O PSDB é o partido mais avançado nas discussões para garantir espaço no chamado palanque eletrônico. Já está praticamente certa a coligação dos tucanos com DEM, PP, PV e PSD, e há chances de aliança com o PTB, apesar de o petebista Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, ter-se lançado na disputa pela Prefeitura.
O PT, por sua vez, não tem nenhum acordo totalmente fechado mas conta com PSB e PR como prováveis aliados. Ele espera atrair também o PC do B - o que depende de o pré-candidato Netinho desistir de concorrer.
Com a eventual conquista do PTB, a coligação pró-Serra teria 173 (34%) dos 513 deputados eleitos em 2010 - essa proporção é levada em conta na divisão do horário eleitoral. A aliança pró-Haddad, que eventualmente pode unir PT, PSB, PR e PC do B, abrangeria 178 deputados (35% do total).
Até o início do ano, quando Serra ainda não tinha decidido ser candidato e o PSDB não conseguia atrair apoios, Haddad e o PT mantinham uma expectativa de hegemonia sobre o tempo do horário eleitoral na televisão.
Apenas dois terços do tempo de TV, porém, são divididos com base no número de deputados de cada coligação. O outro terço é repartido com base no número de candidatos - uma incógnita, no caso de São Paulo. Por isso, o total de segundos destinado a cada concorrente só será definido após as convenções de junho. Até lá, só é possível trabalhar com cenários, como o exposto no quadro ao lado.
Sem chances. O total de prefeituráveis dependerá da manutenção ou não dos pré-candidatos do PTB e do PC do B e do apetite dos 'nanicos'. Nada menos do que 11 partidos com bancadas minúsculas (menos de 3% das cadeiras) ou sem representação na Câmara discutem o lançamento de nomes. Nesse bloco estão siglas de extrema-esquerda (PSOL, PSTU, PCB e PCO) e uma novidade, o Partido Pátria Livre (PPL), criado em 2011 por remanescentes do MR-8, grupo que atuou na clandestinidade no regime militar e orbitou o PMDB em anos recentes.
Também estão na ala dos nanicos Celso Russomanno (PRB) e Soninha (PPS). Seus partidos têm, respectivamente, 1,6% e 2,3% dos integrantes da Câmara e devem obter pouco mais de um minuto (em cada bloco de 30) para expor suas plataformas.
Negociações. Boa parte dos partidos só definirá seu campo às vésperas das convenções. A proximidade do PSB com o PT no governo federal dita o ritmo das negociações em São Paulo, mas os líderes da legenda no Estado tentam escapar de uma coligação com Haddad - uma vez que são aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB). E o DEM, apesar de orbitar a candidatura do PSDB, mantém as portas abertas para o PMDB.
* Colaborou Bruno Boghossian
PARA LEMBRAR: Dilma lançou mão da tática
O extenso tempo de TV da então candidata Dilma Rousseff em 2010 foi determinante para a vitória dela em outubro daquele ano.
Assim como o pré-candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad, Dilma nunca havia disputado uma eleição e era pouco conhecida pelo eleitor. Por conta disso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva costurou uma ampla aliança que contou com praticamente todos os partidos integrantes da coalização governista.
A candidata do PT teve 40% do total do tempo de TV reservado à propaganda eleitoral. Uma fatia 35% superior à do tucano José Serra.
Neste ano, Haddad já sofreu um revés nesse campo midiático. A Justiça Eleitoral puniu o PT com a perda de seu propaganda partidária. Ela seria utilizada para 'apresentar' o pré-candidato ao eleitor paulistano. Segundo as pesquisas, ele ainda patina atrás dos rivais.
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