Carlos Chagas
O ex-presidente Fernando Henrique tem motivos de sobra para comemorar. Ontem foram mais dois grandes aeroportos, no Rio e Belo Horizonte. Dias atrás, o petróleo do pré-sal. Assim como rodovias e ferrovias, sem esquecer os portos.
É evidente que mesmo evitando a palavra, o governo Dilma continua privatizando o país. Fica para outro dia verificar se os serviços públicos melhoram ou pioram. Ou mesmo se a soberania nacional vai sendo comida pelas beiradas, feito mingau quente. Melhor dizendo, as colheres já chegaram ao meio do prato. Breve faltará apenas privatizar as forças armadas.
O singular é que tudo se faz com dinheiro público. O BNDES comparece sempre. As isenções fiscais também.
Eis um tema que em outros tempos polarizaria a campanha presidencial, mas existirá algum candidato disposto a analisar e contestar essa política? Alguém capaz de denunciar a contradição entre o programa e a ação do governo do PT? Tem gente ganhando dinheiro em cada uma das múltiplas operações privatizantes. Nada a opor, o sistema é capitalista, mas tudo a contestar diante dessa prática de doar patrimônio público. Não haverá um só companheiro disposto a lembrar as atas de fundação do partido e de seus anos vividos na oposição?
Depois dizem que é má vontade, que a presidente nada mais faz do que seguir a tendência mundial. Pode ser, mas é bom tomar cuidado. Inequívocos sinais de indignação surgem das populações europeias, onde as privatizações constituem apenas uma das facetas desse poliedro elitista. Outras existem, como as demissões em massa, a redução de salários, a extinção de investimentos sociais e o fim das pensões e aposentadorias.
Serão as privatizações uma porta aberta para o ingresso dessas novas medidas de estrangulamento social? Lícita se torna a apreensão quando se vê tão bem recitada a lição. O antídoto do bolsa-família, do “minha casa-minha vida” e outras iniciativas assistencialistas não cobre o risco da ideologia neoliberal que avança sem reação do PT. E sequer de outros penduricalhos, como as centrais sindicais. Parecem todos adormecidos.
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