Carla Kreefft (O Tempo)
Um efeito imediato as manifestações de ruas já conseguiram
certamente. Há um entendimento geral de que é preciso fazer mudanças nas
máquinas públicas, seja em âmbitos municipais, estaduais ou federal.
Aquela velha ideia de que o poder público é um guarda-chuva aberto e
capaz de abrigar todos os afilhados dos poderosos começa a ser desfeita
do ponto de vista dos que têm a caneta.
Os governos de São Paulo e Minas Gerais, ambos comandados pelo PSDB,
já tomaram suas iniciativas no sentido de efetuar cortes de despesas e
reduzir pessoal. Os críticos vão dizer que há nessas medidas um forte
viés eleitoral. Mas que assim seja, o importante é que o dinheiro
público seja tratado com mais seriedade. Independentemente dos motivos
que estejam levando à mudança de mentalidade, a nova rota é a desejada e
a reclamada nas ruas de todo o país.
O governo federal está demorando mais para reconhecer aquilo que é
inevitável. A presidente Dilma Rousseff, ao afirmar que não pretende
fazer cortes de pessoal e custeio, está evitando confirmar o discurso
oposicionista de que a máquina federal é muito gorda. Estratégia que não
parece acertada. Depois do que ocorreu em todo o país – protestos
sequenciais e sempre com um grande número de adeptos –, fica evidente
que é mais importante acertar o passo com a sociedade do que medir força
com o adversário político. Seria melhor corrigir os rumos neste momento
– a mais de um ano da eleição – do que admitir o equívoco durante a
campanha eleitoral.
INTENÇÕES CONTAM POUCO
Na política, as intenções contam pouco ou quase nada. As ações são as
donas do simbolismo. Os políticos do século passado costumavam dizer
que “quem é bonzinho não tem voto”. Atualmente, a máxima é bem outra:
“Quem não escuta não ganha eleição”. O protesto já aconteceu, a
reclamação foi colocada na mesa, muda de trajetória quem quiser. Mas,
certamente, nenhum movimento, seja de inércia ou de aceleração, ficará
impune.
Em outubro de 2014, deputados, senadores, governadores e a presidente
Dilma Rousseff serão testados. Será a oportunidade de avaliar de fato
quem está escutando melhor. O PSDB tem se mostrado rápido e sintonizado
com as manifestações, o que, ainda assim, não está impedindo um certo
desgaste para Geraldo Alckmin, em São Paulo. Já o PMDB está meio
perdido, sem saber se continua o casamento com o PT ou se começa um
divórcio para se mostrar mais disponível em 2014. Enquanto isso, Sérgio
Cabral vive seu inferno astral no Rio de Janeiro.
O PT da presidente Dilma Rousseff é o partido que demonstra estar
mais perdido. Em alguns momentos se aproxima da sociedade e, em outros,
prefere reafirmar suas posições, ainda que correndo o risco de ficar
navegando contra a maré.
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