Acostumado a "pagar e levar", pela primeira
vez o bicheiro Carlos Cachoeira experimenta sensação oposta: a de não
receber a mercadoria; contratado por R$ 15 milhões, Thomaz Bastos perdeu
todos habeas corpus que impetrou; Cachoeira, por sua vez, teve que
vender um laboratório para pagá-lo
247 – Preso há quase cinco
meses, o bicheiro Carlos Augusto Ramos já tentou de tudo para se sair da
prisão. Contratou o advogado mais caro do País, entrou com quatro
pedidos de habeas corpus, mas, em todos, foi derrotado. Nas tentativas
mais recentes, sua defesa apelou para argumentos que também foram
rejeitados. Primeiro, a depressão. Depois, o risco de “autoextermínio”,
ou seja, de que Cachoeira se suicidasse na prisão.
Neste sábado, a coluna do jornalista Claudio Humberto
informa que a paciência de Cachoeira chegou ao fim. “Preso há cinco
meses, abatido, pagando R$ 15 milhões ao advogado estrelado que não
ganha um só habeas corpus a seu favor, Carlos Cachoeira está à beira de
chutar o advogado. E o balde”, diz o texto da nota.
Acostumado a sempre “pagar e levar”, comprando
políticos e recebendo em troca todo tipo de apoio, Cachoeira estaria,
pela primeira vez, experimentando uma situação oposta: a de pagar e não
receber a mercadoria esperada. Thomaz Bastos, apesar da reputação de
exímio criminalista, perdeu em todas as tentativas. E Cachoeira, por sua
vez, teve que se desfazer de um importante negócio para pagar os
honorários.
De onde vem o dinheiro? Essa pergunta que, desde o
início da Operação Monte Carlo intrigou muitos comentaristas, tem uma
resposta. Para pagar os honorários milionários, o bicheiro teve que se
desfazer de sua participação acionária no ICF, um instituto de
certificação de remédios em Anápolis, que atesta se produtos genéricos
cumprem os requisitos de bioequivalência. Um bom negócio agora perdido
para os outros dois sócios no empreendimento: os laboratórios Teuto e
União Química.
Mau negócio recíproco
Se a contratação de Thomaz Bastos foi um mau negócio
para Cachoeira, pode-se dizer que a recíproca é também verdadeira. Ao
prestar serviços para um notório contraventor depois de deixar o
Ministério da Justiça, Thomaz Bastos colocou em risco sua reputação de
homem preocupado com a ética e com a conduta republicana. E ao perder
também todos os pedidos de habeas corpus, ele agora arrisca a fama de
melhor criminalista do Brasil.
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