Carlos Chagas
Primeiro foi Marcos Valério, ameaçando o Lula ao dizer que conversou
com ele diversas vezes, apesar dos desmentidos do ex-presidente. Depois,
quer dizer, terça-feira, o operador do mensalão negou tudo, afirmando
que não é dedo-duro. Não é mas foi, presumindo-se que terá obtido
compensações nos diálogos com Paulo Okamoto, representante do Lula.
Agora, quem vai para o centro do palco é Roberto Jefferson, aquele
que pela primeira vez denunciou o mensalão, então isentando o Lula de
qualquer participação e carregando acusações em José Dirceu. Pois da
noite para o dia o ex-deputado cassado, ainda presidente do PTB, volta
em 180 graus suas baterias, denunciando que além de saber de tudo, o
ex-presidente era o verdadeiro chefe, tendo ordenado a operação de
compra do voto de deputados por 30 mil reais mensais a cabeça.
Assim estamos a poucos dias do inicio do julgamento dos mensaleiros
pelo Supremo Tribunal Federal, não constituindo surpresa se de ontem
para hoje novos acusados tiverem escoado para a mídia mais contradições,
denúncias e desmentidos. Na verdade, estão todos apavorados com a
perspectiva de condenações. São 38, ao todo, entre estrelas de primeira
grandeza e penduricalhos de pouca significação. Assusta-os a
possibilidade de saírem do plenário da mais alta corte nacional de
justiça diretamente para uma cela nas instalações da Polícia Federal,
condenados sabe-se lá a quantos anos de cadeia.
Seus advogados não se entendem, se um dia já se entenderam. De acordo
com a lógica, trabalham para livrar o seu cliente, ainda que às custas
do vizinho do lado. Não há hipótese de o Lula ser transformado em parte
no processo. A tentativa foi rejeitada por decisão do ministro-relator
do processo, Joaquim Barbosa. Coisa que não impede de respingarem sobre o
ex-presidente pedacinhos de barro jogados no ventilador por parte de
alguns mensaleiros.
Faltando sete dias para o início do julgamento, é natural que a cada
dia surjam mentiras e verdades envolvendo um dos maiores escândalos da
crônica da República, o primeiro, por sinal, a ser conduzido à
transparência do Poder Judiciário. A situação, para os indigitados réus,
esta de vaca não conhecer bezerro…
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