despertando a reação dos petistas.
O foco das reuniões seria revelar as lambanças da quadrilha chefiada
pelo bandido, em especial suas ligações espúrias com parlamentares,
empreiteiras e governos estaduais e federal. Verificar se funcionaram
nas tramóias funcionários e até governadores deste ou daquele partido,
seria uma conseqüência.
Sendo assim, para começar, estão saindo chamuscados os governadores
de Goiás, ontem, e do Distrito Federal, possivelmente hoje. Talvez sobre
para servidores federais, da mesma forma como vem sobrando para
empresários e parlamentares que foram sócios ou testas-de-ferro do
Cachoeira. O problema é que ele só prestará contas à Justiça, como
sempre lerda e plena de válvulas de escape para qualquer réu, ainda mais
aqueles capazes de contratar advogados de capacidade excepcional.
Com respeito ao mensalão, a CPI transformou-se em mais um palco
subsidiário do Supremo Tribunal Federal. Marconi Perillo atribui a blitz
a que o submetem ao fato de haver sido o primeiro a denunciar o
escândalo. No caso, de viva voz ao então presidente Lula, que nada fez
para apurar e interromper a denúncia.
O PT integrou-se à argumentação do primeiro-companheiro, sobre não
ter havido mensalão, mas apenas acertos de caixa para saldar dívidas do
caixa 2 das campanhas eleitorais. Como será a mais alta corte nacional
de justiça a dirimir a dúvida, bem que a CPI do Cachoeira poderia
dispensar discussões a respeito. Mas não dispensa.
Em suma, a situação lembra um jogo de futebol onde os craques se
esfalfam em dribles sensacionais, cabeçadas fulminantes, corridas
olímpicas e defesas maravilhosas, sob o entusiasmo das arquibancadas
lotadas. Só que, de repente, um menininho reclama: “papai, está faltando
a bola…”
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NADA SE CONCRETIZOU…
Na exposição inicial de seu depoimento de ontem o governador Marconi
Perillo custou a entrar no assunto que gerou sua presença na CPI do
Cachoeira. Perdeu tempo precioso citando Ulysses Guimarães, Tancredo
Neves, Teotônio Vilela, Leonel Brizola, Juscelino Kubitschek, João
Goulart e a própria presidente Dilma Rousseff. Procurou ligar seu
passado e sua imagem ao estado e ao povo de Goiás, que referiu como o
mais próspero do país.
Quando seu tempo se esgotava e surgiram reclamações do plenário é que
abordou as acusações feitas contra ele. Disse que jamais manteve
relações de proximidade com Carlinhos Cachoeira, a quem rotulou de
empresário e acusou a imprensa de ilegal e imoral inversão do princípio
de caber ao acusador os ônus da prova das acusações.
Só depois enfatizou a inexistência de qualquer ato do seu governo
concretizado em função de planos e manobras de Carlinhos Cachoeira.
Informou que a Delta dispôs de apenas 4% de contratos em sua
administração. Negou que ele ou alguém de seu gabinete tivesse recebido
dinheiro em pagamento de uma casa que vendeu, operação realizada com
cheques bancários. Elogiou o senador Demóstenes Torres, como de enorme
prestígio no estado.
Depois, começou o bombardeio, quando o governador já poderia estar
abrigado de muitos petardos de seus adversários, caso houvesse utilizado
melhor o seu tempo.
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